O fantástico mundo de Petra: como a cineasta inventou um passado clandestino para seus pais

Em ‘Democracia em Vertigem’, drama público e íntimo se encontram para tratar do teatro político brasileiro.

Estado da Arte

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por Astier Basílio

As imagens têm o colorido estourado típico do VHS. O ano é 1984. Quem segura a filmadora é Marília Furtado de Andrade. Tem 34 anos na época das imagens. Estamos dentro da sua casa. É uma festa de aniversário. De sua filha, Petra Costa. A diretora de cinema, agora, tem quase a mesma idade da mãe quando a filmou na cena colocada no início de Democracia em Vertigem, documentário disponível na plataforma Netflix.

Ouvimos a voz da diretora que diz “eu e a democracia brasileira temos quase a mesma idade”. Ao falar do teatro político brasileiro, da greve dos metalúrgicos à eleição de Bolsonaro, Petra abre as portas de sua intimidade. Drama público e íntimo são convocados para uma mesma dança. Quando vemos Marília Furtado de Andrade filmando-se num espelho, a fala de Petra sublinha: “Essa é minha mãe. Ela tinha passado os anos 70 com meu pai na clandestinidade”. Em seguida, acrescenta: “Por uma década, a família não fazia ideia de onde eles moravam”.

“Clandestinidade” consentida pelos pais

Não é a primeira vez que Petra evoca o passado revolucionário dos pais. Em Elena (2012), documentário sobre o drama da perda da irmã, também foram exibidas as fotos de Manoel Costa Júnior e de Marília Andrade. Em 1968 ambos foram presos no Congresso da UNE, em Ibiúna, junto com outros 700 estudantes.

A clandestinidade dos pais da cineasta não passa de uma fantasia lírica. Quando afirma que por dez anos o paradeiro de seus genitores foi desconhecido dos parentes, há só parte da informação. Todos os anos, os pais de Petra visitavam a família em Belo Horizonte[1]. Era, portanto, uma clandestinidade que permitia férias. Tão logo casou, Marília ganhou de presente, 6 mil dólares da família[2]. Em valores de hoje, a soma chega a 44 mil. Foi com esse dinheiro que puderam brincar de revolução.

No Youtube, Petra Costa mantém uma página chamada “Elena Filme”. Há excertos de cenas que não foram aproveitados no documentário. Há um vídeo revelador, “5 Infância na clandestinidade”, no qual encontra-se o seguinte depoimento de Marília Andrade: “Nós não ficamos propriamente na clandestinidade, que nós nem mudamos de nome. Nós ficamos numa coisa que chama stand-by. A gente ficou clandestino para nossa família”.

Mãe de Petra filiada ao PT

A narrativa é feita de recuos e avanços. Inicia-se com a intimidade dos bastidores de Lula, encastelado no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, com ordem de prisão expedida. Após a exibição de sua festa de um ano, Petra recua no tempo até 1979. Mostra Lula. “Para minha mãe, ele era a expressão de um ideal”. Poderia dizer que o ex-presidente significava bem mais do que isso para Marília Andrade, filiada ao PT desde 1997.  

Em 1984, no ano em que segura a filmadora VHS, a herdeira do grupo Andrade Gutierrez, havia criado uma revista. Chamava-se “Brasil Extra”. Teve apenas um número. Quem foi entrevistado? Acertou quem disse Lula. Na primeira campanha presidencial do petista em 1989, suas passagens aéreas foram pagas pela mãe de Petra. Curiosamente, naquele ano, 89% do faturamento da empreiteira da família eram provenientes de contratos com obras públicas.

Na última eleição, Marília Andrade também foi uma das maiores doadoras individuais do candidato do PT, Fernando Haddad. Doou R$ 9 mil. Pela legislação, pessoa física pode dar até 10% de sua renda bruta anual. O último presidenciável petista também perdeu a reeleição para prefeito de São Paulo em 2016. Contou com uma doação financeira de Petra. Recebeu a mesma quantia: R$ 9 mil.

As omissões da memória [1]: o pai do PMDB

Na festa de aniversário, a pequena Petra é embalada por um jovem sorridente de camisa de manga comprida. É seu pai. Manoel Costa Júnior. Na ocasião tem 39 anos. É estranho que a edição do filme corte para as manifestações pelas Diretas Já e omita o fato de que o pai de Petra era deputado federal, do PMDB, participante ativo do movimento.

