J. D. Salinger: “O Apanhador no Campo de Centeio”

J. D. Salinger: “O Apanhador no Campo de Centeio”

O Estado da Arte publica um capítulo do livro "O Apanhador no Campo de Centeio", de J. D. Salinger, que acaba de ser reeditado pela editora Todavia, com tradução de Caetano W. Galindo

Estado da Arte

23 de junho de 2019 | 18h21

Foto: Editora Todavia

Publicado pela editora Todavia. Tradução de Caetano W. Galindo.

Maior golpe de sorte que eu tive nos últimos anos, quando cheguei em casa o ascensorista normal da noite, o Pete, não estava no elevador. Um sujeito novo que eu nunca tinha visto estava no elevador, então eu saquei que se não desse de cara com os meus pais e tal ia conseguir dar um oi pra nossa amiga Phoebe e aí me mandar sem ninguém ficar sabendo que eu tinha passado por ali. Era um golpe de sorte sensacional mesmo. E, pra melhorar, o ascensorista novo era meio tapadinho. Eu disse pra ele, com uma voz bem casual, me levar até os Dickstein. Os Dickstein eram o pessoal do outro apartamento no nosso andar. Eu já tinha tirado o meu boné de caçador, pra não parecer uma figura suspeita e tal. Eu entrei no elevador como se estivesse com uma pressa enorme.

Ele já tinha fechado direitinho a porta do elevador e tal, e estava prontinho pra subir comigo, e aí se virou e me disse, “Eles não tão. Eles tão numa festa no catorze”.

“Tudo bem”, eu disse. “É pra eu ficar esperando. Eu sou sobrinho deles.”

Ele me deu uma olhada meio idiota, desconfiada. “Melhor você esperar no saguão, meu chapa”, ele disse.

Eu bem que queria — de verdade”, eu disse. “Mas eu tenho problema numa perna. Ela tem que ficar numa certa posição. Acho que era melhor eu sentar na cadeira lá da frente da porta deles.”

Ele não sabia de que diabo eu estava falando, então a única coisa que ele disse foi “Ah” e me levou pra cima. Nada mau, rapaz. Engraçado. Você só precisa é dizer alguma coisa que ninguém entende e aí eles fazem praticamente tudo que você quer.

Eu desci no nosso andar — mancando que nem um filho da puta — e comecei a andar na direção do apartamento dos Dickstein. Aí, quando ouvi a porta do elevador fechar, eu me virei e fui pro nosso lado. Eu estava indo bem. Eu nem estava mais me sentindo bêbado. Aí peguei a minha chave e abri a nossa porta, quieto pra diabo. Aí com muito, mas muito cuidado e tal eu entrei e fechei a porta. Eu devia era ter sido bandido.

Estava escuro pra diabo na entrada, lógico, e lógico que eu não podia acender nenhuma luz. Tinha que cuidar pra não trombar com nada e fazer estrondo. Mas eu certamente sabia que estava em casa. A entrada da nossa casa tem um cheiro esquisito que não parece nenhum outro. Eu não sei que diabo é. Não é couve-flor e não é perfume — não sei que diabo é —, mas você sempre sabe que está em casa. Eu comecei a tirar o casaco, e ia pendurar no armário ali da entrada, mas aquele armário fica lotado de uns cabides que fazem um estardalhaço maluco quando você abre a porta, então eu fiquei de casaco. Aí comecei a andar muito, mas muito devagar na direção do quarto da nossa amiga Phoebe. Eu sabia que a empregada não ia me escutar, porque ela só tinha um tímpano. Tinha um irmão que enfiou um canudinho no ouvido dela quando ela era criança, um dia ela me contou. Ela era bem surdinha e tal. Mas os meus pais, especialmente a minha mãe, ela tem ouvido de tísico. Então eu tomei muito, mas muito cuidado quando passei pela porta deles. Até segurei a respiração, meu Deus do céu. Você pode tacar uma cadeira na cabeça do meu pai que ele não acorda, mas a minha mãe, com a minha mãe é só você tossir em algum lugar da Sibéria que ela te escuta. Ela é nervosa pra diabo. Quase sempre ela passa a noite acordada fumando.

