Música clássica em São Paulo: o que esperar das principais temporadas de 2020
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Música clássica em São Paulo: o que esperar das principais temporadas de 2020

Redação Divirta-se

27 de fevereiro de 2020 | 13h40

Danilo Casaletti (Especial para o Estado) e Júlia Corrêa

Entre concertos sinfônicos e óperas, confira as atrações que chegam à cidade este ano

O fascínio de acompanhar a concentração dos músicos, a potência de vozes de um coral ou a emoção expressa em uma ópera não tem necessariamente a ver com ser entendido do assunto. Claro, a música clássica tem fãs fervorosos, que acompanham os concertos e compram pacotes anuais para várias apresentações – muitas delas trazem atrações internacionais e têm ingressos disputados.

Sala São Paulo. Foto: Mariana Garcia

Mas não é preciso ser um grande seguidor da programação erudita para aproveitar as opções que a cidade oferece. Basta se inteirar com antecedência e se planejar. Por isso, apresentamos o que os principais grupos e entidades culturais promovem ao longo de 2020. Entre concertos em homenagem aos 250 anos de Beethoven, óperas consagradas e até montagens menos convencionais, dirigidas por nomes ligados à cena teatral paulistana, não faltam opções para se aprofundar ou passar a se aventurar neste universo.

OSESP
É impossível falar de música clássica na cidade sem lembrar da imponente Sala São Paulo, localizada nos Campos Elísios (Pça. Júlio Prestes, 16, 3367-9500). Casa da Orquestra Sinfônica do Estado, o espaço, inaugurado em 1999, ocupa a antiga Estação Júlio Prestes, preservando diversos aspectos da construção original.

Neste ano, quem for ao local poderá fazer uma imersão na obra de Ludwig van Beethoven. Isso porque, nas celebrações dos 250 anos do compositor alemão, a Osesp fará um dos mais completos ciclos de interpretação de suas composições já apresentados no Brasil.

O regente Thierry Fischer. Foto: Marco Borggreve

A temporada tem início nesta quinta-feira (5), com a Missa Solemnis, sob condução do suíço Thierry Fischer, novo regente titular da orquestra. Até o fim do ano, entre outras obras, ele ainda vai comandar a execução das sinfonias de número 1 a 8 (a Nona foi regida em dezembro, por Marin Alsop, que deu início às comemorações).

Entre os destaques das próximas semanas, o pianista inglês Paul Lewis interpreta o Concerto nº5 para Piano, popularmente conhecido como Imperador (12, 13 e 14 de março), e também as sonatas de número 13 e 14 de Beethoven (19, 20 e 21 de março). Além do alemão, outros compositores ganham espaço na programação. A partir de junho, por exemplo, a orquestra também homenageia o brasileiro Alberto Nepomuceno, que morreu há cem anos.

As sessões da Osesp costumam ocorrer semanalmente – às quintas e sextas-feiras, às 20h30, e aos sábados, às 16h30. Em relação a outros anos, os ingressos estão mais baratos: variam de R$ 50 a R$ 190 (osesp.art.br). Uma dica: antes de cada concerto, o projeto Falando de Música, conduzido pelo professor Leandro Oliveira, permite ao público conhecer melhor a obra que será executada no dia. Afinal, não é preciso ser um especialista para apreciar música clássica.

CULTURA ARTÍSTICA
Com a reinauguração de sua sede prevista para novembro de 2021, a Cultura Artística continua a realizar sua tradicional temporada de concertos na Sala São Paulo. E, este ano, boa parte de sua programação também será dedicada aos 250 anos de Beethoven.

Em semanas esporádicas, as apresentações ocorrem sempre às terças e quartas-feiras, às 21h, com a mesma atração nos dois dias, mas com variações no programa. Os primeiros espetáculos do ano, nos dias 24 e 25 de março, são do Trio Wanderer, aclamado grupo de câmara, que interpreta peças do compositor alemão.

