Sérgio Dias celebra mutação dos Mutantes

Estadão

09 de outubro de 2010 | 18h40

Por Nicola Pamplona

Prestes a fazer sua primeira apresentação no Brasil após o lançamento internacional do disco Haih, os Mutantes celebram uma nova “mutação” na longínqua carreira da banda, que iniciou os trabalhos na década de 60 e voltou à ativa em 2006, ainda como um revival da formação original, mas sem Rita Lee.

Em entrevista ao Estado uma hora antes de subir no palco do SWU, o líder da banda, Sérgio Dias, celebra os novos companheiros de jornada, dizendo que, desta vez, os Mutantes voltaram a ser um grupo coeso, com colaborações mútuas em composições e arranjos. “Não existe mais diferenciação (entre os Mutantes e a banda de apoio), como existiu na volta em 2006. Agora, funciona tudo junto, todo mundo colabora”, disse Sérgio.

Naquele momento, os Mutantes voltaram aos palcos com Sérgio, o irmão Arnaldo Baptista, e a compositora Zélia Duncan, que, se não tem o timbre vocal de Rita, era a responsável por suprir a ausência desta no palco. Eram os Mutantes com colaboradores.

Na nova formação, Sérgio se juntou a novos e velhos amigos, para criar “um novo DNA”. A cantora Bia Mendes, por exemplo, é conhecida de 20 anos, tendo participado de turnês com Rita Lee. “Nunca tínhamos cantado juntos profissionalmente. Quando os Mutantes voltaram, procurei trabalhar junto, ficar por perto. Depois ele me convidou para cantar com ele”, conta ela, que sobe ao palco do SWU com o pequeno Mário Eugênio na barriga. “É um novo Mutante que vem aí”, brinca, dando o tom de família que permeia também o discurso de Sérgio.

Já o tecladista e multinsrumentista Vítor Trida, formado em ciências da computação, chamou a atenção de Sérgio ao frequentar canções no estúdio do líder da banda. “Eee compunha umas canções de 17 minutos e eu pensava: putz, esse cara é louco, meu.”  É a primeira banda profissional de Vítor. “Ele já começou tocando no Carnegie Hall, em grandes festivais”, brinca Sérgio. “Estamos no século XXI, já não tenho mais 15 anos. Essas pessoas acrescentam coisas novas ao nosso som, é um novo DNA.” Esse DNA vem de outras referências musicais: enquanto Sérgio disse não conhecer nenhuma das bandas que dividem o palco com os Mutantes hoje, Vítor fez comentários elogiosos a Mars Volta e Rage Against the Machine.

Depois do SWU, os Mutantes continum em turnê internacional até janeiro, mês reservado para datas no Brasil. O disco Haih sai no País em novembro e a ideia é apresentá-lo ao público nacional. Hoje, porém, apenas duas novas músicas constarão do repertório – formado majoritariamente por sucessos antigos, sob a justificativa de que o show é curto para apresentar todo o material novo. “Não são hits, os Mutantes nunca tiveram hits, nunca venderam muitos discos. A gente toca o que a gente gosta de tocar”, decreta Sérgio.

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