Finalmente, depois de coisa de uma hora, eu cheguei no quarto da nossa amiga Phoebe. Só que ela não estava lá. Eu tinha esquecido essa. Esqueci que ela sempre dorme no quarto do D.B. quando ele está em Hollywood ou algum outro lugar. Ela gosta porque é o maior quarto da casa. Também porque tem uma mesona imensa de demente que o D.B. comprou de uma alcoólatra qualquer lá na Filadélfia, e uma cama grandona, gigante, que tem uns quinze quilômetros de largura e uns quinze de comprimento. Não sei onde ele comprou aquela cama. Enfim, a nossa amiga Phoebe gosta de dormir na cama do D.B. quando ele viaja, e ele deixa. Você tinha que ver ela fazendo lição de casa ou sei lá o quê naquela mesona maluca. É quase do tamanho da cama. Mal dá pra ver a nossa amiga Phoebe quando ela está fazendo a lição. Só que é bem o tipo de coisa que ela gosta. Ela não gosta do quarto dela porque é pequeno demais, ela diz. Ela diz que gosta de se espalhar. Essa me mata. O que é que a nossa amiga Phoebe tem pra espalhar? Nada.

Enfim, eu fui pro quarto do D.B., quietinho pra diabo, e acendi a luminária em cima da mesa. A nossa amiga Phoebe nem acordou. Quando a luz estava acesa e tal, eu meio que fiquei um tempo olhando pra ela. Ela estava ali deitada dormindo, com o rosto meio que na lateral do travesseiro. Estava com a boca bem aberta. É engraçado. Você veja lá os adultos, eles ficam com uma cara nojenta quando estão dormindo de boca aberta, mas criança não. Criança fica com uma cara legal. Elas podem até estar com o travesseiro todo babado e ainda ficam com uma cara legal.

Eu andei pelo quarto, bem quietinho e tal, olhando as coisas um tempo. Eu estava supimpa, pra dar uma variada. Eu nem sentia mais que estava pegando pneumonia nem nada. Eu só estava legal, pra dar uma variada. As roupas da nossa amiga Phoebe estavam numa cadeira bem do ladinho da cama. Ela é bem arrumadinha, pra uma criança. Quer dizer, ela não joga simplesmente as coisas por todo lado, que nem algumas crianças. Ela não é bagunceira. Ela tinha pendurado no encosto da cadeira o paletó de um conjuntinho marrom que a minha mãe comprou pra ela no Canadá. Aí a blusa e coisa e tal estavam no assento. Os sapatos e as meias estavam no chão, bem embaixo da cadeira, um do ladinho do outro. Eu nunca tinha visto aquele sapato. Era novo. Era um mocassim marrom-escuro, meio que parecido com um par que eu tenho, e ficava bem bacana com aquele conjuntinho que a minha mãe comprou pra ela no Canadá. A minha mãe veste ela bem legal. Veste mesmo. A minha mãe tem um gosto sensacional pra certas coisas. Ela não presta pra comprar patins de gelo nem nada assim, mas roupa, aí ela é perfeita. Quer dizer, a Phoebe sempre está com algum vestido que é de te matar. Você veja lá a maioria das criancinhas, mesmo quando os pais delas são ricos e tal, elas normalmente estão com algum vestido horrendo. Queria que você pudesse ver a nossa amiga Phoebe com aquele conjunto que a minha mãe comprou pra ela no Canadá. Sem brincadeira.

Eu sentei na mesa do nosso amigo D.B. e dei uma olhada nas coisas que estavam ali. Eram em geral as coisas da Phoebe, da escola e tal. Livros, em geral. O que estava por cima se chamava Aritmética é diversão!. Eu meio que abri na primeira página e dei uma espiada. Era isso que a nossa amiga Phoebe tinha ali:

Aquilo me matou. O segundo nome dela é Josephine, meu Deus do céu, e não Weatherfield. Só que ela não gosta. Toda vez que eu vejo a nossa amiga Phoebe ela arranjou um segundo nome novo.

