Melhores do Ano: Divirta-se elege as atrações que marcaram a cidade em 2018
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Melhores do Ano: Divirta-se elege as atrações que marcaram a cidade em 2018

Redação Divirta-se

20 de dezembro de 2018 | 19h16

Foram muitas atrações que passaram por São Paulo – e merecem ser lembradas. E, como fim de ano é tempo propício para se fazer um balanço, o Divirta-se convidou especialistas de diferentes áreas e elegeu as novidades culturais e gastronômicas que fizeram história em 2018.

Em mais esta edição de nosso Melhores do Ano, foram escolhidos os destaques em oito categorias. São elas: Shows Nacionais; Shows Internacionais; Exposições; Gastronomia; Filmes Nacionais; Filmes Internacionais; Teatro Adulto; e Teatro Infantil.

Masp sediou exposição que foi destaque. Foto: Masp

Cada jurado deu votos para 1º, 2º e 3º lugares, acompanhados de uma breve justificativa. Para chegar aos eleitos, foi usada a seguinte regra: a cada voto de 1º lugar, a atração ganhou 3 pontos; já o 2º lugar gerou 2 pontos; e quem ficou em 3º lugar recebeu 1 ponto.

No caso de mais de uma atração ter acumulado o mesmo saldo final de pontos, utilizou-se como critério de desempate o número de vezes que ela foi citada por todos os jurados. Se, mesmo assim, o empate persistiu, os candidatos dividiram a colocação. E, em algumas áreas, os votos dos jurados foram tão variados que ficou difícil preencher todas as posições do pódio – uma prova de que muita coisa boa passou por São Paulo este ano.

SHOWS NACIONAIS

1º lugar: Chico Buarque

2º lugar: Anelis Assumpção/ Beth Carvalho e Fundo de Quintal/ Gal Costa

3º lugar: Cordel do Fogo Encantado/ Gilberto Gil/ Maria Bethânia e Zeca Pagodinho

‘Caravanas’, de Chico Buarque, marcou o retorno aos palcos do cantor e compositor. Foto: Leo Aversa

JULIO MARIA, repórter do Caderno 2

1º lugar: Beth Carvalho e Fundo de Quintal. Com dores na coluna, Beth se apresentou deitada, cantando como podia ao lado do grupo que faz parte da sua história. Nunca houve nem haverá entrega maior.

2º lugar: Gilberto Gil. Sua voz no show ‘OK OK OK’ está impecável; seu violão, ágil. A superação de Gil depois de um longo tratamento de saúde também foi de impressionar. Quase um milagre.

3º lugar: Elza Soares. Elza segue o que deverá ser uma trilogia. ‘Deus É Mulher’, depois de ‘A Mulher do Fim do Mundo’, a reforça em seu discurso quase anticanção em nome de um protesto.

MARINA VAZ, editora do Divirta-se

1º lugar: Chico Buarque. Mais uma vez, assim como no show ‘Chico’, (2012), o artista foi exemplo de como mesclar criações novas e hits antigos sem apelações fáceis. Bela e coerentemente, Chico deu às canções novos significados – e emocionou.

2º lugar: Maria Bethânia e Zeca Pagodinho. Diante de uma plateia enorme, a dupla fez um show com clima de reunião entre amigos, como se estivesse na sala de casa. Uma noite leve e alegre, com repertório bastante coeso.

3º lugar: Paulinho da Viola Convida Velha Guarda da Portela. Com participação de Criolo, o show, mais do que um encontro, foi uma reverência entre gerações. E a prova de que o grupo da escola de samba de velho não tem nada.

RENATO VIEIRA, repórter do Divirta-se

1º lugar: Gal Costa. Músicas do novo disco, ‘A Pele do Futuro’, se entrelaçaram harmoniosamente com clássicos da cantora há tempos ausentes de shows. Ela mostrou ainda uma surpreendente versão de ‘O Que É Que Há’, de Fábio Jr.

2º lugar: Chico Buarque. Cantando muito bem, ele montou um intrincado roteiro para o show Caravanas, em que recados políticos são encadeados com coisas de amor, saudando o Brasil e os parceiros de composição.

3º lugar: Silva. O capixaba alcançou pico de popularidade, lotando os shows da turnê ‘Brasileiro’. O estilo pop de discos anteriores deu lugar à versatilidade de estilos que só um grande músico pode conceber com coesão.

ROBERTA MARTINELLI, apresentadora da Rádio Eldorado e da TV Cultura

1º lugar: Anelis Assumpção. A cantora e compositora sempre dominou muito bem o palco. Mas, no show do disco ‘Taurina’, ela está no controle total e cantando mais bonito do que nunca. E que canções!

2º lugar: Cordel do Fogo Encantado. A volta do grupo com um show mesclando sucessos e novidades do disco mais recente, com participação de Isadora Melo em todas as apresentações. Lindíssima iluminação.

3º lugar: Edgar. Ele lançou o disco ‘Ultrassom’, produzido por Pupillo, que se apresenta com o rapper ao lado de David Bovée. Figurinos e performance criam a atmosfera do show.

SHOWS INTERNACIONAIS

1º lugar: Nick Cave & The Bad Seeds/ Roger Waters

2º lugar: David Byrne

3º lugar: Against Me!/Anderson .Paak

O show da banda de rock alternativo Nick Cave & The Bad Seeds foi eleito um dos melhores. Foto: Fabricio Vianna

GUILHERME SOBOTA, repórter do Caderno 2

1º lugar: Nick Cave & The Bad Seeds. Uma bola já cantada. Depois de 29 anos de ausência, Nick Cave trouxe os Bad Seeds de volta a São Paulo, e no palco eles provaram como estão na melhor fase da carreira.

