Andar de bicicleta em SP? Confira dicas e roteiros de ciclistas amadores
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Andar de bicicleta em SP? Confira dicas e roteiros de ciclistas amadores

Redação Divirta-se

14 de março de 2019 | 14h37

Separe sua bicicleta: quatro ciclistas amadores da redação do Estado contam suas experiências e dão dicas para pedalar em São Paulo.

DEVAGARINHO ATÉ CHEGAR AO IBIRAPUERA

Foto: Hélvio Romero/Estadão

Daniel Fernandes, editor de Suplementos, ciclista amador desde 2017

A proposta de voltar a andar de bicicleta – era a minha diversão favorita quando criança, além, é claro, de jogar futebol na rua de casa imaginando estar no estádio do Morumbi – surgiu dentro de um contexto maior: parar de fumar, emagrecer e amenizar os efeitos da apneia (como é bom chegar aos 40 anos!).

Fui devagarinho ganhando condicionamento físico. E o passeio que começou apenas no entorno da Lapa, bairro onde moro, se transformou em um roteiro de aproximadamente 32 quilômetros (ida e volta). Saio de casa e vou até o Parque Ibirapuera todos os sábados.

Do Alto da Lapa (subida!), chego até a Vila Leopoldina (descida!) para acessar a ciclovia na altura do Parque Villa-Lobos. Sigo em frente, mas o parque é uma ótima parada inicial. Há bosques para você fazer um piquenique e também dá para descer da bike e caminhar tranquilamente.

Do parque até a Praça Panamericana é um pulo (reta!). E de lá, até Pinheiros, outro pulo. Acesso a Faria Lima e de lá sigo em frente (leves descidas!) até a Rua Hélio Pellegrino (subidona!), já na Vila Olímpia.

Pronto, basta entrar à esquerda na República do Líbano e avistar o Parque Ibirapuera. Ande com cuidado – há muita gente pedalando ao mesmo tempo no fim de semana. Por lá, a parada é obrigatória para uma água de coco no quiosque ao lado do Planetário. A ideia é recarregar as energias, subir na bicicleta novamente e voltar para casa.

Cuidados. Em linhas gerais, o passeio é tranquilo e sem sobressaltos. A condição da ciclovia é boa na maior parte do trajeto – exceto no Largo da Batata. Na região é preciso reparar as emendas entre as placas de asfalto que compõem a faixa exclusiva para as bicicletas: o vão que resulta da falta de manutenção pode causar um acidente! Na região, também fique mais ligado (quase fui assaltado no fim do ano passado, mas essa é outra história).

Ponto alto: o trecho entre o Parque Villa-Lobos e Pinheiros é calmo, tranquilo e fresco (muitas árvores lindas!), mesmo nos dias quentes. Aproveite para pedalar com calma e olhar o entorno.

Ponto baixo: no Largo da Batata, a condição da ciclovia piora um pouco.

Aproveite para…

Pirajá. O boteco com inspiração carioca fica às margens da ciclovia. Vale muito almoçar por lá e retomar o passeio em seguida. Av. Brig. Faria Lima, 64, 3812-2063.
Instituto Tomie Ohtake. O espaço tem sempre uma exposição legal em cartaz. Até 14/4, por exemplo, você confere ‘Ruy Ohtake: o Design da Forma’. Av. Brig. Faria Lima, 201, 2245-1900.
Museu da Casa Brasileira. Tem extensa programação de exposições, músicas, debates, palestras, cursos e oficinas. Av. Brig. Faria Lima, 2.705, 3032-3727.

DESAFIOS PELO CORAÇÃO DA CIDADE

Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Glauco de Pierri, subeditor de ‘Esportes’, anda de bike desde sempre

Assim como as pranchas de surfe, os skates e as bolas, as bicicletas são democráticas. Não importa se você está perto dos cem quilos como eu: suba e, se souber, pedale o quanto quiser, o quanto aguentar.

Meu gosto por bikes começou na adolescência e segue até agora, aos 40 anos. Pedalar tira a irritação e traz uma sensação boa de liberdade, de escolhas e, claro, de saúde, de melhora na qualidade de vida para um cara como eu, papai de trigêmeos de quase quatro anos e de uma golden retriever de quase oito, e ainda portador de insuficiência renal moderada.

De tempos em tempos, a bike vira meio de transporte e me traz até a redação do Estado em um tiro curto de 4 km em 15 minutos. Do centro, uma passarela, Marquês de São Vicente, Ponte do Limão, um trecho da Marginal do Tietê (pela calçada) e pronto.

Mas o mais divertido é a pedalada dos fins de semana – de quase 45 km pela cidade, em um percurso cheio de histórias e desafios e, se for feito de domingo, dentro das ciclofaixas. O caminho começa no Minhocão sem carro e segue sentido Consolação, para rumar até o Teatro Municipal, Viaduto do Chá, Libero Badaró, até chegar na Catedral da Praça da Sé.