O livro por baixo do de aritmética era de geografia, e o livro por baixo do de geografia era uma cartilha. Ela é muito boa pra soletrar. Ela é muito boa em todas as matérias, mas especialmente em soletrar. Aí, por baixo da cartilha, tinha um monte de caderno. Ela tem uns cinco mil cadernos. Você nunca viu uma menina com mais caderno. Eu abri o de cima e olhei a primeira página. Estava escrito:

Bernice me encontre no recreio eu tenho uma coisa muito mas muito importante pra te contar.

E era só isso naquela página. Na seguinte estava escrito:

Por que no sudeste do Alasca existem tantas
fábricas de enlatados?
Porque tem muito salmão
Por que existem preciosas florestas lá?
porque tem o clima certo.
O que nosso governo fez
para melhorar a vida dos esquimós do Alasca?
pesquisar para amanhã!!!
 Phoebe Weatherfield Caulfield
 Phoebe Weatherfield Caulfield
 Phoebe Weatherfield Caulfield
 Phoebe W. Caulfield
 Phoebe Weatherfield Caulfield, Nobre Senhora
 Favor passar para a Shirley!!!
A Shirley disse que você era de sagitário
mas você é só touro traga os patins
quando for lá em casa

Eu fiquei ali sentado na mesa do D.B. e li o caderno inteiro. Não demorou muito, e eu consigo ficar lendo essas coisas, o caderno de alguma criança, da Phoebe ou de qualquer uma, o dia todo e a noite toda. Caderninho de criança me mata. Aí eu acendi outro cigarro — era o meu último. Eu devo ter fumado uns três maços naquele dia. Aí, finalmente, acordei ela. Quer dizer, eu não podia ficar ali sentado naquela mesa o resto da vida, fora que eu estava com medo que os meus pais pudessem entrar ali do nada e queria pelo menos dizer oi antes. Então acordei ela.

Ela acorda muito fácil. Quer dizer, você não precisa gritar com ela nem nada. A única coisa que você tem que fazer, praticamente, é sentar na cama e dizer, “Acorda, Phoeb”, e abracadabra, ela acorda.

Holden!”, ela disse logo de cara. Ela me deu um abraço e tal. Ela é muito apegada. Quer dizer, ela é bem apegada, pra uma criança. Às vezes ela é até apegada demais. Eu meio que dei um beijo nela, e ela disse, “Quando que você chegou?”. Ela estava feliz pra diabo de me ver. Dava pra você perceber.

“Fala mais baixo. Agorinha mesmo. E como é que você tá?”

“Eu tô bem. Você recebeu a minha carta? Eu te escrevi uma de cinco páginas —”

“Recebi sim — mais baixinho. Obrigado.”

Ela me escreveu a tal carta. Só que eu não tive oportunidade de responder. Falava só de uma peça em que ela estava na escola. Ela me disse pra não marcar nenhum encontro nem nada pra sexta, pra eu poder ir ver.

“Como é que está a peça?”, eu perguntei. “Como é que você disse que era o nome?”

Um auto de Natal para os americanos. É horrível, mas eu sou o Benedict Arnold. Eu tenho praticamente o maior papel”, ela disse. Rapaz, ela estava pra lá de acordada. Ela fica muito empolgada quando te conta essas coisas. “Começa quando eu estou morrendo. Aparece esse fantasma na véspera do Natal e me pergunta se eu estou com vergonha e coisa e tal. Você sabe. De trair o meu país e coisa e tal. Você vai ver?” Ela estava sentadíssima na cama e tal. “Foi por isso que eu te escrevi. Você vai?”

“Claro que vou. Certamente que eu vou.”

