Em ‘Uma Noite em Sampa’, protagonistas perdidos na capital
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Em ‘Uma Noite em Sampa’, protagonistas perdidos na capital

Rafael Sousa Muniz de Abreu

26 de maio de 2016 | 15h49

Foto: Mujica/Div.

Foto: Mujica/Div.

A prática é bem conhecida. Um grupo de pessoas do interior do Estado freta um ônibus e vem à capital. Assiste a uma peça de teatro e é levado de volta. Esses são os personagens do filme de Ugo Giorgetti, Uma Noite em Sampa.

Tudo funciona em locação única, em frente ao Teatro Ruth Escobar. O grupo já assistiu ao espetáculo. Espera que o ônibus os leve para jantar e depois pegue a estrada de volta. Mas o motorista desaparece e as pessoas ficam na rua. A noite avança e, com ela, o frio e o medo.

O filme trabalha de maneira hábil a paranoia urbana, o medo que paralisa. É, sobretudo, um estudo sobre a espera e fiel radiografia da mentalidade da classe média. Em sua simplicidade, o filme consegue tomar o pulso de um país, de uma classe social e das expectativas que mantém em relação ao Brasil e a si mesma. Muito atual. Luiz Zanin Oricchio