Dali, o primeiro desafio que exige maior esforço físico é subir as avenidas Liberdade e Vergueiro até a Domingos de Morais, seguir até a Avenida Jabaquara, passar pela Igreja de São Judas Tadeu e pela Avenida Indianópolis. Após cruzar a Rubem Berta, é hora de começar a descida de quase 40 km/h até Moema.

Depois, República do Líbano e Ibirapuera, entrando pelo Portão 7. Às vezes, dou algumas voltas na ciclovia do parque. Daí, é só comprar a água e seguir pela Avenida Brasil, subir a insana Henrique Schaumann até a Paulo VI, descer a Sumaré, passar pelo Allianz Parque, pegar a Francisco Matarazzo e chegar ao Minhocão, já pertinho de casa.

Ponto alto: o caminho entre a Av. Indianópolis e o Parque Ibirapuera é tranquilo. Sinta o vento no rosto e tome cuidado para frear antes dos cruzamentos.

Ponto baixo: pedale rápido após sair do Minhocão, no centro. Há sensação de insegurança até para tirar selfies.

Aproveite para…

Feira da Liberdade. Ocorre nos fins de semana e é ótima para quem gosta de comida oriental, com tempurá e yakissoba. Quase sempre paro na barraca de sucos e encho a garrafa da bicicleta. Praça da Liberdade, s/nº.
Parques. Conheça o Parque das Bicicletas (Al. Iraé, 35, Moema), excelente local para as crianças e ainda para quem gosta de skate, patinete e patins. Circule sem pressa pelo Ibirapuera. Perto do Portão 6, a diversão é descansar e ver os cachorros disputando bolinhas. Visite (também com as crianças) o Parque da Água Branca (Av. Francisco Matarazzo, 455) e veja os cavalos da Polícia Militar sendo tratados no local, além de se deparar com galinhas, pavões e gansos.
Allianz Parque. Faça o Tour no estádio do Palmeiras, mesmo se não for palmeirense. Se também gostar do Alviverde, almoce em um dos bares temáticos da região, como O Sobrado (R. Caraíbas, 79), que tem até chope verde. R. Palestra Itália, 200, portão A.
Ponto Chic. Para matar a fome, sempre peço o tradicional bauru ou um ‘Mexidinho’ com a mistura saborosa dos queijos da casa. Se estiver muito calor, dois ou três chopes bem gelados ajudam a matar a sede. Largo Padre Péricles, 139, 3826-0500.

ANDANDO DE BICICLETA PELOS CONTORNOS DA ZONA NORTE

Foto: Hélvio Romero/Estadão

Bruna Toni, repórter do ‘Viagem’, ciclista amadora desde a bike com rodinhas e boa de prato

Pedalar longas distâncias é sempre impensável de início. Até que, no prazer de um domingo sem compromissos, me vejo indo além daquela árvore que tinha me dado como limite para um pit stop. Todas as vezes que pego minha bicicleta para fazer jus à existência das ciclovias que existem (de forma intermitente) entre os bairros Vila Guilherme, Parada Inglesa e Santana, na zona norte de São Paulo, uma espécie de empoderamento toma conta de mim. Eis a graça de andar de bicicleta pela cidade: estou, afinal, ocupando o espaço público do lugar onde nasci e cresci, de forma gratuita e prazerosa, podendo ver todos os seus contornos, problemas e virtudes de um ângulo diferente do que me dá o retrovisor do carro.

Entre a minha casa e o início da ciclovia, no canteiro central da Avenida Zachi Narchi, levo apenas um minuto. Dali, vou em direção à badalada Avenida Luiz Dumont Villares – ou Avenida Nova para os bairristas –, tendo pela frente uma leve subida (força, fé e foco). A Nova é plana na maior parte do tempo. Reserva, porém, uma interessante descoberta ciclística: há trechos sutilmente elevados que, passando de carro ou ônibus, nunca nos demos conta. De bike, meu amigo, a força das pernas não te deixarão enganar.

Para quem anda de bicicleta com frequência, as subidinhas na pista em direção ao bairro do Tucuruvi não são nada demais. E quando você achar que o esforço já está sendo o mesmo que se estivesse pedalando nas ladeiras de Olinda, pare em um dos bares, restaurantes ou padarias ao longo do caminho para descansar. Num dia ensolarado, cai bem um açaí do Açaí Nova Bar (Av. Luiz Dumont Villares, 1.062), uma água de coco dos ambulantes ou até uma cervejinha gelada – sem culpa, você já terá “pago” as calorias do dia.