“O papai não pode. Ele tem que pegar um avião pra Califórnia”, ela disse. Rapaz, ela estava acordadíssima. Ela só precisa de uns dois segundos pra ficar pra lá de acordada. Ela estava sentada — meio ajoelhada — retinha na cama, e estava segurando a desgraça da minha mão. “Escuta. A mamãe falou que você ia chegar na quarta”, ela disse. “Ela falou que era na quarta.”

“Eu saí mais cedo. Fala mais baixo. Você vai acordar todo mundo.”

“Que horas são? Eles só vão chegar bem tarde, a mamãe disse. Eles foram pra uma festa em Norwalk, lá em Connecticut”, a nossa amiga Phoebe disse. “Adivinha o que eu fiz hoje de tarde! Que filme que eu vi. Adivinha!”

“Eu não sei — Escuta. Eles não disseram que horas eles iam —”

The Doctor”, a nossa amiga Phoebe disse. “É um filme especial lá da Fundação Lister. Foi só um dia que passou — hoje foi o único dia. Era sobre um médico lá do Kentucky e coisa e tal que enfia um cobertor na cara de uma criança que é aleijadinha e não consegue andar. Aí eles mandam o médico pra cadeia e coisa e tal. Foi excelente.”

“Escuta um segundo. Eles não disseram que horas eles iam —”

“Ele fica com pena, o médico. É por isso que ele coloca o cobertor na cara dela e coisa e tal e faz ela sufocar. Aí fazem ele ficar na cadeia perpétua, mas a tal da criança que ele sufocou com o cobertor em cima da cabeça aparece pra visitar ele o tempo todo e agradece pelo que ele fez. Ele era um assassino piedoso. Só que ele sabe que merece ir pra cadeia, porque um médico não devia tirar coisas de Deus. Foi a mãe de uma menina da minha turma que levou a gente. A Alice Holmborg. Ela é a minha melhor amiga. Ela é a única menina do mundo inteiro —”

“Você me dá um segundinho?”, eu disse. “Eu estou te fazendo uma pergunta. Eles não disseram que horas eles iam voltar, por acaso?”

“Não, mas só bem tarde. O papai foi de carro e coisa e tal pra eles não terem que se preocupar com os trens. Agora a gente tem rádio no carro! Só que a mamãe disse que ninguém pode ligar quando o carro está no trânsito.”

Eu comecei a relaxar, mais ou menos. Quer dizer, finalmente parei de ficar me preocupando se eles iam me pegar em casa ou não. Pensei, dane-se. Se me pegassem, me pegavam.

Você tinha que ter visto a nossa amiga Phoebe. Ela estava com um pijaminha azul com elefantes vermelhos na gola. Elefante é uma coisa que derruba ela.

“Então foi um filme bacana, hein?”, eu disse.

“Joia, fora que a Alice estava resfriada, e a mãe dela ficava perguntando o tempo todo se ela estava sentindo que era gripe. Bem no meio do filme. Sempre no meio de alguma coisa importante, a mãe dela se inclinava por cima de mim e coisa e tal e perguntava pra Alice se ela estava sentindo que era gripe. Aquilo me deu nos nervos.”

Aí eu falei pra ela do disco. “Escuta, eu te comprei um disco”, eu contei pra ela. “Só que eu quebrei no caminho.” Eu tirei os pedacinhos do bolso do casaco e mostrei pra ela. “Eu estava chumbado”, eu falei.

“Me dá os pedacinhos”, ela disse. “Eu vou guardar.” Ela pegou tudo da minha mão e pôs numa gaveta do criado-mudo. Ela me mata.

“O D.B. vem passar o Natal em casa?”, eu perguntei.

“Pode ser que sim e pode ser que não, a mamãe disse. Depende. Ele pode ter que ficar em Hollywood pra escrever um filme sobre Annapolis.”

“Annapolis, meu Deus do céu!”

“É uma história de amor e coisa e tal. Adivinha quem vai estar no filme! Qual estrela de cinema. Adivinha!”

