Os anos 1990 estão de volta – em shows de artistas e novas versões de filmes que marcaram o período
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Os anos 1990 estão de volta – em shows de artistas e novas versões de filmes que marcaram o período

Renato Vieira

02 de maio de 2019 | 15h02

Não é de hoje que, em lojas de roupas, é possível se deparar com modelagens largas, jeans bordados e figuras de desenhos animados estampando camisetas. A moda dos anos 1990 voltou com força e inspirou até novela – ‘Verão 90’, que estreou este ano na faixa das 19h, na Rede Globo. A retomada também atingiu atrações culturais – artistas e bandas que despontaram no período preparam, para os próximos meses, shows comemorativos, ou ainda refazem formações que, há tempos, não eram vistas no palco. “A nostalgia vende muito bem. A gente não tinha celular; tinha que dar o telefone de casa pro paquera ligar. Não tem como esses comportamentos voltarem, porque as formas de sociabilidade são diferentes”, observa a historiadora Laura Ferrazza. Nos cinemas, tem mais revival – com filmes e desenhos da época ganhando continuações. A seguir, relembre curiosidades da década e prepare-se para revivê-la.

“Sempre quando retornamos à moda de alguma época, a gente lê isso de uma forma contemporânea.”
LAURA FERRAZZA, historiadora da moda

Sandy e Junior. Foto: Polygram (26/10/1994)

+ Sandy e Junior se tornaram adultos diante dos olhos do público. O primeiro disco, ‘Aniversário do Tatu’, que saiu em 1991, apostava num estilo regional em faixas como ‘Maria Chiquinha’. Ao longo da década, foram se aproximando do pop (‘Eu Acho que Pirei’) e investindo também nas baladas (‘Inesquecível’). Depois de 12 anos seguindo carreiras independentes, os irmãos voltam com a turnê ‘Nossa História’. Quem não garantiu lugar “vai ter que rebolar”, e torcer pelo anúncio de novos shows. Isso porque, após os ingressos para as apresentações de agosto esgotarem, novas datas foram abertas em outubro – também vendidas rapidamente. Allianz Parque. Av. Francisco Matarazzo, 1.705, Água Branca. 24/8, 25/8, 12/10 e 13/10, 20h. R$ 190/R$ 460 (esgotado).

Titãs. Foto: Protásio Nene/Estadão (8/9/1993)

+ Os Titãs surgiram nos anos 1980, mas foi com o ‘Acústico MTV’ (1997) que eles atingiram o auge comercial, vendendo 1,8 milhão de cópias. ‘Pra Dizer Adeus’ foi o principal hit. Da formação daquela época, a mesma da foto acima, permanecem Sérgio Britto, Tony Bellotto e Branco Mello. No show ‘Titãs Trio Acústico’, eles relembram o formato vitorioso. Credicard Hall (3.873 lug.). Av. das Nações Unidas, 17.955, S. Amaro, 4003-5588. 9/8, 22h. R$ 80/R$ 200. Vendas: www.ticketsforfun.com.br

Skank. Foto: Fernando Sampaio/Estadão (23/03/95)

+ O Skank (foto) foi um dos renovadores do pop nacional nos anos 1990, mesclando-o com o reggae. ‘Garota Nacional’ e ‘Pacato Cidadão’ estouraram. O quarteto faz a turnê ‘Os Três Primeiros’, com músicas dos álbuns iniciais da carreira, gravados entre 1992 e 1996. A apresentação que o grupo fará no Tom Brasil, em 25/5, tem ingressos esgotados, mas uma outra foi marcada para o dia 21/9. Espaço das Américas (7.500 lug.). R. Tagipuru, 795, Barra Funda, 3864-5566. 21/9, 23h. R$ 100/R$ 250. Vendas: www.ticket360.com.br

NA TV
Um dos principais veículos voltados à música era, na época, a antiga MTV Brasil. O videoclipe tornava-se fundamental para divulgar um trabalho – e o público, por ligação telefônica, votava no que queria assistir, no programa ‘Disk MTV’.

A ERA DO CD
O disco de vinil saía de cena e o CD começava a se popularizar como o principal formato da indústria fonográfica. Com o mercado aquecido, artistas veteranos e iniciantes passaram a ter vendagens recordistas.

Capa do primeiro álbum da banda Los Hermanos. Foto: Abril Music

+ A banda Los Hermanos lançou seu primeiro disco (imagem acima) em 1999. Grande sucesso naquele ano, ‘Anna Júlia’ foi um dos últimos suspiros do pop-rock brasileiro da década. Após mais um longo recesso, a banda está de volta aos palcos. Allianz Parque (45.000 lug.). R. Palestra Itália, 200, Água Branca. 18/5, 21h (show de abertura, 19h). R$ 160/R$ 400. Vendas: www.eventim.com.br 

Capa do álbum que a banda Metallica lançou em 1991. Foto: Vertigo Records

+ O disco que o Metallica lançou em 1991 (capa acima) mudou o rumo do grupo, que tornava seu som mais radiofônico. ‘Nothing Else Matters’, ‘Enter Sandman’ e ‘Sad But True’ são algumas das faixas do trabalho, grande sucesso de vendas. Com regência de Felipe Prazeres, a Orquestra Petrobras Sinfônica interpreta agora o repertório do álbum. Allianz Parque Hall (5.757 lug.). Av. Francisco Matarazzo, 1.705, Água Branca. 30/6, 19h30. R$ 100/R$ 210. Vendas: www.eventim.com.br

ESTÁ NO PAPO, com LEANDRO KARNAL

O historiador, professor e colunista do Estado fala sobre nostalgia e cultura.