O avô paterno de Petra, Manoel da Silva Costa também era político. Elegeu-se deputado estadual pela primeira vez quando o filho tinha 6 anos. Seu partido foi a UDN. Quando Petra mostra as fotos dos pais presos em Ibiúna, o seu avô paterno já estava no quarto mandato. Mais do que isso. Era presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Pertencia à ARENA, partido de sustentação da ditadura militar.

Até que no documentário surge Brasília em construção. Vemos imagens de cima. Feitas pela avó de Petra. A voz da diretora informa que Gabriel Andrade, seu avô e fundador da construtora Andrade Gutierrez, não quis se envolver na construção por temer a derrubada de Juscelino Kubitschek.

As omissões da memória [2]: relações com JK

“Juscelino, que minha mãe, essa menininha de rabo de cavalo, viu rapidamente quando ele governador de Minas já sonhava com Brasília”. Quem assiste a esta cena tem a impressão de que o contato entre a família de Petra e o presidente que construiu Brasília foi, digamos, fortuito ou circunstancial.

A Andrade Gutierrez foi fundada pelo avô de Petra, Gabriel, ao lado do irmão Roberto e do amigo Flávio Gutierrez. Há, porém, um outro irmão que preferiu não enveredar pelo ramo da construção: José Maurício de Andrade. Um ano antes do empreendimento familiar, entrou para a política.

De 1947 a 1969, o tio-avô de Petra foi eleito duas vezes deputado estadual e três vezes deputado federal. Revezou-se entre UDN e PSD. Os ramos materno e paterno da cineasta se irmanam politicamente: apoiavam a ditadura militar. O último partido de Maurício de Andrade também era a ARENA.

Quando Juscelino foi governador, o irmão do avô de Petra foi líder do governo na Assembleia Legislativa. Na eleição presidencial, Maurício Andrade engajou-se na campanha. Quando Juscelino assumiu, aconteceram as primeiras obras rodoviárias da Andrade Gutierrez, bem como a primeiras construção fora de Minas Gerais, a BR-3, que ligou o Rio de Janeiro a Belo Horizonte.

Pai de Petra secretário de Aécio

Até que Petra mostra a tribuna do Senado. Aparece Aécio Neves, do PSDB. A voz da diretora o apresenta. “Nossas famílias têm uma ligação. Sua mãe se casou com um primo do meu avô”. Petra prossegue na dança. A história nacional e a familiar se encontram. E mais uma vez a cineasta omite. Em 2006, quando se reelegeu governador por Minas Gerais, Aécio Neves convidou Manoel Costa Júnior, pai de Petra, para integrar o seu secretariado. Foi o titular da pasta da Secretaria Extraordinária para Assuntos de Reforma Agrária.

O pai de Petra ocupou o cargo até 2011, sob a gestão de Antônio Anastasia, vice-governador que assumiu o cargo com a renúncia do titular. Manoel Costa foi afastado após investigação da Polícia Federal e dos Ministérios Público Estadual e Federal apontar fraude na legalização de terras no Norte de Minas Gerais.

O muro imaginário a separar a família

Ao mostrar o Palácio do Planalto com um muro a separar os manifestantes pró e contra o impeachment, Petra mais uma vez, abre as portas de sua casa. Dá a impressão de que existe, em sua família, uma divisória semelhante. “Eu vejo que a história dessa crise, desse muro, atravessa minha família. De um lado, a elite da qual meus avós faziam parte, do outro a história dos meus pais e da esquerda que eles sonharam, que está desmoronando”.

A impressão que se tem, ao ouvir a voz da diretora, é que havia lados opostos em sua família. Além de visitar a família todos os anos, Marília e Carlos trabalharam para a Andrade Gutierrez nos anos 1970, período da suposta e alardeada clandestinidade. Em Londrina, a mãe de Petra fez curso de pedagogia e todo o seu esforço de militância redundou na vitória do DCE de seu grupo. Manoel vendia remédios. Em 1974, o casal voltou para Belo Horizonte, onde ficaram por mais dois anos. Neste período, o pai de Petra estagiou numa das fazendas do sogro.