“Eu nem quero saber. Annapolis, meu Deus do céu. O que é que o D.B. sabe de Annapolis, meu Deus do céu? O que é que isso tem a ver com o tipo de conto que ele escreve?”, eu disse. Rapaz, esse tipo de coisa me deixa louco. Maldita Hollywood. “O que foi que aconteceu com o teu braço?”, eu perguntei. Percebi que ela estava com um pedação de esparadrapo no cotovelo. O motivo de eu ter percebido é que o pijama dela não tinha manga.

“Um menino, o Curtis Weintraub, que é da minha turma, me empurrou quando eu estava descendo a escada no parque”, ela disse. “Quer ver?” Ela começou a tirar o esparadrapo do braço.

“Deixa isso aí. Por que foi que ele te empurrou na escada?”

“Não sei. Acho que ele me odeia”, a nossa amiga Phoebe disse. “Eu e uma outra menina, a Selma Atterbury, colocamos tinta e coisa e tal no casaco dele.”

“Isso não é legal. Você parece — criança, meu Deus do céu!”

“Mas toda vez que eu estou no parque, ele fica me seguindo por toda parte. Ele vive me seguindo. Ele me dá nos nervos.”

“Ele provavelmente gosta de você. Isso não é motivo pra colocar tinta no —”

“Não quero que ele goste de mim”, ela disse. Aí começou a me olhar de um jeito esquisito.

“Holden”, ela disse, “como é que você não veio na quarta?”.

“O quê?”

Rapaz, você tem que ficar de olho nela o tempo todo. Se você não acha que ela é esperta, você pirou.

“Como é que você não veio na quarta?”, ela me perguntou. “Você não foi expulso nem nada, né?”

“Eu te disse. Eles liberaram a gente mais cedo. Eles deixaram todo —”

“Você foi expulso sim! Foi sim!”, a nossa amiga Phoebe disse. Aí ela me socou a perna. Ela fica bem soquenta quando está a fim. “Você foi expulso! Ah, Holden!” Ela estava com a mão na boca e tal. Ela fica muito emotiva, juro por Deus.

“Quem foi que disse que eu fui expulso? Ninguém disse que eu —”

“Foi sim. Foi sim”, ela disse. Aí ela me bateu de novo com a mão fechada. Se você não acha que isso dói, você enlouqueceu. “O papai vai te matar!”, ela disse. Aí ela se jogou de barriga na cama e pôs a desgraça do travesseiro por cima da cabeça. Ela faz isso com certa frequência. Às vezes ela é uma
demente completa.

“Para com isso agora”, eu disse. “Ninguém vai me matar. Ninguém vai nem — Vai, Phoebe, tira essa desgraça da cabeça. Ninguém vai me matar.”

Só que ela não queria tirar. Você não consegue obrigar a Phoebe a fazer alguma coisa que ela não quer. Ela só ficava dizendo, “O papai vai te matar”. Mal dava pra você entender o que ela dizia com a desgraça daquele travesseiro na cabeça.

“Ninguém vai me matar. Use a cabeça. Pra começo de conversa, eu vou embora. O que periga eu fazer é que eu posso arrumar um emprego numa fazenda ou sei lá o quê por um tempo. Eu conheço um cara e o pai dele tem uma fazenda no Colorado. Eu posso arrumar um emprego lá”, eu disse. “Eu vou ficar em contato com você e tudo quando eu for, se eu for. Vai. Tira isso da cabeça. Anda, vai, Phoebe. Por favor. Por favor, tira?”

Ela não queria tirar, apesar de eu tentar arrancar, mas ela é forte pra diabo. Você cansa de lutar com ela. Rapaz, se ela quer deixar um travesseiro por cima da cabeça, ela deixa mesmo. “Phoebe, por favor. Sai daí de baixo”, eu ficava dizendo. “Anda, vai… Ô Weatherfield. Sai daí.”

Só que ela não queria sair. Às vezes não dá nem pra discutir com ela. Finalmente eu levantei e fui pra sala de estar e peguei uns cigarros da caixa que fica na mesa e meti no bolso. Eu estava sem.

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