Por falar nisso, há diversas opções gastronômicas para fechar o passeio com um belo almoço. Até a rotatória, que fecha o percurso da ciclovia antes da subida maior para o Tucuruvi, são 3 km. Na volta, já no sentido centro, é possível pedalar mais 2 km até a Avenida Cruzeiro do Sul, onde está o Parque da Juventude. Você pode fazer tanto o caminho exato de volta, já que nosso ponto de partida na Zachi Narchi fica em frente ao parque, ou seguir reto pela Avenida Ataliba Leonel, que é continuação da Avenida Nova.

Por fim, se não estiver perto de aposentar a bike e se entregar aos prazeres do sofá, experimente seguir por mais 1,7 km pela Ataliba Leonel até chegar na Praça Campos de Bagatelle (o Campo de Marte) – aos domingos, ocorre uma feira de carros ali – ou por mais 2,5 km para alcançar a Braz Leme, com muitos bares e restaurantes e a vantagem de ser mais arborizada. De ponta a ponta, você estará bem servido.

Ponto alto: opções de bares e restaurantes; poder ir ou voltar de metrô, já que o roteiro passa por cinco estações da Linha 1-Azul.

Ponto baixo: o descuido com a manutenção das pistas por parte da prefeitura. Falta sinalização adequada e melhoria no asfalto.

Aproveite para…

Sesc Santana. Há sempre boas exposições e espetáculos. Tem comedoria, piscina e 19 vagas no bicicletário. Av. Luiz Dumont Villares, 579, 2971-8700.
Parque da Juventude. Com 240 mil m2, tem quadras, atividades e shows. Também preserva ruínas da antiga penitenciária do Carandiru e abriga a Biblioteca de São Paulo, com acervo de mais de 42 mil itens e bom conteúdo digital. Av. Cruzeiro do Sul, 2.630.
Museu Aberto de Arte Urbana (MAAU). Quem passa de carro pela Avenida Cruzeiro do Sul, ao longo das estações Tietê, Carandiru e Santana, não consegue apreciar tão bem como de bike os grafites desse museu a céu aberto, com 66 painéis pintados nos 33 pilares que sustentam os trilhos do metrô.

UM NOVO OLHAR DA METRÓPOLE

Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Hélvio Romero, repórter fotográfico e ciclista urbano há mais de dez anos

A distância entre a redação do jornal e minha casa é de 5 km. A ida dura uns 15 minutos e a volta mais de meia hora. Explico: moro no “topo” de Perdizes. Da porta de casa para qualquer lado que eu olhe, só há descidas. Ou seja, a volta é mais “trabalhosa”. Porém, nada que me faça desistir de ir trabalhar de bicicleta.

Logo que saio de casa, passo em frente ao Tuca (R. Monte Alegre, 1.024), teatro cheio de histórias e palco de grandes espetáculos. Meia quadra abaixo fica a capela da PUC, erguida em 1967. Descendo a Rua João Ramalho, a partir da Ministro Godói, começa o trecho com ciclovia (em péssimo estado). Sigo meu trajeto pela Av. Sumaré, passando pelo Allianz Parque, e depois viro à direita, na Av. Antártica, sentido ao Shopping West Plaza e ao cinquentenário Bar do Alemão (leia abaixo), hoje sob o comando de Eduardo Gudin.

Do alto do viaduto Antártica tenho uma bela visão da cidade e de parte da Serra da Cantareira. Sem falar da vista parcial da Casa das Caldeiras e de suas emblemáticas chaminés. No fim da ponte, acaba também a ciclovia. A partir da Praça Luiz Carlos Mesquita, o trajeto é pela rua ou calçada.

Mas é sobre a Ponte do Limão que encontro o melhor cenário: o Rio Tietê. Quando passo por lá, quase sempre por volta das 6h30, vejo o dia amanhecer. E, claro, nunca ando sem uma câmera. Por várias vezes registrei e continuo registrando a linda paisagem. Meu maior prazer em andar de bicicleta é ter mais tempo para olhar ao redor, uma nova árvore plantada, a arquitetura dos prédios, as cores, o céu, o horizonte.

Ponto alto: a ciclovia da Av. Sumaré, ainda que precise de uma boa pintura, é tranquila e toda arborizada.

Ponto baixo: o trecho ente a R. Ministro Godói e a Av. Sumaré, além de íngreme, está cheio de buracos, remendos e desníveis.

Aproveite para…

A Lareira. A ampla padaria do bairro serve um caprichado bufê de café da manhã nos fins de semana. Av. Sumaré, 488, 3670-2700.
Bar do Alemão. Fundado em 1968, o bar recebia a geração de músicos egressos dos festivais da TV Tupi. Aos poucos, o choro passou a conviver com a jovem MPB e com os velhos boêmios da cidade. Por suas mesas passaram Paulo Vanzolini, Adoniran Barbosa, Hervé Cordovil e outros gênios do choro paulistano. Possui uma programação diária de música ao vivo. Av. Antártica, 554, 3862-5975.