Há um longo depoimento sobre este período presente no livro Tempo de Poeira, (Eduel, 2018) de Tadeu Felismino. Parte significativa das falas de Marília Andrade, além de informações presentes neste texto, foram extraídos desta obra.

Partido não deixou mãe de Petra ser operária

Outra base de informações sobre a militância da mãe de Petra veio de outro depoimento. Este concedido em um vídeo do canal Dh Paz, hospedado no Youtube. Aqui Marília Andrade revela sua devoção por Pedro Pomar, líder do PCdoB. Ao terminar seu curso de graduação, a mãe de Petra foi pedir permissão para acabar o casamento. “Pedro, eu já fiquei 4 anos lá em Londrina, mais dois em Belo Horizonte, sendo família perfeita. Agora eu quero divorciar. Já pedi ‘n’ vezes vocês nunca deixaram. Aí ele falou assim: me dá um tempo. Eu te peço só um tempo. Aí mandou o Mané quatro meses pra longe”[3].

É impressionante como se tenta imprimir um valor revolucionário, clandestino, às decisões de foro pessoal. Um detalhe interessante é que o PCdoB, a quem o jovem casal de ricos se submetia, não autorizava quase nada que a mãe de Petra queria. Com uma semana de casamento, Marília quis separar, mas não permitiram. Marília não queria ter filhos, mas para se fantasiar de família pobre, aceitou. Quis trabalhar como operária, também lhe foi negada pela legenda. Quis escrever para um jornal, mas também não foi autorizada.

Empreiteiro pede revezamento de filhos da revolução

“Eu não sei como isso deve ser contado. O fato é que durante a ditadura, enquanto os meus pais estavam na clandestinidade e muitos dos seus amigos eram torturados e assassinados, a empresa do qual meu avô era sócio crescia e se tornava uma das maiores construtoras do país”. Ouvido assim até parece que há uma espécie de autocrítica de Petra com o passado familiar. Mais uma vez, Petra faz da memória peça de ficção.

Quando Manoel Costa voltou de Belém, ficou entusiasmado com a possibilidade de continuar brincando de revolução no Norte do país e convidou Marília para acompanhá-lo. “Ele falou: ‘eu fui destacado para fazer trabalho na zona rural’. Eu falei: ‘Mané, você não tem nenhuma experiência’. Aí eu tive uma ideia: vai lá em Minas, meu pai tem fazenda, você vai estagiar na fazenda do meu pai, depois você tem currículo, pra arrumar o emprego”[4].

O projeto “revolucionário” do casal de jovens ricos nunca foi um problema na Casa Grande dos Andrade. Não era apenas Marília que tinha se envolvido com organizações de esquerda a ponto do sócio-fundador da empreiteira, e avô de Petra, pedir à filha que houvesse um revezamento dos filhos. “Você podia falar lá pra ir um de cada vez?”[5].

Marília conta que quando o marido terminou o estágio, surgiu o convite para trabalharem na empreiteira da família. “Meu pai falou: ‘vem pra cá, o Manoelzinho foi tão incrível, ajudou tanto na fazenda’. Aí eu falei: “Papai, a gente quer ir pra Amazônia’. Aí meu pai falou: ‘Não tem problema. A gente atua na Amazônia há uma década e tem isenção de imposto de renda e os políticos e as autoridades de lá ficam só cobrando que a gente tem que implantar um projeto. Não só fazer estrada, hidrelétrica… e ir embora. E a gente não tem ninguém pra fazer isso, se vocês toparem. Nem perguntou: se estão militando”[6].

Trabalho para empreiteira transformado em ação revolucionária

Quando Petra mostra Lula indo pela primeira vez ao Congresso Nacional, em 1979, naquele mesmo ano, o pai dela também havia cruzado os corredores do poder. Mas não estava do lado dos grevistas. Como representante dos interesses da Andrade Gutierrez,  Manoel Costa Júnior participava do Simpósio Nacional sobre Agropecuária, realizado pela Comissão de Agricultura e Política Rural. 

