Teatro: Irene Ravache fala sobre sua nova peça, que estreia em São Paulo
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Teatro: Irene Ravache fala sobre sua nova peça, que estreia em São Paulo

Júlia Corrêa

11 de setembro de 2019 | 08h00

Irene Ravache comemora 75 anos de idade estrelando o solo Alma Despejada, escrito por Andréa Bassitt e dirigido por Elias Andreato. Em cena, a atriz vive Teresa, uma senhora que, depois de morta, faz sua última visita à casa onde viveu com a família. O Divirta-se conversou com a atriz, que contou mais detalhes sobre a nova peça.

Foto: João Caldas

Como foi seu primeiro contato com o texto?

Eu conheço Andréa já faz um bom tempo; cheguei a produzir um trabalho dela. Sempre falava da vontade de ter um texto para mim, mas que também falasse sobre o Brasil, sem que fosse político ou defendesse algum lado. Um dia, ela chegou com um texto – e era exatamente sobre aquilo que eu queria falar. É muito bom estar no palco para comemorar meus 75 anos e também tantos anos de estrada.

De que forma surgem essas reflexões sobre o País?

À medida que a protagonista relata o que houve com ela e com a família. É uma família de classe média que, de repente, se vê envolvida com tudo o que acontece no País. Ela revela logo no início que está morta e fala das memórias na casa em que viveu, mostrando o quanto isso é importante para ela.

O fato de ela já estar morta permite um distanciamento para essas reflexões?

Sim. Ao rememorar a vida dela, isso ocorre de modo bastante lúcido, muito questionador: ‘o que aconteceu?’, ‘por que aconteceu?’… Quando a gente está vivendo, muitas coisas nos escapam. O que você hoje tinha como verdade, amanhã, pode não ser.

Tem uma identificação sua com a personagem?

Tem uma identificação muito grande. Por sermos próximas, Andréa, não vou dizer que tenha me retratado, mas chegou muito perto das coisas que eu gostaria de dizer no palco. O fato de a gente falar sobre a morte poderia ser algo pesado, mas não me assusta. Principalmente pela forma muito bem-humorada como é apresentada. Fizemos algumas leituras; tivemos reações muito interessantes. Aliás, a reação das pessoas mais jovens vai ser muito importante para mim. Não é um texto falando sobre a morte. Pelo contrário, fala muito sobre a vida de um modo extremamente afetuoso.

Essa leveza foi uma forma que encontraram para refletir sobre este momento de polarização, em que todos parecem ter tantas certezas?

Uma forma não necessariamente ligada ao confronto? Exatamente. Porque não é, em nenhum momento, um texto combativo, que defenda uma ideia. Aliás, ele faz uma coisa que é muito boa do teatro: ele expõe. O espectador vai para casa e pensa sobre aquilo. Uma vez me perguntaram qual era a função do teatro. Eu acho que a principal função é mostrar. Como você depois vai reagir àquilo, o que vai acontecer, isso vai de cada um… Isso é uma coisa, inclusive, que está nos faltando. Respeitar o que as pessoas pensam, como elas são, por que tiveram determinadas atitudes.

Como foi o trabalho com Elias Andreato?

Eu me sinto muito à vontade trabalhando com Elias. O afeto é a marca registrada dele. Isso, para mim, é muito importante. Eu não tenho tempo pra ficar gastando com brigas ou deboches ou gritos. Isso não me acrescenta como atriz e como pessoa. Além disso, ele é um ator primoroso. Andréa também é atriz; isso facilitou fortemente a comunicação nos ensaios. Vamos direto ao ponto, sem arestas, sem discussões inúteis – não é que não se discuta sobre o texto, sobre a vida, sobre tudo o que está acontecendo. A nossa produção é uma produção de amigos. É um encontro de muito afeto.

ONDE: Teatro Porto Seguro (496 lug.). Al. Barão de Piracicaba, 740, Campos Elísios, 3226-7300. QUANDO: Estreia 4ª (18). 4ª e 5ª, 21h. Até 28/11. QUANTO: R$ 60/R$ 70. 80 min. 14 anos.

CONFIRA OUTRAS PEÇAS QUE CHEGAM AOS PALCOS DA CIDADE

Foto: Elisa Mendes

Sísifo
No solo dirigido por Vinícius Calderoni, Gregório Duvivier (foto acima) apresenta 60 cenas curtas que ligam o mito grego com temas atuais do País – de questões políticas ao uso de ‘memes’. 60 min. 16 anos. Sesc Santana. Teatro (330 lug.). Av. Luiz Dumont Villares, 579, 2971-8700. Estreia 6ª (13). 6ª e sáb., 21h; dom., 18h. R$ 12/R$ 40. Até 20/10.

Bolhas
Com texto e direção de Haroldo França, a peça aborda a distância existente entre uma mãe fundamentalista religiosa e um filho pertencente à comunidade LGBT. Com Adriane Henderson e Pablo Azevedo. 80 min. 12 anos. SP Escola de Teatro (50 lug.). Pça. Franklin Roosevelt, 210, Consolação, 3775-8600. Estreia 6ª (13). 6ª, sáb. e 2ª, 21h; dom., 19h. R$ 30. Até 14/10.

A Cobradora
A Zózima Trupe leva ao palco histórias coletadas com cobradoras de ônibus do Terminal Parque Dom Pedro. Com dramaturgia de Cláudia Barral, a peça gira em torno de Dolores, personagem que sintetiza esses relatos e evidencia a força dessas trabalhadoras. Dir. Anderson Maurício. 90 min. 16 anos. Sesc Vila Mariana. Auditório (128 lug.). R. Pelotas, 141, 5080-3000. Estreia 6ª (13). 6ª, 20h; sáb., 18h. R$ 6/R$ 20. Até 19/10.

Insônia – Titus Macbeth
Com dramaturgia de Sérgio Roveri e de André Guerreiro Lopes (que também a dirige), a peça une as obras ‘Macbeth’ e ‘Titus Andronicus’, de Shakespeare, para abordar temas como os jogos de poder da contemporaneidade. Mãe e filha, as atrizes Helena Ignez e Djin Sganzerla dão vida aos personagens-título. 100 min. 14 anos. Sesc Avenida Paulista. Arte II (60 lug.). Av. Paulista, 119, metrô Brigadeiro, 3170-0800. Estreia 6ª (13). 5ª, 6ª e sáb., 21h; dom. e fer., 18h. R$ 6/R$ 20. Até 20/10.

Lela & Cia
Alvise Camozzi dirige texto da britânica Cordelia Lynn, sobre uma mulher que tenta contar uma história, mas é sempre interrompida por vozes masculinas. Com Malu Bierrenbach e Conrado Caputo. 90 min. 14 anos. SP Escola de Teatro (60 lug.). Pça. Franklin Roosevelt, 210, Consolação, 3775-8600. Estreia sáb. (14). 6ª, sáb. e 2ª, 21h; dom., 18h. R$ 40. Até 14/10.

Tendências: