Onde ouvir samba em SP: visitamos sete casas onde o ritmo é protagonista
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Onde ouvir samba em SP: visitamos sete casas onde o ritmo é protagonista

Renato Vieira

18 de julho de 2019 | 16h39

CASA BARBOSA

Casa Barbosa. Foto: Rafael Falanga

+ Rafael Falanga tem o cinema, a fotografia e o samba entre suas paixões. Ele coloca o ritmo em destaque na casa que abriu em setembro de 2016. “Nunca trabalhei com eventos. Foi intuitivo. Em um almoço com uma amiga, comentei que queria fazer um boteco, provavelmente com roda de samba”, conta. Ao entrar em um imóvel tombado na boêmia região do Bexiga, Falanga sentiu que poderia construir ali um espaço acolhedor para velhos e novos bambas.

A sala principal, onde ocorrem as apresentações, é adornada com fotos de grandes nomes de nossa música e conta com um bar com boas opções de cervejas, drinques e porções. Na casa, já se apresentaram nomes representativos do samba paulista contemporâneo, caso de Douglas Germano e Rodrigo Campos. Por algum tempo, Falanga tentou entender qual seria o foco da casa e concluiu que deveria também dar vez a outras vertentes da música brasileira: “A música de São Paulo é vasta. A casa caminha para algo muito interessante porque ela é fruto de um trabalho e a gente, acima de tudo, respeita a música e os músicos.”

O grupo Samba de Dandara faz show nesta 6ª (19) às 21h30 (R$ 10), celebrando as mulheres que fizeram história no ritmo. Na 5ª (25), às 22h, Thiago França (saxofone) e Allan Abbadia (trombone) se reúnem para uma roda instrumental com outros quatro músicos (R$ 15). R. Rui Barbosa, 559, Bela Vista. 4ª a sáb., 20h/2h. Inf.: bit.ly/casabarbosa

BAR DO BAIXO

+ Após ser fechado pela Lei do PSIU no ano passado, quando ficava na Rua Cardeal Arcoverde, o bar migrou para a Rua Girassol, no fim de 2018. Zanga Reis, um dos sócios, é músico e está entre os organizadores do bloco carnavalesco Unidos Venceremos. Para ele, a casa é um espaço de resistência cultural: “A gente aqui não toca o que está na grande mídia; tocamos a música que queremos preservar.” Artistas, jornalistas e escritores formam, em sua maior parte, o público do bar – que não cobra entrada.

Bar do Baixo. Foto: Bar do Baixo

A casa também abre sua programação para outros estilos, incluindo ramificações do samba (como o samba-jazz e a gafieira), sonoridades latinas e reggae. Na 6ª (19), às 20h, o grupo Os Opalas recebe convidados para interpretar hits da música suingada nacional. Na sequência, à meia-noite, vem Dona Duda Ribeiro, interpretando ‘Não Deixe o Samba Morrer’ e outros clássicos. Neta de Monarco, um dos principais nomes da escola de samba Portela, Juliana Diniz faz show neste sábado (20), também a partir da meia-noite. Na 4ª (24), às 22h, o grupo Pocket Marley Tribute interpreta Bob Marley. R. Girassol, 67, V. Madalena. 18h/3h (fecha 2ª). Inf.: bit.ly/barbaixo

BAR DO ALEMÃO

+ “Comprei o bar para a capa do meu disco não fechar”, conta o cantor e compositor Eduardo Gudin, proprietário do Bar do Alemão há 15 anos. É que a foto que ilustra seu primeiro álbum, de 1973, foi tirada na casa, de estilo germânico. Não é difícil encontrar artistas que se apresentam no Sesc Pompeia esticando a noite no local, que já completou 50 anos de existência. Gudin é uma referência do samba paulista e começou a frequentar o bar no início dos anos 1970, ao lado de amigos como Nelson Cavaquinho.

Bar do Alemão. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Ele conta que o público dali gosta de ouvir samba tradicional. O dia dedicado ao estilo é quarta-feira – mas ele também pode aparecer nos fins de semana, quando costuma haver shows de MPB. Já as segundas-feiras, por exemplo, são voltadas ao choro. Neste domingo (21), às 19h30, Germano Mathias, o ‘catedrático do samba’, faz show (R$ 35). Na 5ª (25), às 20h30, tem o projeto Quinta da Canja, sem cobrança de couvert. Av. Antártica, 554, Água Branca, 3862-5975. 18h/1h (5ª, 6ª e sáb., 18h/3h; dom., 18h/0h). Couvert artístico: R$ 12/R$ 35. Inf.: www.bardoalemao.com.br

BOTECO DA DONA TATI

+ Dona Tati tem o bar há quase duas décadas e, em outubro do ano passado, o estabelecimento se mudou para a Rua Brigadeiro Galvão, na Barra Funda. A ideia de receber ali apresentações de sambistas surgiu por acaso. “Dona Tati, a gente tocava num lugar e não querem mais a gente lá. Podemos tocar no seu bar?”, perguntou um músico. Dona Tati deixou e, a partir daí, outros nomes ligados ao estilo começaram a aparecer. O lugar é aconchegante, não cobra entrada e os sambistas tocam num canto do espaço, ao redor de uma mesa com cervejas e petiscos.

