Mostra Ciranda de Filmes chega à 4ª edição com foco em infância e educação
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Mostra Ciranda de Filmes chega à 4ª edição com foco em infância e educação

André Carmona

24 Maio 2017 | 21h15

‘Banquetes Imaginários’, de Anne Georgette, é um dos destaques da programação. Foto: Ciranda de Filmes

De 5ª (25) a domingo (28), o Espaço Itaú Augusta recebe a 4ª edição da Mostra Ciranda de Filmes, com foco em infância e educação. Este ano, o tema tem como ponto de partida a questão ‘O que te nutre?’.

As seções ‘Inéditos’, ‘Humor à Mesa’, ‘Resgate’, ‘ComKids’, ‘Carta Branca’ e ‘Homenagens’ vão exibir uma seleção de filmes brasileiros e estrangeiros, de variados gêneros e formatos.

Além disso, rodas de conversa, vivências lúdicas, oficinas e sessões especiais (seguidas de encontros com pensadores, educadores, artistas e cineastas) farão parte da programação.

Ao todo, o evento vai projetar 60 títulos, com destaque para ‘Fonte da Juventude’, de Estevão Ciavatta; ‘Poesia Sem Fim’, do chileno Alejandro Jodorowski; e ‘Era o Hotel Cambridge’, de Eliane Caffé ­– que participará de um bate-papo após a exibição do longa, neste sábado (27), às 14h30.

A programação completa pode ser acessada aqui. Mas, antes, confira as perguntas feitas pelo Divirta-se sobre a mostra, respondidas em conjunto pelas curadoras do festival, Fernanda Heinz Figueiredo e Patrícia Durães.

O que as nutre em 2017?
O cinema é luz; e essa luz cria e nutre a esperança de transformação. Este é o alimento necessário face à realidade obscura dos dias de hoje. O trabalho coletivo de criação da Ciranda de Filmes acredita nessa transformação, ao mesmo tempo que nos alimenta e fortalece nosso desejo de nutrir os sonhos de todos.

Qual é a importância do cinema dentro do processo educacional?
O cinema é uma linguagem potente e a fruição artística vivida através dele inspira, transforma e contribui para o desenvolvimento de uma visão crítica do mundo. Os filmes nos permitem experimentar sentimentos e emoções que ativam nossa memória, trazendo histórias e personagens que nos habitam e nos dão a chance de viver outras vidas, de ser o outro. E isso nos ajuda a descobrir e a formar nossa própria identidade, compreendendo e respeitando as diferenças.

De que forma se deu a seleção dos filmes que serão exibidos nesta edição? E quais vocês destacariam?
Nosso desejo era falar de uma nutrição que vai além da comida; queríamos falar do que nutre corpo, razão e emoção. Começamos uma busca por filmes que nos apontassem questões fundamentais para o desenvolvimento humano. Uma curadoria que apontasse caminhos de afeto e respeito às individualidades, diferenças e comunhões.

A seleção desta edição traz uma filmografia rica e diversa. Para nós, todos os filmes são especiais. Podemos fazer uma tentativa de destacar algumas preciosidades entre os estrangeiros com poucas chances de serem vistos por aqui novamente, e também para não correr o risco de sermos injustas com os filmes brasileiros. Entre eles, chamamos atenção para o último filme do polêmico e genial Jodorowsky, ‘Poesia sem Fim’; e para o surpreendente documentário de Anne Georgette sobre receitas culinárias escritas pelos prisioneiros na 2ª Guerra Mundial, de várias nações, idades e crenças, ‘Banquetes Imaginários’. Além de ‘Os Pássaros Migratórios’, de Olivier Ringer; o ‘Rauf’, de Soner Caner e Baris Kaya; a animação canadense ‘Window Horses – A poesia de Rosie Ming’, de Ann Marie Fleming e David de Joel; e os curtas ‘Passeio de Bicicleta’, de Bernard Attal, e ‘A Origem da Abundância’, de Juan Gabriel Soler Alarcón.

A educação e a infância são temas debatidos com profundidade na produção audiovisual brasileira?
A produção audiovisual do Brasil que trata das questões da infância e da educação vem crescendo principalmente nos últimos tempos, mas ainda não atingiu um ritmo constante e isso influencia muito na procura do público por essa filmografia e, também, na frequência dos debates em torno deles.

Um dos motivos de existência da Ciranda de Filmes é justamente de lançar luz para essa filmografia, qualificar o debate e estimular essas produções. Acreditamos que a força da linguagem audiovisual é fundamental para gerar interesse e provocar transformações na nossa sociedade em prol da infância e da educação.