Natal com Bach

Natal com Bach

Estado da Arte

24 de dezembro de 2018 | 14h15

Natividade, de Jacopo Tintoretto, c. 1550. Museum of Finte Arts, Boston

por Leandro Oliveira

 

J. S. Bach compôs a cantata BWV 140 em Leipzig. Ela é planejada para o 27º domingo depois da Trindade – em 2018, ocorreu no dia 02 de dezembro. De acordo com o musicólogo Christoph Wolff, Bach a realizou apenas uma vez, em 25 de novembro de 1731 (embora o 27º domingo após Trindade tenha ocorrido mais uma vez durante seu mandato em Leipzig, em 1742).

Bach compôs esta cantata para completar seu segundo ciclo anual de cantatas de 1724/25. É baseado no hino luterano do pastor, poeta e compositor Philipp Nicolai (1556  – 1608) que, em três estrofes, aparece de modo literal nos movimentos externos e nos movimentos centrais (1, 4 e 7). O original foi publicado como FrewdenSpiegel deß ewigen Lebens (“Espelho de Alegria da Vida Eterna”), em 1599.

Há uma óbvia inspiração em certa passagem do Evangelho de Mateus, a conhecida parábola mística das Dez Virgens (Mateus 25: 1–13). A poesia também faz referência a textos do Cântico dos Cânticos, mostrando Jesus como o esposo da Alma. Bach usou o movimento central como base para o primeiro de seu Schübler Chorales, BWV 645.

Como o texto e seus temas escatológicos também estão associados ao Advento, a cantata é comumente executada durante o Natal.

 

Chama a atenção, na estrutura da música, recitativos e os dueto do terceiro e sexto movimentos, onde ouvimos, pelas vozes do baixo e soprano, a alegoria de Jesus e a Alma, respectivamente. O expediente, nitidamente teatral (operístico, no caso), resvala em um conhecido elemento místico cristão, do prenuncio da encarnação de Cristo – as vésperas do encontro entre corpo e alma, e a auspiciosa dignidade da vida humana.

 

Tradução

1. Coro

Despertai, chama-nos a voz

Dos vigias bem alto sobre muralha.

Despertai, ó cidade de Jerusalém!

Esta hora se chama meia-noite

E chamam-nos com voz clara:

Onde estais, virgens prudentes?

Celebrai, o noivo está vindo.

Levantai, pegai vossas lâmpadas! 

Aleluia!

Preparai-vos

Para o casamento.

Deveis encontrá-lo!

2. Recitativo

Ele está vindo, ele está vindo,

O Noivo está vindo!

Saí, ó filhas de Sião!

Ele vem correndo do alto

para a casa de vossa mãe!

O noivo está vindo, tal como um corço,

Tal como um jovem cervo

A saltar pelas colinas,

E traz o banquete matrimonial.

Despertai,

Alegrai-vos para receberdes o Noivo!

Lá, vede, lá vem ele!

3. Dueto

Soprano: Quando chegarás, minha salvação?

Baixo: Eu que sou parte de ti, virei.

Soprano: Aguardo com azeite na lamparina.

Ambos: Abre a sala! Para o banquete celestial!

Soprano: Vem, Jesus!

Baixo: Vem, alma amada!

4. Coro

Sião ouve o vigia cantar.

O coração faz pular de alegria.

Ela desperta e se levanta apressada.

Magnífico, seu amigo vem do Céu;

A graça o faz forte,

A verdade o faz poderoso.

A luz de Sião torna-se clara, sua estrela nasce.

Venha, pois, preciosa coroa,

Senhor Jesus, filho de Deus.

Hosana!

Seguimos todos

À sala da celebração 

E tomamos parte na ceia.

5. Recitativo

Entra, pois, e vem até mim

Ó noiva escolhida!

Confio-me a ti

Por toda a eternidade!

Eu te quero em Meu coração

E em Meu braço como a um selo

E deleitarei teus olhos perturbados.

Esquece, ó alma, pois,

O medo e a dor

Que tiveste que sentir.

Repousarás à minha esquerda

E minha direita te beijará.

6. Ária dueto

Soprano: Meu amigo me pertence!

Baixo: E eu sou Dela.

Ambos: O amor nada deve separar!

Deleitar-nos-emos entre as rosas do Céu.

Lá haverá alegrias plenas e beatitudes!

7. Coral

Que tua glória seja cantada

Por línguas de homens e de anjos

Com harpas e timpanos.

De doze pérolas são as portas

Em Tua cidade somos consortes.

Aos anjos que cercam teu trono.

Nenhum olho sentiu,

Nenhuma ouvido jamais ouviu

Alegria como essa.

Por isso alegramo-nos. 

Sim, sim!

Para sempre in dulci jubilo!

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