Boteco da Dona Tati. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Quem cuida da programação da casa é o filho de Dona Tati, Thiago. Na 6ª (19), às 19h30, o Coletivo 4 no Samba se apresenta. Nas tardes de sábado, o bar serve feijoada (R$ 50, para duas pessoas), com acompanhamentos como bisteca, couve e torresmo. No dia 27/7, o boteco comemora seus 18 anos com diversas apresentações – entre elas, uma roda de samba com a Velha Guarda da Camisa Verde e Branco. R. Brig. Galvão, 639 H, Barra Funda, 2777-4030. 17h/0h (sáb., 13h/1h; fecha dom. e 2ª). Inf.: bit.ly/botecodonatati

TRAÇO DE UNIÃO

+ O espaço completa 16 anos em novembro e o proprietário, Fábio Lopes, afirma que manter a casa funcionando é uma luta constante. “Como todo comércio, tem seus altos e baixos”, explica. Ele não abre mão de dar ênfase ao samba de qualidade, prestigiando compositores que ficam mais nos ‘bastidores’. Nomes como Serginho Meriti, por exemplo, um dos autores de ‘Deixa a Vida me Levar’ (hit na voz de Zeca Pagodinho), já estiveram no palco do Traço.

Traço de União. Foto: Rica Chialastri

Lopes conta que o público, na faixa de 25 a 40 anos, é fiel e vem se renovando: “Conhecemos os clientes pelo nome.” No sábado à tarde, tem a feijoada da casa (R$ 55, para três). Na 6ª (19), a atração é a cantora Keilla Regina e o grupo 100 Preguiça, que fazem homenagem a Beth Carvalho (R$ 15/R$ 20). No domingo (21) é a vez do projeto Quintal do Traço, com roda comandada por Delei Martins e Robson Capela, e participação de André Luis (R$ 10/R$ 15). R. Cláudio Soares, 73, metrô Faria Lima, 3031-8065. 21h/2h (sáb., 13h/2h; dom., 16h/22h; fecha de 2ª a 4ª). Entrada: R$ 10/R$ 35. Inf.: bit.ly/tracodeuniao1

Ó DO BOROGODÓ

+ “A gente tem um amor pelo Ó que não cabe no mundo”, afirma Stefania Gola, que, ao lado do irmão, comanda a casa há 18 anos. O espaço é um celeiro de artistas que se dedicam ao samba em São Paulo. Por lá, passaram Dona Inah, Fabiana Cozza, Kiko Dinucci, entre outros. Ela afirma que o local se mantém há tanto tempo por conta da curadoria, que recebe todas as vertentes do samba.

Ó do Borogodó. Foto: Taba Benedicto/Estadão

Ao longo dos anos, o público foi amadurecendo com o Ó do Borogodó – se, no início, quem aparecia por lá eram jovens, hoje há uma plateia mais madura e muito apaixonada pela música brasileira. Mas não tem sido fácil manter a casa, com capacidade para cem pessoas, aberta. “É uma guerra existir por 18 anos; é brigar com toda a lógica de uma cidade que diz que você está velho”, afirma Stefania. Na 6ª (19), o grupo Terreiro Grande, criado há 12 anos, é a atração (R$ 20). No sábado (20) é a vez dos Inimigos do Batente (R$ 20). E, na 5ª (25), o violonista Zé Barbeiro faz uma roda de choro (R$ 15). Todas as apresentações estão marcadas para as 23h. R. Horácio Lane, 21, Pinheiros, 3814-4087. 22h/3h (3ª e 4ª, 20h/1h; fecha dom. e 2ª). R$ 15/R$ 30. Inf.: bit.ly/odoborogodo1

BAR SAMBA

+ Em fevereiro, o bar se mudou da Rua Fidalga para a Rua Fradique Coutinho. Hoje, é num amplo salão decorado com fotos de artistas, incluindo também um painel com caricaturas, que ocorrem os shows. Proprietário do espaço, Cícero Castilho conta que abriu a casa há 15 anos buscando um tratamento diferenciado ao estilo. “O samba era muito atrelado a algo pejorativo. Qualquer boteco tem samba, com cadeira de plástico e sem serviço. Eu precisava de um lugar que vestisse com a melhor roupa o que o samba poderia oferecer.” Almir Guineto, Beth Carvalho e Diogo Nogueira (que fez no bar uma de suas primeiras apresentações em São Paulo) já passaram por lá.

Bar Samba. Foto: Bar Samba

Aos sábados, na hora do almoço, a casa serve feijoada (R$ 89,90, para duas a três pessoas). Neste dia, a entrada custa R$ 35. Aliás, quem se apresenta neste sábado (20), a partir das 13h, é o grupo Samba Bar. R. Fradique Coutinho, 1.007, V. Madalena, 3819-4619. 19h/1h (5ª, 19h/2h; 6ª, 19h/3h; sáb., 13h/19h e 21h/3h; fecha dom., 2ª e 3ª). Entrada: R$ 20/R$ 45. Inf.: bit.ly/barsamba

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