Divisão e Definição no Sofista de Platão

Divisão e Definição no Sofista de Platão

Centro de Estudos Helênicos Areté promove evento sobre a filosofia de Platão.

Estado da Arte

26 de junho de 2019 | 17h00

No sábado 29/6, das 10:00 às 13:00, o Centro de Estudos Helênicos Areté recebe Ana Beatriz de Carvalho e Silva  e Victor Hugo Fonseca Coelho para o seminário “Divisão e Definição no Sofista de Platão”:

Nos diálogos de Platão, a questão sobre a essência de um item (“o que é X?”) assume a forma da busca por uma definição. No diálogo Sofista, Platão introduz o método da divisão como via privilegiada para obtenção das definições do sofista, do político e do filósofo. Em que consiste o método da divisão? Quais os seus requisitos e limites? Qual a sua relação com a busca por definições nos diálogos socráticos? Quais os seus pressupostos ontológicos? Neste seminário, Ana Beatriz de Carvalho e Silva (USP) e Victor Hugo Fonseca Coelho (USP) analisam as diversas faces do problema.

Convidamos todos os interessados em Filosofia Antiga e Estudos Clássicos!

O Centro de Estudos Helênicos Areté fica na r. dos Macunis, 495 (próx metrô Faria Lima).

Entrada gratuita

Inscrições para emissão de certificado:
https://sistemas.unifesp.br/acad/proec-siex/index.php…

Resumo das comunicações:
1) Ana Beatriz de Carvalho e Silva (USP): A busca pela definição no Sofista de Platão
Nos diálogos de Platão, a busca por definições, pautada pela pergunta τί ἐστιν (“o que é X?”), é traço central. Nos diálogos socráticos em particular, uma definição deve preencher três requisitos básicos a fim de fornecer a essência do item que se pretende definir: em primeiro lugar, deve haver co-extensividade entre definiens e definiendum; em segundo, ambos devem possuir o mesmo significado (co-intensionalidade); finalmente, a fórmula definicional deve possuir força explicativa, expressando precisamente por que o item é o que é. Na abertura do Sofista (218b-c), o estrangeiro de Eleia exprime a necessidade de iniciar pela busca da definição do sofista a investigação sobre as respectivas naturezas do sofista, do político e do filósofo: “deves considerar em conjunto comigo, começando, como me parece, pelo sofista, examinando e esclarecendo por uma fórmula (λόγῳ) o que ele é (τί ποτ’ ἔστι)”. Com base no modelo da definição de pescador a linha via método da divisão, diferentes supostas definições do sofista são exploradas ao longo do diálogo. As seis primeiras conduzem a aporias insolúveis, na medida em que o sofista, como o diálogo nos mostra, não é um objeto unívoco e facilmente identificável, mas, ao contrário, possui estatuto ontológico dúbio, produtor de aparências e falsidades. Nesta apresentação, indagamos em que medida os requisitos definicionais dos diálogos socráticos, onde os objetos de definição são virtudes morais, continuam operantes na busca pela definição do sofista no diálogo homônimo.

2)Victor Hugo Fonseca Coelho (USP): As articulações do açougueiro: dialética e ontologia no Sofista de Platão
O método da divisão (διαίρεσις) ganha proeminência no pensamento de Platão ao articular o texto de alguns diálogos tardios, em particular o Sofista e o Político. Nessas obras, cabe ao praticante da dialética dissecar segundo a natureza das coisas (κατὰ φύσιν) um gênero superior cuja natureza é possível conhecer (por exemplo, a arte da produção), avançando em direção à determinação do item visado (no diálogo em questão, o sofista). Tão subestimado em algumas interpretações, esse procedimento parece ser a via de acesso privilegiada para compreensão não somente do que seja o sofista, mas também do papel dos gêneros supremos na ontologia dos diálogos tardios. Temos como objetivo analisar o funcionamento do método da divisão, atentos a peculiaridades a ele associadas. Pretendemos, em particular, compreender certas mudanças decisivas, constitutivas da ontologia tardia de Platão.

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