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‘As Mil e Uma Noites – Vol. 1, O Inquieto’ explora crise em Portugal

Redação Divirta-se

12 de novembro de 2015 | 17h33

Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

Em arte, não basta apresentar fatos conhecidos. De preferência, deve-se expô-los sob novos ângulos, através de linguagem original, para que possam, assim transmutados, tocar em pontos de nossa sensibilidade até então inacessíveis. É dessa forma que As Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes, apresenta, em formato inventivo, um retrato contundente da crise portuguesa, caso particular dentro da crise econômica europeia e mundial.

O filme – uma trilogia, cuja primeira parte é agora lançada no circuito brasileiro – tem se tornado querido da crítica por onde passa. A começar pelo Festival de Cannes, onde foi tido como injustiçado por ter integrado a Quinzena dos Realizadores e não a mostra principal. A revista Cahiers du Cinéma deu-lhe a capa da edição de junho, numa espécie de desagravo. Pode-se ter qualquer tipo de reação frente a esse filme fora de classificações, menos a indiferença.

O primeiro ‘volume’ da série recebe o título de ‘O Inquieto’ (os outros dois são ‘O Desolado’ e ‘O Encantado’). Nele, o tom documental se impõe de início. Uma câmera impecável capta imagens do estaleiro de Viana do Castelo, desativado pela recessão. Desses registros perturbadores, começa a emanar o emaranhado de histórias que, de maneira direta ou indireta, se propõem a interpretar o imaginário de um país corroído pela louca ambição dos homens. Como avisa seu diretor, o filme não é uma adaptação das ‘As Mil e Uma Noites’, mas toma-lhe emprestada a estrutura. E nós podemos também constatar: não fala apenas de Portugal. Luiz Zanin Oricchio

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