O cão que adotou o surfista
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O cão que adotou o surfista

Redação Divirta-se

01 de junho de 2020 | 03h00

Cris Berger

Guia Pet Friendly

Era outono, o dia estava ensolarado e a praia, vazia. A prancha de stand up deslizou na água. O professor de surfe Augusto Martins preparava-se para subir nela quando, de repente, um cachorro foi mais rápido e pulou antes dele.

Apesar da surpresa, ele conta que disse “chega mais” para o cão “sem raça definida, lenço ou documento”, morador do Posto 1 da praia de Santos, no litoral paulista. Eles já se conheciam de vista, mas nada além disso, apenas trocas de olhares.

Nesse dia treinaram juntos durante duas horas no turno da manhã e mais duas no fim de tarde. Durante dois anos, os encontros se repetiram. Quando o Augusto chegava para dar aulas, o Parafina estava sentado no jardim em frente ao local onde habitualmente aconteciam as sessões de surfe.
Até que em 2013, o cão de “muitos donos”, que vivia pela orla, ora aqui, ora lá, escolheu apenas um.

O cão Parafina adotou o dono, Augusto, de olho na prancha de surfe. Foto Cris Berger/ Guia Pet Friendly

Havia chegado a hora de mudar a vida do Augusto para sempre. Nesse dia, ao ir embora, o surfista olhou pelo retrovisor do carro e viu o cachorro parado, olhando fixamente para ele. Sentiu um aperto no coração. Voltou, abriu a porta e o Parafina entrou. Um momento de escolha mútua, vidas que passariam a ser compartilhadas não apenas dentro d’água, mas em todos os locais e instantes. Eles haviam se adotado.

Se em 2010, ele era apenas o Parafina, hoje ele tem nome e sobrenome: o Parafina Surf Dog tem conta no Instagram (@parafinasurfdog) e coleção de roupas e acessórios com o seu nome. Sem contar o passaporte carimbado quatro vezes para a Califórnia, onde competiu no Surf City Surf Dog em Huntington Beach. Pisou oito vezes no pódio, sendo que em três suas patinhas encostaram o degrau mais alto.

Amigo da Ella (minha sharpei que assina esta coluna comigo) e embaixador do Santos Futebol Clube, Parafina quer mesmo é pegar onda e deixa isso bem claro quando, na beira da praia, late e sobe no stand up em um movimento corriqueiro e feliz.

Surfar nunca mais será um ato solitário para o surfista santista, pois sua prancha tem mais um dono. E ele tem quatro patas.

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