Falando de Música: a temporada 2019

Falando de Música: a temporada 2019

Leandro Oliveira apresenta os destaques da programação de música erudita para 2019

Estado da Arte

06 Dezembro 2018 | 13h19

John Eliot Gardiner e o English Baroque Soloists: atração do Tucca

 

por Leandro Oliveira

 

Dedico a coluna para comentários sobre a temporada 2019 de música clássica em São Paulo. Com eventos para todos os gostos há, no meio de algumas dezenas de espetáculos já anunciados, evidentemente aqueles interessantes, e os necessários – além de outros, eventualmente históricos.

Para início de conversa, em 2019 será possível ouvir alguns dos mais interessantes compositores de nosso tempo em ao menos duas oportunidades, a não perder: Jörg Widmann virá para o Cultura Artística nos dias 5 e 6 de junho, como regente e solista da Orquestra de Câmara da Irlanda. Trata-se de um dos mais ativos e pertinentes compositores de nosso tempo, autor de algumas obras primas como a fantástica “Trauermarsch” para piano e orquestra. No programa, além de apresentar-se com o instrumento que o fez famoso em todo mundo – o clarinete – ele traz, ao lado de peças de Mendelssohn e Schumann, duas de suas pequenas obras.

 

(De Widmann, o público da Osesp poderá ouvir ainda, com a regência de Emmanuele Baldini, nos dias 21, 22 e 23 de novembro, uma “Paráfrase da Marcha Nupcial de Mendelssohn”.)

Nos dias 01, 02 e 03 de agosto, será possível acompanhar a estreia mundial do “Concerto para Violoncelo” do compositor pernambucano Marlos Nobre. A obra é fruto da encomenda em um consórcio de orquestras brasileiras – e a Osesp soma-se à FIlarmônica de Minas Gerais, a FIlarmônica de Góias e a Petrobrás Sinfônica. A obra será ainda apresentada pela Orquestra Gulbenkian, de Lisboa.

O projeto celebra os 80 anos de Nobre, um dos decanos e certamente entre os mais respeitados brasileiros em atividade no universo clássico internacional. À frente da Osesp, regida por Giancarlo Guerrero, estará Antonio Meneses.

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O amante de uma produção mais ortodoxa deverá estar atento a quatro oportunidades, igualmente imperdíveis: a ‘Paixão Segundo São Mateus’ apresentada pelas Osesp nos dias 11, 13 e 15 de abril – com um extraordinário elenco internacional de solistas, sob a regência de Nathalie Stutzman; o programa Pärt, Hartmann e Mozart com o solista e regente Thomas Zehetmair, também pela Osesp; a apresentação da Orquestra Sinfônica de Montreal com Kent Nagan e Veronika Eberle pelo Cultura Artística; e, por fim, a anunciada apresentação do English Baroque Soloists com John Eliot Gardiner pela Tucca.

A Cultura Artística tem uma temporada cheia de boas formações, e além dos dois eventos mencionados, vale a pena programar-se para a apresentação de Joyce DiDonato e o conjunto Il Pomo d’Oro nos dias 22 e 23 de outubro, os recitais de Antonio Meneses (acompanhado por Cristian Budu) e Nelson Freire – em março e novembro, respectivamente – além daquela que pessoalmente mais me desperta a curiosidade profissional, o concerto da Beijing Symphony Orchestra dos dias 07 e 08 de maio (obras de Dvorak e Tchaikovsky).

Pela Osesp, programe-se para não perder a “Quarta Sinfonia” de Mahler (dias 28, 29 e 30 de março), o Quinteto de Schubert com Pieter Wispelwey e o Quarteto Osesp (07 de abril), o interessantíssimo programa dos dias 13, 14 e 15 de Junho que traz, além de Arnaldo Cohen, uma nova transcriação pelo compositor Flo Menezes de onze canções de Johannes Brahms. Ah, e fique atento ao pianista cubano Jorge Luis Prats, que pude ouvir há mais de vinte anos e foi à época uma revelação: ele se apresenta nos dias 05, 06 e 07 de setembro com o “Terceiro Concerto” de Rachmaninov e no dia 09 em recital com a desafiadora “Suíte Iberia” de Isaac Albeniz.

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Se o gosto for por programas não orquestrais, a sugestão fica com dois eventos: Quator Ebène num programa com dois quartetos de Beethoven, na Sala São Paulo dias 17 e 18 de setembro; e o Coro da Osesp que no dia 09 de junho trará ao público obras de Thomas Tallis, Claudio Monteverdi e “Lux Aeterna” de Gyôrgy Ligeti (que foi trilha de “2001” de Stanley Kubrick).

Se a preferência, por outro lado, for por obras monumentais, há em 2019 ao menos dois verdadeiros shows de rock: a “Oitava Sinfonia” de Mahler, dias 04, 05 e 06 de julho, e a raríssima “Des Canyons aux Étoiles” de Olivier Messiaen, nos dias 07, 08 e 09 de Novembro.

 

Leandro Oliveira é compositor e regente de orquestra, e anfitrião do projeto “Falando de Música” da Osesp