Novos Baianos retornam com turnê ‘Acabou Chorare’
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Novos Baianos retornam com turnê ‘Acabou Chorare’

Renato Vieira

11 de agosto de 2016 | 17h17

Bastou apenas um álbum para que os Novos Baianos definissem seu espaço na música do Brasil. ‘Acabou Chorare’ (1972), sucessor de ‘É Ferro na Boneca’ (1970), é o resultado do contato de Baby do Brasil, Luiz Galvão, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Pepeu Gomes e agregados com um artista que havia revolucionado a canção popular: João Gilberto. Faz todo sentido que o disco icônico batize esta turnê de retorno, 17 anos após o fim de ‘Infinito Circular’, que também marcava o reencontro da banda extinta no fim dos anos 1970. Depois de uma apresentação especial para reinaugurar a Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, eles decidiram seguir pelo País. Em entrevista ao Divirta-se, Baby do Brasil fala sobre a retomada do convívio com os companheiros, analisa o impacto do trabalho do grupo e promete surpresas.

Foto: Dario Zalis/Div.

Foto: Dario Zalis/Div.

Como tem sido a convivência entre vocês, depois de tanto tempo separados?

Tem sido maravilhoso. A gente ri muito, se diverte conversando e relembra todas as alegrias que vivemos. Apesar de termos vivido em um tempo de repressão, temos histórias muito engraçadas. Saímos pra jantar e comemos comidas orgânicas, como a gente sempre quis. Essa atmosfera gostosa reativa o ‘neurônio Novos Baianos’, o ‘Neurônio NB’. O clima continua o mesmo dos anos 1970.

Esse show é a oportunidade de uma geração jovem ver pela primeira vez o grupo junto. Qual é a relação de vocês com esse público?

No início dos anos 1970, muita gente não entendia nossa proposta. Nós sabíamos que as coisas no Brasil iriam mudar e que o futuro seria lindo. ‘Acabou Chorare’ representa isso. Depois de morarmos em um apartamento em Botafogo, mudamos para um sítio em Jacarepaguá e dividimos tudo. Tínhamos pé de laranja, de carambola, era tudo natural e ninguém se preocupava com dinheiro. As pessoas começaram a entender que nosso trabalho era bom, trazíamos algo positivo e isso foi levado de pai pra filho. Colocamos a arte em primeiro lugar, ressaltando sempre a importância do amor e da amizade. Os jovens sentem essa vibração, há uma filosofia de vida ali.

O grupo nos anos 1970. Foto: Divulgação

O grupo nos anos 1970. Foto: Divulgação

Vocês promoveram uma fusão de estilos no ‘Acabou Chorare’ que não tinha sido feita até então. Qual o papel de João Gilberto nessa mistura?

Tudo começou com ele, que era amigo de Galvão. Ele que nos ensinou ‘Brasil Pandeiro’. Mas cada um era de uma cidade diferente e trazia sua própria referência. O mais importante era mergulhar nas nossas raízes, sem forçar nada. Certa vez, Paulinho da Viola mandou um cavaquinho para Pepeu e ele começou a brincar – decidimos ensaiar chorinhos. E tudo com um pique pop, bem rock’n’roll. Queríamos algo consistente, para sempre.

Já existe algum plano de gravar CD e DVD ao vivo ou de fazer músicas inéditas?

Por enquanto, iremos fazer os shows em São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Mas esse retorno tem sido tão bom que já estamos pensando em estender a turnê para gravar um CD e um DVD com, pelo menos, duas músicas inéditas. Não há nada fechado nesse sentido ainda, estamos namorando a ideia. Tudo pode acontecer.

ONDE: Citibank Hall (3.873 lug.). Av. das Nações Unidas, 17.955, S. Amaro, 2846-6010.

QUANDO: Hoje (12) e sáb. (13), 22h30.

QUANTO: R$ 200/R$ 560. Cc.: todos. Cd.: todos.

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