Sobre o episódio, vejamos o que diz o jornal Folha de S.Paulo, em 4 de dezembro de 1979. A matéria tem como título: “A Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura) distribuiu nota, ontem, considerando ‘um caso escabroso’ a decisão do Senado autorizando a alienação de 400 mil hectares de terras na Amazônia para a construtora Andrade-Gutierrez, que ali implantará um projeto de colonização. Tal autorização – frisa a Contag – se deu graças à participação majoritária dos senadores ‘biônicos’ da Arena, descomprometidos com o voto popular, enquanto a Oposição se retirou do plenário, em protesto”.

A capacidade de deformar liricamente a memória que Petra apresenta no documentário sempre que se refere ao passado de sua família é uma herança da mãe. Avaliem como Marília reinventa o trabalho feito para a empreiteira do seu pai. “Então, nós entramos nessa política ousada de fazer um trabalho, assim, contando com a burguesia nacional como aliada”[7].

As consequências desta “ousadia” se fazem sentir até hoje.  É o que se pode ver no livro Povos Indígenas no Brasil: 2006 – 2010, editado por Carlos Alberto Ricardo e Fany Ricardo. “(…) Fundamentado na atividade madeireira e na pecuária, esse projeto levado a cabo pela construtora Andrade Gutierrez trouxe consequências nefastas para os Parakanã (…)”.

A própria Marília deixou escapar que participou de outro projeto da empreiteira. Naquele mesmo ano de 1979, que Petra apresenta e diz que “os ventos começaram a mudar…”, sua mãe, de alguma maneira, estava atuando na construção de Itaipu, obra delegada também à empreiteira da família. Marília chamou a amiga dos tempos de DCE em Londrina, Célia Regina, para fazer um serviço para a Andrade Gutierrez. “Eu convidei ela pra ir em Itaipu fazer uma pesquisa dos colonos que iam ser desalojados pra ver se levavam eles pro nosso projeto”[8].

A ação da construtora da família de Petra, em consórcio com outras empreiteiras, trouxe também impacto negativo com a população indígena. Em abril deste ano, a Procuradoria Geral da República publicou um relatório no qual afirma que “a construção da usina hidrelétrica de Itaipu (…) gerou graves violações de direitos indígenas, com adulteração de procedimentos para subestimar o número de índios que habitavam a região”.

Mãe de Petra pede a Lula em favor de negócio da família

Em alguns momentos no documentário, a mãe de Petra dá sua opinião como se fosse uma pessoa alheia aos negócios da família. Como se fosse uma comentarista política neutra a avaliar a realidade brasileira e a criticar a burguesia. Marília, acionista nas empresas da família e pecuarista, sempre atuou nas empresas do grupo. Um exemplo emblemático se dá na criação da ONG “Sertão Brás” que, conforme ela própria diz, “no começo era pra defender a legalização do queijo de leite cru”.

Em 2008, a Andrade Gutierrez completou 60 anos. Realizou uma série de jantares em várias cidades. Uma delas foi Brasília. A festa contou com a presença do então presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva. O acontecido é narrado com detalhes pelo jornalista Camilo Vannuchi no belo texto “Fazendeiro do ar”, sobre Gabriel Andrade. Como sobremesa foi servido queijo da Canastra com goiabada cascão, iguaria preparada pela matriarca Vera, avó de Petra. Marília Andrade também estava lá. Aproveitou para dizer que aquele queijo não poderia ser comercializado fora de Minas por conta da legislação.

Disse ainda que haviam criado a ONG por conta disso. Lula se fez de desentendido. Falou que era preciso abrir uma empresa e não uma ONG. Até que se deu o seguinte diálogo:

“— Presidente, escolhe  —  a filha de Gabriel, disse baixinho  —, ou o senhor legaliza o queijo ou a maconha. Rápido e bem humorado, Lula retrucou: — Eu legalizo o queijo. A maconha deixo pra Dilma. Pré-candidata à Presidência da República, Dilma disse ‘legalizaremos’. O chiste virou assunto no dia seguinte, comentado entre Lula e os ministros”.

Dois anos antes desta conversa, Marília Andrade havia sido nomeada assessora da Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

Avô de Petra propôs executar assassino de guerrilheiro

Quando era adolescente, Marília Andrade sofreu depressão. Não encontrava sentido em nada. Como ela mesmo conta, veio encontrar um ideal para a vida não em Paris, não em Nova Iorque, mas na revolução. Os ideais de socialismo lhe vieram através de Manoel Costa Júnior, recém chegado dos Estados Unidos. Lá, o filho do deputado da ARENA, encontrou as leituras que fizeram sua cabeça. No coração do imperialismo, o jovem rico converteu-se à revolução.

