‘A Assassina’, de Hou Hsiao-Hsien, está entre as estreias de cinema da semana
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‘A Assassina’, de Hou Hsiao-Hsien, está entre as estreias de cinema da semana

Rafael Sousa Muniz de Abreu

05 de maio de 2016 | 17h09

Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

Embora seja o primeiro trabalho do taiwanês Hou Hsiao-Hsien em oito anos, A Assassina é um projeto que precede seu último longa – Hsien já planejava filmá-lo há 25 anos. A longa gestação vingou: exibido em Cannes em 2015, o filme inspirado em um antigo conto da dinastia Tang lhe rendeu o prêmio de melhor diretor no festival.

O olhar do cineasta, contemplativo e lento, é aplicado a um enredo tí- pico dos wuxias – filmes chineses de artes marciais. Na China do século 9, Nie Yin Niang (Shu Qi) reencontra a família após um exílio no qual treinou para ser assassina. Em uma época de tensão entre o poder central do império e o das províncias, seu papel é decisivo no jogo político. Seus sentimentos, no entanto, a impedem de ter a frieza necessária para o posto, e vem daí o motivo de seu retorno: foi instada a matar Tian Ji’an (Chen Chang), seu ex-noivo e governador dissidente da província de Weibo.

Apesar do tema potencialmente violento, ‘A Assasina’ traz poucas cenas de ação. Hsien prefere uma câmera míope, que desfoca o entorno dos personagens, e dá destaque aos sons da natureza. O resultado é uma experiência visual e sonora atmosférica que se sobrepõe ao enredo.

 

 

Dirigido por Helena Ignez, Ralé se inspira na peça homônima de Máximo Gorki e na estética do cinema marginal, especialmente em ‘Copacabana Mon Amour’ (1970). No longa metalinguístico, um grupo de jovens produz um filme numa fazenda em que Barão (Ney Matogrosso) pretende se casar com o dançarino Marcelo (Roberto Alencar).

 

O Décimo Homem, do argentino Daniel Burman (‘Ninho Vazio’), mostra o retorno de Ariel (Alan Sabbagh), um economista em Nova York, a Buenos Aires, cidade onde cresceu. A ideia do regresso é que ele consiga estreitar os laços com o pai distante, Usher (Usher Barilka), um senhor que gerencia uma instituição de caridade judaica.

 

Baseado no livro de memórias homônimo de Amós Oz, De Amor e Trevas é a estreia da atriz israelense Natalie Portman na direção. A vida em Jerusalém antes da criação do Estado de Israel é vivida pela mãe de Oz (Amir Tessler), Fania (Portman), que, frustrada com o casamento, inventava e lhe contava histórias quando pequeno.

OUTRAS ESTREIAS

A Assassina
(Nie Yinniang, Taiwan-China/2015, 105 min.) – Drama. Dir. Hou Hsiao-Hsien. Com Shu Qi, Cheng Chang, Tsumabuki Satoshi. No século 9, uma mulher encara um dilema: foi incumbida da missão de matar o homem que ama e de quem já foi noiva. Baseado num conto da dinastia Tang, o longa ganhou o prêmio de melhor diretor em Cannes 2015, entre outros prêmios.

O Começo da Vida
(Brasil/2016, 97 min.) – Documentário. Dir. Estela Renne. O documentário aborda o período compreendido durante os primeiros mil dias de um recém-nascido. De estrema importância para o desenvolvimento da criança, a época exige muitos cuidados para que ela tenha uma vida saudável.

Heróis da Galáxia – Ratchet e Clank
(Ratchet & Clank, Hong Kong-Canadá-EUA/2016, 94 min.) – Animação. Dir. Kevin Munroe e Jericca Cleland. A dupla Ratchet e Clank tenta impedir um vilão alienígena, Drek, de destruir a galáxia Solana. O longa é baseado na série de jogos para videogames da Sony.

Os Inimigos da Dor
(Los Enemigos del Dolor, Brasil-Uruguai/2016, 82 min.) – Drama. Dir. Arauco Hernández. Com Félix Marchand, Pedro Dalton e Lucio Hernández. Um alemão é abandonado pela mulher, nascida no Uru-
guai. Ele vai ao país à procura dela, mas enfrenta dificuldades desde o momento em que chega – sua mala some, deixando-o sem agasalhos e com frio. Indicado ao Leopardo de Ouro em Locarno 2014.

O Maior Amor do Mundo
(Mother’s Day, EUA/2016, 118 min.) – Comédia. Dir. Garry Marshall. Com Jennifer Aniston, Kate Hudson, Julia Roberts. A comédia romântica aborda histórias relacionadas à maternidade. Entre as personagens principais, uma mãe solteira, uma mulher com uma relação difícil com a mãe e outra que nunca conheceu a sua.

Maravilhoso Boccaccio (leia resenha aqui)
(Maraviglioso Boccaccio, Itália/2014, 120 min.) – Drama. Dir. Vittorio Taviani e Paolo Taviani. Com Riccardo Scamarcio, Kim Rossi Stuart, Jasmine Trinca. Baseado no ‘Decameron’ (1351), do escritor italiano Giovanni Boccaccio, o longa se passa em 1348, quando a peste negra assolava Florença. Para fugir do lugar, um grupo de jovens se refugia numa casa de campo, onde passa o tempo contando histórias.

Martyrs
(Martyrs, EUA/2015, 86 min.) – Terror. Dir. Kevin Goetz, Michael Goetz. Com Troian Bellisario, Kate Burton, Caitlin Carmichael. Lucie, uma garota de 10 anos que foi aprisionada num armazém deserto, é mandada a um orfanato. Traumatizada, lá ela encontra consolo em Anna, uma menina da mesma idade. Dez anos depois, descobrem a família que torturou Lucie, o que acaba pondo ambas em perigo.

Prova de Coragem
(Brasil/2015, 90 min.) – Drama. Dir. Roberto Gervitz. Com Mariana Xi- menes, Cesar Troncoso, Armando Babaioff. Hermano, um jovem médico, se prepara para escalar uma montanha na Terra do Fogo. Em meio aos preparativos, recebe a no- tícia de que sua mulher, Adri, está grávida, mas decide continuar a em- preitada mesmo assim. Baseado no livro ‘Mãos de Cavalo’, do paulistano Daniel Galera.