Falando de Música – Bartok e Wagner na Osesp

Falando de Música – Bartok e Wagner na Osesp

Estado da Arte

09 Agosto 2018 | 17h35

A Osesp apresenta esta semana um programa com o raríssimo “Concerto para Dois pianos e Percussão” de Béla Bartok e a inédita compilação do compositor holandês Henk De Viegler para “O Anel dos Nibelungos” de Richard Wagner.

Um programa sofisticado e apenas ligeiramente mais popular que aquele apresentado pela orquestra na última semana – com o “Concerto para mão esquerda” de Ravel, “Jeux” de Debussy e a “Sinfonias para instrumentos de sopros” de Igor Stravinsky (além da estréia sul-americana de “Dueto para piano e orquestra” de George Benjamin).

O começo do semestre da música clássica na capital é promissor.

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Uma das obras primas do compositor húngaro, “Concerto para Dois pianos e Percussão” foi concebido originalmente como uma peça para piano solo e percussão. Em algum momento de sua criação, Bartok considerou que um segundo teclado forneceria um volume sonoro suficiente para os devido equilíbrio instrumental. Em grande parte por causa do sucesso do trabalho em sua estréia em 16 de janeiro de 1938, o compositor decidiu organizá-lo em 1940 num novo arranjo para orquestra, alterando partes relativamente pequenas do original para piano e da percussão. Embora por algum tempo a versão de câmara possa ter sido a preferida, especialmente entre os críticos, a versão orquestral eventualmente se tornou a escolha mais popular nas salas de concerto e no estúdio de gravação.

O “Anel”, por sua vez, é obra vultuosa e, talvez por isso mesmo, proibitiva em salas de concerto: suas cerca de dezesseis horas não podem ser facilmente sintetizadas na duração de uma programação média de salas de concerto. É em torno desse problema que vários autores organizam suas “compilações” – a mais famosa, “O Anel sem palavras” de Lorin Maazel, trabalho de 1987 realizado pela nossa Osesp em 2004. A versão de De Viegler é de 1991 e inédita no Brasil. Fruto de uma encomenda da Filarmônica da Rádio Holandesa, sua duração – cerca de 70 minutos – é equiparável àquela de Maazel.

A regência é de Markus Stenz e os solistas são Pierre-Laurent Aimard e Tamara Stefanovich (piano), Ricardo Bologna e Rúben Zúñiga (percussÃo).