No terceiro ano do antigo científico, Marília tinha uma resposta pronta aos professores que perguntavam sobre seu futuro. “Nunca mais vou estudar. Vou ser guerrilheira”[9]. O passado da mãe de Petra é apresentado em Democracia em Vertigem sob um filtro distorcido do lirismo guerrilheiro e fantasioso. Quem lê e assiste aos depoimentos de Marília atesta que ela viveu uma militância que “poderia ter sido e que não foi”. Quase foi lutar na guerrilha do Araguaia. Quase foi operária. Quase foi presa, devido a inquérito policial aberto. O condutor da operação, Tenente Raul foi, nas palavras de Marília, “bonzinho”. O que fazer quando se tem que lidar com a herdeira de uma empreiteira poderosa cujos laços familiares, seus e os do marido, eram protegidos por deputados da ARENA?

“Foi um período chato, em que comecei a sonhar em ser presa ou exilada”, chegou a dizer, relembrando suas aspirações da época. Após a morte de Pedro Pomar em 1976, Marília conta que passou três anos “abaladíssima, pensava até em ser mulher-bomba”. Até que contou tudo ao pai, Gabriel Andrade. Quando ouviu o relato, o pacato e milionário empreiteiro fez uma proposta um tanto inusitada à mãe de Petra: “meu pai disse: ‘você quer que a gente manda matar esse cara? Eu falei não, papai, não adianta. Não vai trazer ele de volta”[11].

No final do documentário, a cineasta diz: “Somos uma república de família”. Curioso. Democracia em vertigem é permeado por várias imagens de dentro do Palácio, do coração do poder. Foram feitas por Ricardo Stuckert. Fotógrafo oficial do ex-presidente Lula. Quando o filme começa, Petra mostra Brasília, em 1979. O presidente naquele ano era Figueiredo, cujo fotógrafo oficial era ninguém menos que o pai de Ricardo Stuckert, Eduardo. Curiosamente, os três únicos presidentes que sorriram em fotos oficiais, Figueiredo, Lula e Dilma, têm algo em comum: um Stuckert por trás das lentes. Uma família de serviçais do poder.

Não é à toa que Marília Andrade, cujos tios paternos e o avô eram simpatizantes do integralismo, trazia uma pergunta de algibeira sempre que se encontrava com um “chefe” do Partido Comunista: “(…) e minha família, que é da burguesia nacional, é inimiga ou aliada?”.

Astier Basílio é jornalista, poeta, ficcionista e dramaturgo. Venceu o Prêmio Funarte de Dramaturgia 2014

Notas:

[1] posição 1328 de 4412 do ebook “O Tempo do Poeira”

[2] posição 1267 de 4414 do ebook “O Tempo do Poeira”.

[3]  depoimento de Marília Andrade ao DHPAZ Paraná

https://www.youtube.com/watch?v=Fz4rEkN87ao [47:29]

[4] depoimento de Marília Andrade ao DHPAZ Paraná

https://www.youtube.com/watch?v=Fz4rEkN87ao [48:24]

[5] depoimento de Marília Andrade ao DHPAZ Paraná

https://www.youtube.com/watch?v=Fz4rEkN87ao [49:32]

[6] depoimento de Marília Andrade ao DHPAZ Paraná

https://www.youtube.com/watch?v=Fz4rEkN87ao [48:42]

[7]  depoimento de Marília Andrade ao DHPAZ Paraná

https://www.youtube.com/watch?v=Fz4rEkN87 [49:57]

[8] depoimento de Marília Andrade ao DHPAZ Paraná

https://www.youtube.com/watch?v=Fz4rEkN87 [50:49]

[9] posição 847 de 4414 do ebook “O Tempo do Poeira”.

[10] depoimento de Marília Andrade ao DHPAZ Paraná

https://www.youtube.com/watch?v=Fz4rEkN87 [32:13]

[11] depoimento de Marília Andrade ao DHPAZ Paraná

https://www.youtube.com/watch?v=Fz4rEkN87ao [45:10]

 

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