Foto: Trio Wanderer

Em 14 e 15 de abril, com Nicolas Krauze na regência e Hildegarde Fesneau no violino, a Orchestre de Chambre Nouvelle Europe apresenta concertos para violino e sinfonias, tanto de Beethoven quanto de Félix Mendelssohn. Também em abril, nos dias 28 e 29, tem apresentação do Quarteto Hagen, com obras de Shostakovich, Puccini e Mendelssohn, no primeiro dia, e repertório dedicado a Beethoven, no segundo.

Entre outros destaques do ano, tem a Orquestra Nacional Russa, em 23 e 24 de junho; a pianista franco-georgiana Khatia Buniatishvili, em 6 e 7 de outubro; e o Concert de la Loge, com o contratatenor Philippe Jaroussky, nos dias 27 e 28 do mesmo mês.

Assim como o Falando de Música, da Osesp, a Cultura Artística conta com o projeto Momento Musical, com palestras sobre o concerto do dia dadas pela professora Helen Gallo. A venda de ingressos avulsos abre um mês antes de cada apresentação, com valores a partir de R$ 50 (culturaartistica.org). Quem deixa para a última hora pode até ter sorte: 30 minutos antes dos concertos, quando não se esgotam, os bilhetes têm desconto.

MOZARTEUM BRASILEIRO
Desde 1981, quando foi criada, a associação voltada à música erudita já realizou mais de 1.500 apresentações, com público que ultrapassa 2 milhões de pessoas. Em sua temporada 2020, há quatro importantes concertos, todos realizados na Sala São Paulo.

No dia 27 de maio, o Mozarteum traz ao Brasil, pela primeira vez, a soprano americana Latonia Moore, que ganhou destaque ao estrear no The Metropolitan Opera como papel-título da ópera Aida, de Giuseppe Verdi, em 2012. Por aqui, ela será acompanhada pela Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro (OAMB), sob regência do maestro convidado Constantine Oberlian. No programa, estão peças do próprio Verdi, além de Giacomo Puccini, George Gershwin, Tchaikovski e Leonard Bernstein.

Latonia Moore. Foto: Mozarteum Brasileiro

Os 250 anos de nascimento de Beethoven também não passarão em branco na temporada do Mozarteum. Nos dias 11 e 12 de agosto, o grupo Tel-Aviv Soloists, formado por 30 jovens músicos de Israel, mostra, sob a batuta de seu regente e fundador Barak Tal, diferentes obras do compositor alemão – como Piano Concerto Nº 4 e Sinfonia Nº 7. O pianista austríaco Stefan Stroissnig, que tem importante atuação com a Vienna Philharmonic Orchestra, participa nos dois dias como solista convidado.

Outro destaque da programação da associação são as apresentações do Rundfunkchor Berlin, o Coro da Rádio de Berlim – que existe desde 1925 e conta, atualmente, com 64 cantores. As duas apresentações, marcadas para o mês de outubro, são acompanhadas pelo conjunto de origem alemã Concerto Köln, com repertório voltado à Música Antiga. Na primeira, no dia 20, eles interpretam a obra barroca A Paixão de São João, de Johann Sebastian Bach. E dia 21 é a vez do oratório Messias, de Georg Friedrich Händel. Os concertos terão regência do maestro-titular Gijs Leenaars. Os ingressos custam de R$ 120 a R$ 600 e já estão à venda pelo site da entidade (mozarteum.org.br).

THEATRO SÃO PEDRO
De arquitetura neoclássica, com detalhes art nouveau, o teatro de 1917 localiza-se na Barra Funda. Em 2020, o espaço celebra os dez anos da Orquestra do Theatro São Pedro, com convidados que marcaram sua história. Nos dias 14 e 15 de março, por exemplo, Luis Otavio Santos rege a orquestra e recebe a soprano Marilia Vargas e o barítono Sabah Teixeira para duas apresentações com obras de Händel (como a cantata Apolo e Dafne) e Beethoven (Sinfonia nº 8).

Foto: Heloisa Bortz

Em 6 e 7 de junho, quem comanda o grupo é o maestro Cláudio Cruz, ao lado de convidados como a soprano Marina Considera e o tenor Fernando Portari. No programa, peças de Bizet (com as suítes de nº 1 e 2 de L’Arlésienne) e também de Beethoven (com a cantata O Momento Glorioso).

