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Meu WhatsApp não é o seu divã

Redação Divirta-se

09 de outubro de 2020 | 05h02

RÊ PROVA

Toda semana, Renata Mesquita vai reprovar absurdos vistos por aí nessa nova rotina imposta pela pandemia

A verdade é que eu gostaria de dedicar este espaço para reclamar exclusivamente do calor que tomou conta da cidade nos últimos dias. Mas não acho que faria grande serviço para os leitores pender para essa direção, afinal, estamos todos juntos nessa, sem muita rota de fuga (menos aqueles que têm ar-condicionado em casa; de você, sinto só inveja mesmo).

Se estávamos nos acostumando com as máscaras, o verão fora de hora – e, com ele, o suor sem-fim no bigode – veio para retrocedermos algumas casinhas no Jogo da Vida na Pandemia. Mais um bom motivo para a vacina chegar logo, antes de o verão se instalar de vez por aqui – você já havia suado atrás das orelhas? Eu nunca, descobertas do novo normal.

Mas, vamos combinar, no calor, parece que tudo fica mais difícil, arrastado e irritante. E se tem algo que tem me tirado do sério nesta quarentena é uma certa bolinha vermelha, mais precisamente aquela sobre o ícone do WhatsApp. Desde quando o WhatsApp virou a sua vida? Sério. Pare para pensar. Se existe uma coisa que tomou conta das preciosas horas do dia nesta quarentena foi responder a mensagens no aplicativo – profissionais e pessoais. Eu sei que estou chovendo no molhado, que mesmo antes da pandemia a situação já estava um tanto quanto descontrolada. O home office e o isolamento só tornaram, e autorizaram, seu uso descontrolado.

A questão, na realidade, não são as mensagens, mas a cobrança por uma resposta imediata. Como se, porque a pessoa está tranquila, você também estivesse. Mande mensagens, sim: de saudades, de carinho, fotos, vídeos. Mas não cobre um retorno na mesma hora, ou com a mesma atenção. Não é porque estamos em casa que estamos disponíveis. E não é porque estamos isolados que não queremos ficar a sós.

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