Como você vê as relações entre cultura e nostalgia? A cultura dialoga diretamente com a construção da memória das pessoas. Acho que sempre temos uma negativa do presente – aquele de que Santo Agostinho diz que não tem como escapar. Estamos sempre querendo um outro momento. A questão da volta aos anos 1990 é uma negativa ao que estamos vivendo hoje e, acima de tudo, uma tentativa de associar o passado a um momento melhor.

Depois do revival dos anos 1980, agora vivemos o dos anos 1990. Há alguma explicação para isso? Os revivals quase sempre são recriações permanentes. O mais estranho pra mim é falar de revival de coisas que eu vivi (risos). A gente idealiza as coisas. Em geral, é uma reação do nosso próprio envelhecimento. É comum que as pessoas comecem a perder a noção do presente. No caso específico de alguém mais velho, é a associação com sua juventude. Do ponto de vista econômico, a década de 1990 é um horror. Ela termina com a estabilização da moeda, mas é ainda um efeito da estagflação da década de 1980. Do ponto de vista da criatividade, o (Fernando) Collor encerrou a Embrafilme e tivemos dois anos de apagão total do cinema nacional.

Você acha que essa retomada dos anos 1990 pode ter a ver com o fato de que quem era criança ou jovem na época é, hoje, público consumidor? Sim. As pessoas mais velhas veem hoje a primeira geração na qual o poder está, de fato, nas mãos do jovem. O que importa hoje é a tecnologia. É a primeira vez que estamos superando a gerontocracia. Uma característica do capitalismo são as bolhas de consumo; é preciso novidade para incrementar as vendas, criar alguma coisa. Esses revivals dizem respeito à necessidade de recriar uma época.

Qual sua lembrança mais marcante dos anos 1990? Defendi o doutorado e fui morar em Paris. Foi muito bom, mas não acho melhor do que hoje. O rock brasileiro ainda sobrevivia. A Constituição de 1988 era jovem e havia uma ingenuidade política, ecos da redemocratização. Tenho saudade do período em que a gente achava que derrubando o político A e colocando o B tudo iria melhorar.

Raimundos. Foto: Mabel Feres/Estadão (05/11/1996)

+ Canisso, Digão, Fred e Rodolfo (foto) integravam os Raimundos em 1994, ano de lançamento do primeiro álbum. O disco é expoente do que o então quarteto chamava de ‘forrocore’, mistura de rock e ritmos nordestinos. ‘Selim’, ‘Palhas do Coqueiro’ e ‘Nega Jurema’ são algumas das faixas marcantes. Após a saída do vocalista Rodolfo, em 2001, a banda passou por mudanças em sua formação – mas os outros três estão na turnê que celebra 25 anos do trabalho de estreia, ao lado de Marquim e Caio Cunha. Audio (3.200 lug.). Av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca, 3862-8279. 25/5, 22h. R$ 100/R$ 140. Vendas: www.ticket360.com.br

Confira aqui a playlist com dez músicas que marcaram os anos 1990

OS ANOS 1990 NAS TELAS

O cinema também retoma franquias de sucesso daquela década, e ainda em filmes ambientados no período. Confira os que já têm estreia confirmada no Brasil

O Rei Leão. Foto: Disney

+ O Rei Leão (1994) está entre os maiores sucessos de bilheteria da Disney e ainda recebeu quatro indicações ao Oscar, levando duas estatuetas. Jon Favreau (de ‘Homem de Ferro’) dirige uma nova versão da história (foto), que entra em cartaz no dia 18/7.

+ A saga ‘MIB: Homens de Preto’ começou em 1997, com Tommy Lee Jones e Will Smith. Após três filmes, a dupla dá lugar a Tessa Thompson, Chris Hemsworth e Liam Neeson em MIB: Homens de Preto – Internacional. Estreia dia 13/6.

+ O ator Jonah Hill estreia como diretor de longa-metragem em Anos 90, longa que tem estreia prevista para 30/5. A história, que se passa no meio da década, retrata o jovem Stevie (Sunny Suljic) e sua amizade com skatistas em Los Angeles.

Toy Story 4. Foto: Disney

+ Woody e Buzz Lightyear se tornaram ídolos das crianças em ‘Toy Story’ (1995), primeiro filme feito integralmente por meio de computação gráfica. Os personagens estarão de volta em Toy Story 4 (foto), animação que chega às salas no dia 20/6.

+ O novo X-Men: Fênix Negra será ambientado em 1992, destacando a história de Jean Grey (Sophie Turner), quase uma década depois dos acontecimentos de ‘X-Men: Apocalipse’, lançado em 2016. O filme está previsto para chegar aos cinemas em 6/6.

Aladdin. Foto: Disney

+ O desenho Aladdin garantiu a diversão das crianças em 1992. Para os nostálgicos, Guy Ritchie dirige uma adaptação da história. O ator Will Smith é quem interpreta o gênio da lâmpada no longa-metragem (foto), que tem estreia marcada para 23/5.

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