A programação de fim de ano já está definida: nos dias 19 e 20 de dezembro, Carlos Moreno rege a Academia de Ópera do teatro em um concerto especial de Natal. Os concertos no Theatro São Pedro ocorrem sempre às 20h de sábado e às 17h de domingo. Um dia antes da estreias, às 10h, há ensaio aberto e gratuito, com retirada de ingresso 1h30 antes. É bom se planejar: até entradas para os espetáculos de dezembro já estão à venda (theatrosaopedro.org.br). Em todos os setores, o preço é único e bem acessível – R$ 30. O teatro fica na Rua Barra Funda, 161, perto do metrô Marechal Deodoro (tel.: 3667-0499).

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL
Fundado nos anos 1920, o grupo já acompanhou nomes célebres da música lírica brasileira, como a soprano Bidú Sayão (1902-1999). Neste ano, a OSM terá intensa programação, com 16 programas sinfônicos até dezembro – incluindo homenagens aos 250 anos de Beethoven.

A abertura da temporada ocorre já nos dias 6 e 7 de março, às 20h, com a Sinfonia Nº 3 do austríaco Gustav Mahler. Sob regência do maestro titular Roberto Minczuk, participam do concerto o naipe feminino do Coral Paulistano e a mezzo-soprano Ana Lúcia Benedetti. Os ingressos, já à venda, custam de R$ 12 a R$ 40.

Foto: Sylvia Masini

Nos dias 10 e 11 de abril, às 20h, a orquestra é regida por Alessandro Sangiorgi, ao lado do Coral Paulistano, e apresenta Cristo no Monte das Oliveiras, obra de temática religiosa composta em 1803 por Beethoven. O compositor alemão volta a ser tema de oito concertos em dezembro. Todos liderados por Minczuk, traçam um panorama de suas diferentes fases.

As apresentações ocorrem no Theatro Municipal (Pça. Ramos de Azevedo, s/nº, Centro, 3053-2090), que é a casa da OSM. Vale acompanhar a venda dos próximos concertos pelo site (theatromunicipal.org.br).

ÓPERAS
Tanto o São Pedro quanto o Municipal costumam ter boas temporadas de ópera e, neste ano, contam com programações menos “ortodoxas”, que incluem montagens até de musical da Broadway. Entre abril e maio, o Theatro São Pedro recebe West Side Story, com direção artística de Charles Möeller e Cláudio Botelho, e direção musical de Cláudio Cruz. Em agosto, é a vez de Ariadne em Naxos, de Richard Strauss, que terá direção musical do alemão Felix Krieger. No elenco, a soprano japonesa Eiko Senda interpreta a princesa grega do título. De Vincenzo Bellini, Capuletos e Montéquios tem sessões no fim de setembro, com direção de Antônio Araújo, do Teatro da Vertigem. Em novembro, sob direção de Jorge Takla, é a vez de Porgy & Bess, de George Gershwin. Mais detalhes serão divulgados em breve pelo site (theatrosaopedro.org.br).

No Municipal, a premiada diretora Bia Lessa comanda Aida, de Giuseppe Verdi, de 28 de março a 7 de abril (R$ 20/R$ 120, com ingressos já à venda). Depois, entre 18 e 28 de junho, duas montagens inusitadas: Zé Henrique de Paula e Fernanda Maia dirigem Navalha na Carne e Homens de Papel, óperas baseadas nas peças de Plínio Marcos. A consagrada Don Giovanni, de Mozart, tem estreia marcada para 14 de agosto, com direção de Lívia Sabag. De 26 de setembro a 7 de outubro, uma obra contemporânea ganha espaço – Benjamin, de Peter Ruzicka, dirigida por Hugo Possolo.

Para encerrar a temporada, na primeira quinzena de novembro, Rodolfo García Vázquez dirige Fidelio, de Beethoven. Na segunda quinzena, com direção cênica a definir, é a vez da ópera cômica O Morcego, de Johan Strauss Filho. Diferentemente das outras, que serão conduzidas pela Orquestra Sinfônica Municipal, esta última terá acompanhamento da Orquestra Experimental de Repertório.

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