“O Caminho da Cruz” de Paul Claudel

“O Caminho da Cruz” de Paul Claudel

Estado da Arte

12 Abril 2017 | 08h00

Paris, 1911.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

 

       Acabou. Nós julgamos Deus e nós o condenamos à morte.
       Não queremos mais Jesus Cristo conosco, pois ele nos constrange.
       Não temos outro rei além de César! só a lei do sangue e do ouro é forte!
       Crucificai-o, se o quereis, mas nos desvencilhem dele! levem-no longe!
       Tolle! Tolle! Tanto pior! pois é preciso, que o imolem e nos deem Barrabás!

 

       Pilatos se senta no lugar chamado Gabatá.
       “Não tens nada a dizer?” diz Pilatos. E Jesus não responderá.
       “— Eu não vejo nenhum mal neste homem”, diz Pilatos, “mas bah!
       Que morra, se querem tanto! Eu vô-lo dou. Ecce homo.

 

       Eis aí, a coroa na cabeça e a púrpura no ombro.
       Uma última vez a nós estes olhos plenos de lágrimas e sangue se dão!
       Que podemos nós? de guardá-lo mais conosco já não há mais condição.
       Tal como ele foi um escândalo para os judeus, foi um nonsense em nossa opinião.
       De resto, nada falta, em língua hebraica, grega e latina foi lavrada a decisão.
       E vemos o povo que grita e o juiz que lava a sua mão.

 

Confira as 14 Estações na íntegra no Grande Teatro do Mundo

Cristo carregando a Cruz de Hieronymus Bosch (1500-35), óleo sobre tela em exposição no Museu de Belas Artes de Ghent.

 

 

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