Iluminismo: Política e Filosofia

Estado da Arte

17 Janeiro 2017 | 08h00

Por Eduardo Wolf

Quando falamos em ‘Iluminismo’, geralmente pensamos na França e nos philosophes do século XVIII que todos estudamos nos bancos escolares: um bocado de Voltaire, um outro tanto do suíço Jean-Jacques Rousseau, aquelas pitadas de Diderot e D’Alembert, sem falar naqueles que não chegaram jamais a compor o “quadrado mágico” da filosofia setecentista de língua francesa. De imediato, associamos o termo “Iluminismo” (que, por sua vez, nos é transmitido, geração após geração, como sinônimo de “modernidade”) a conceitos como racionalismo, anti-clericalismo e, digamos tudo, jacobinismo. Cada um desses autores é como um universo intelectual rico e complexo, não merecendo ser reduzido a simples rótulos. Ainda assim, as relações conceituais que estabelecemos não são gratuitas nem grosseiras: é fato que o Iluminismo tal com o conhecemos na França traz esses conceitos como marca distintiva.

Será, no entanto, que a expansão do Iluminismo em sua versão francesa para todas as variadas formas que a reflexão dos 1700 assumiu em lugares como a incipiente nação Americana e o Império naval mais potente do mundo que era a Grã-Bretanha é um passo filosoficamente justificado? Estariam os “founding fathers” americanos como John Adams e Thomas Jefferson  tão visceralmente tomados por um racionalismo radical que ordenasse o mundo a partir de princípios da razão? Seriam os brilhantes pensadores britânicos como Samuel Johnson, Adam Smith e Edmund Burke intransigentes panfletários anti-clericais?

Neste vídeo para ao canal da Casa do Saber no YouTube, reflito um pouco sobre essas diferentes matrizes de nossa modernidade. Dos diversos iluminismos, qual realmente sobreviveu? Ou, melhor, qual frutificou mais e melhor?