Por aqui, só sobrevivendo mesmo
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Por aqui, só sobrevivendo mesmo

Redação Divirta-se

09 de julho de 2021 | 05h00

RÊ PROVA

Toda semana, Renata Mesquita vai reprovar absurdos vistos por aí nessa nova rotina imposta pela pandemia

Você está no México? Eu matei minhas plantas. Foi pedida em casamento? Eu manchei a décima calça com cândida. Deu à luz um bebê? Desisti de passar o aspirador embaixo do tapete. A quarentena tem sido bem diferente para mim do que para os meus amigos virtuais.

Longe de mim parecer rancorosa, invejosa, mal-amada… mas vocês não concordam que a vida de todos nessa quarentena – além da sua – nas redes parece simplesmente encantadora? Eu sei, volto a falar da vida virtual, mas é por ela que tenho “vivido” de fato. Não saio muito por aí, não vejo praticamente ninguém além da bolha de casa e familiares vacinados (ainda aguardo ansiosamente a minha vez na fila. Sim, sou millennial e, sim, o ápice do cringe), então, além do fato de ter preguiça fenomenal de um telefonema de duas horas, até mesmo com os mais queridos, acompanho a vida alheia pelas redes.

Na última semana, assisti a quatro pedidos de casamento – quatro! –, em sete dias. Entendo que tem a questão da minha faixa etária e tal, qu está bem nessa fase… Mas eu só estou aqui tentando decidir a qual supermercado eu vou, no mais perto e bonito ou no mais longe e barato. Sem contar o baby boom (estou louca para saber como serão chamados os bebês concebidos/nascidos entre 2020 e 2021, além das suas particularidades…). Eu não dou conta das minhas próprias obrigações, questões mentais, imagina as de uma criança…

Até entendo que as lentes do amor são necessárias para continuar sobrevivendo, mas vamos dividir um pouco as realidades, a louça suja na pia há três dias, os vasos de plantas morrendo, até mesmo a espera de quatro horas na fila da vacina já me traz mais serenidade. Estamos juntos, pessoal (menos você que está no México sendo pedida em casamento no pôr do sol).
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