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Testa ao alto, abaixem os termômetros

Redação Divirta-se

29 de abril de 2021 | 19h25

RÊ PROVA

Toda semana, Renata Mesquita vai reprovar absurdos vistos por aí nessa nova rotina imposta pela pandemia    

O ritual ocorre ao menos três vezes por semana. Colocamos as máscaras, esterilizamos a barra do carrinho e, antes de finalmente começarmos as compras, nos deparamos com uma pessoa, em um claro tédio, com um termômetro digital nas mãos. Esta nos pede para esticar os braços, mede nossa temperatura, nos mostra o resultado e, invariavelmente, nos permite seguir em frente.
Aparentemente essa prática parece ótima, algum tipo de protocolo de saúde, que impede clientes possivelmente infectados com coronavírus de entrar no local.

Mas, aquilo que deveria ser um tipo de controle sanitário virou, sejamos sinceros, uma bagunça que, fora nos dar um certo alívio psicológico, convenhamos, não tem muita utilidade. Das centenas de vezes em que passei pelas arminhas digitais, seja em supermercados, farmácias ou lojas de qualquer tipo, o resultado que me mostraram foi quase sempre algo bizarro: 32,5°, 34°, 35°.

As temperaturas são tão baixas que me questiono se morri e fui para o purgatório ou se sou algum tipo de animal de sangue frio — duas possibilidades que, em tempos como esses, não são tão loucas assim. Uma alternativa mais racional seria questionar a precisão desses termômetros e a eficácia deles enquanto protocolo de saúde, mas isso não parece vir ao caso no momento. Apenas seguimos fingindo que estamos “protegidos” logo após a arma futurista nos atestar.

Mas desde a época em que foram implementados, houve uma mudança fundamental no tal ritual. No início, o utensílio era apontado para nossa cabeça e não para o braço. Certo dia, não contive a curiosidade e decidi perguntar para o funcionário que realizava tal honorável função de saúde preventiva a razão da mudança. A resposta: “Porque quando a gente colocava na cabeça, muitas vezes a gente tinha que mandar o cliente embora!”.

Não restam muitos argumentos, não é mesmo? Provavelmente as temperaturas eram altas pois estamos todos de cabeça quente. PS: a história não é minha, mas é 100% verídica. Obrigada aos colaboradores.

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