Tralhas inoportunas
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Tralhas inoportunas

Redação Divirta-se

16 de abril de 2021 | 05h08

RÊ PROVA

Toda semana, Renata Mesquita vai reprovar absurdos vistos por aí nessa nova rotina imposta pela pandemia    

A rabugenta das pequenas causas está de volta. Vou dar um tempo, nesta semana, das críticas externas, afinal, estou reclusa em casa 99% do meu tempo e eu mesma já cansei de reclamar sobre a exaustão mental das redes e, claro, dos negacionistas das máscaras que observo da varanda do apartamento. O recente causador das minhas rugas (e cabelos brancos e unhas roídas) está concentrado dentro de casa – mas tenho certeza que, de alguma forma, você irá se relacionar.

Aqui, ao longo do último ano, todos os moradores arrumaram um novo hobby para praticar na quarentena – um não, vários. Já tivemos a fase dos exercícios, quando criamos uma espécie de academia na sala, com direito a pesos, faixas, tapetes de ioga e até uma bola de pilates que chegou pelo correio. A fase mais animada foi passando, e agora, onde está tudo isso? Embaixo do sofá, em cima da máquina de lavar ou jogado e empoeirado no armário de toalhas. A tal bola virou apoio de pé no home office.

Eu mesma tive minha fase pãodemia”. Comprei trocentos quilos de diferentes tipos de farinha e apetrechos ultra(não)necessários para aperfeiçoar os meus filões. Nos últimos 10 meses fiz três, no máximo. Agora, meu armário da cozinha acumula sacos de ingredientes que me encaram com desprezo (e bichos).

Tivemos os dias de marcenaria (pense no pó) e as tardes de cianotipia. O resultado? Não temos nenhuma imagem de planta em tons de azul que valha ir para a parede (a tal cianotipia), mas, sim, uns retalhos de madeira acumuladas pela casa. E sei que vamos continuar nos afogando em desilusões manuais.

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