O começo do fim da temporada musical 2016

O começo do fim da temporada musical 2016

Estado da Arte

10 de novembro de 2016 | 17h19

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O barítono Stephan Genz, solista da temporada 2016 da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

por Leandro Oliveira

Tivemos um ano musical intenso neste 2016 – a despeito da crise e, por vezes, a despeito da música. O que quero dizer: com a presença de grupos extraordinários como a Filarmônica de Viena, para ficar no exemplo mais paradigmático, o ano foi recheado de perdas irreparáveis – Pierre Boulez, Gilberto Mendes e David Bowie – e seguiu com escândalos igualmente notáveis. O fato é que entre desvios milionários no Theatro Municipal de São Paulo e o Nobel de literatura a Bob Dylan, não podemos dizer que faltou notícia.

Mas antes da retrospectiva, vamos ao que ainda resta, pois não resta pouco. Esta semana a Osesp apresenta em sua temporada o extraordinário baixo-barítono alemão Stephan Genz no não menos extraordinário trabalho do compositor Detlev Gannert (1960) que, a partir do ciclo “Canções Sérias” op. 121 de Johannes Brahms, faz o improvável gesto de somar a Brahms uma camada significativa de densidade. Mais que mera orquestração, Gannert de fato tece pequenos comentários e conexões ao trabalho original, fazendo nestes “Quatro Prelúdios e Canções sérias [baseados no Op.121 de Brahms]” uma espécie de homenagem sofisticada e pungente. Um privilégio do público paulistano.

A Osesp apresenta-se sob a regência do maestro Sir Richard Armstrong.

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A eleição de Donald Trump parece preocupar, no meio cultural,  apenas o lado mais comprometido ideologicamente com o ambiente político. Uma grande parte do mercado da arte, ao contrário,  encontra especialistas que asseguram um eventual resultado positivo. Afinal, argumentam, certo tipo de arte segue sendo visto como commodity – investimento suficientemente estável para tempos de incertezas.

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Além da retrospectiva 2016, provavelmente este espaço dedicará algumas páginas das próximas semanas às perspectivas musicais de 2017. À diferença do mercado de arte internacional, o encerramento do ciclo de assinaturas da sociedade de concertos do Mozarteum e alguns outros movimentos do meio musical nos fazem crer que o ano  que vem seguirá expressando ainda mais incisivamente a crise econômica local.

Leandro Oliveira é compositor e regente, professor do “Falando de Música” da Osesp. Realiza doutorado em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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