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'Últimas Conversas' é o filme final de Eduardo Coutinho

Redação Divirta-se

08 Maio 2015 | 07h00

Eduardo Coutinho não chegou a concluir Últimas Conversas. O cineasta começava a trabalhar nos primeiros cortes quando foi morto pelo próprio filho, no ano passado. Coube a Jordana Berg, que editou o longa, e a João Moreira Salles, produtor das obras do paulistano, finalizar seu ‘filme-despedida’.

Apesar das ‘mãos extras’,o longa mantém as marcas registradas de Coutinho: depoimentos pessoais reunidos por um ‘dispositivo’ – algum assunto ou local comum às histórias.

Em ‘Edifício Master’ (2002), por exemplo, moradores de um prédio em Copacabana eram entrevistados. Já ‘As Canções’ (2011) exibia histórias relacionadas a determinadas músicas. ‘Últimas Conversas’, por sua vez, gira em torno dos depoimentos de adolescentes cariocas.

Mas a primeira cena é de Coutinho, supostamente descrente do próprio filme. Voltado para a câmera, reclama que filmar crianças seria muito mais fácil, enquanto brinca que adolescentes mal têm memória.

O que se vê a seguir é a desconstrução de sua própria crítica pelas narrativas de meninos e meninas que, em sua maioria negros, vindos de escolas públicas e bairros distantes da abastada zona sul, têm muito a contar. Rafael Abreu