2º lugar: Anderson .Paak. Ainda desfrutando do sucesso do excelente álbum Malibu, ele provou por que é um dos nomes mais requisitados da onda rap/neo-soul dos Estados Unidos.

3º lugar: Connan Mockasin. O neozelandês é o que todo indie quer ser (e você pode julgar se isso é bom ou ruim). Mas o show que promete ele entrega com juros: nova psicodelia pura.

JULIO MARIA, repórter do Caderno 2

1º lugar: Roger Waters. O rock não morreu porque esse cara existe. Roger peitou o próprio público ao não abrir concessões em suas crenças e mandar ver em seu recado político pelo Brasil às vésperas das eleições Presidenciais.

2º lugar: David Byrne. Quebrou o conceito de show, criando uma movimentação nova para sua Banda, libertando-a dos lugares-comuns no palco, e investindo em novidade. Outro representante da velha guarda com muito a ensinar.

3º lugar: Phil Collins. Pela primeira vez trazendo uma turnê solo ao Brasil, ele veio fazer o que se esperava e acabou envolvendo a plateia em um grau maior do que apontava a expectativa. Showzaço.

MARCELO COSTA, editor do site Scream & Yell

1º lugar: Nick Cave & The Bad Seeds. São 45 anos de estrada (contando com o tempo em que era da banda Birthday Party), mas Nick Cave chegou ao Brasil no ápice de sua carreira para fazer um
show histórico.

2º lugar: David Byrne. A maioria do público que viu o show na edição deste ano do Lollapalooza nem havia nascido quando o Talking Heads fez história, mas David Byrne fez todo mundo dançar assim mesmo. Foi lindo.

3º lugar: Fito Paez. Veterano do rock argentino, Fito Paez lançou um discaço em 2017, ‘La Ciudad Liberada’, e o exibiu com maestria em meio a muitos clássicos da carreira,durante a apresentação em São Paulo.

TONY AIEX, editor e fundador do site Tenho Mais Discos que Amigos!

1º lugar: Roger Waters. Um dos maiores shows do planeta desembarcou por aqui nas controversas eleições presidenciais de 2018. Na apresentação, Roger Waters fez história ao dividir opiniões do Público.

2º lugar: Against Me!. A influente banda punk dos Estados Unidos veio pela primeira vez ao País com show cantado pelos fãs, a plenos pulmões, do início ao fim. E ainda mostrou o carisma da líder, Laura Jane Grace.

3º lugar: At The Drive-In. Ao se apresentar no Popload Festival, voltado ao indie/pop, o ATDI subiu ao palco com a fúria que lhe é familiar e deu uma aula do que falta nas bandas de rock hoje em dia.

EXPOSIÇÕES

1º lugar: Histórias Afro-atlânticas

2º lugar: Cecily Brown – Se o Paraíso Fosse Assim Tão Bom

3º lugar: Imagens Impressas: um Percurso Histórico pelas Gravuras do Itaú Cultural

Histórias Afro-atlânticas ocupou, simultaneamente, o Masp e o Instituto Tomie Ohtake. Foto: JF Diorio

ANTONIO GONÇALVES FILHO, editor do Aliás

1º lugar: Histórias Afro-atlânticas. Duas exposições importantes, uma no Masp e outra no Instituto Tomie Ohtake, sobre um único tema: as consequências do expansionismo europeu e da escravidão vistas pelos artistas.

2º lugar: Paulo Pasta, Lembranças do Futuro (Anexo Millan). Em exposição simultânea com o Instituto Tomie Ohtake, o pintor prova ser o artista mais habilitado para suceder Alfredo Volpi.

3º lugar: Imagens Impressas: um Percurso Histórico pelas Gravuras do Itaú Cultural. Exposição quase didática sobre a história da gravura desde o século 15, reunindo obras raras de grandes artistas.

KATIA CANTON, curadora, artista e escritora

1º lugar: Hilma Af Klimt. Foi uma exposição de exceção, surpresa e encantamento. O impacto de suas telas gigantes, sobre os ciclos da vida, as árvores místicas e a sustentação teórica da antroposofia, fizeram dessa a mostra mais marcante do ano.

2º lugar: Antonio Malta Campos. Admiro Malta pela consistência, amor e seriedade com que lida com a pintura. Vejo sua obra com uma singularidade que encanta e que se alterna abertamente no equilíbrio precário entre abstração e figuração.

3º lugar: Véio – A Imaginação da Madeira. Inesquecível a imagem daqueles desfiles escultóricos que se colocam à frente dos olhos e do coração. Um privilégio termos alguém como ele no nosso Brasil.

MARIO GIOIA, curador independente e crítico de arte

1º lugar: Mulheres Radicais: Arte Latino-americana, 1960-1985. Exposição coletiva de temática urgente, realizada com pesquisa aprofundada por time multinacional de curadoria. Reler a história da arte é resistir.

2º lugar: Histórias Afro-atlânticas. Uma exposição coletiva de fôlego, resultado de pesquisa pungente, aprimorando a abordagem crítica de recortes anteriores nessa nova fase da direção da instituição (Masp).

3º lugar: Cecily Brown – Se o Paraíso Fosse Assim Tão Bom. Toda a força da pintura contemporânea, assinada por artista internacional no auge – que, além desta mostra no Instituto Tomie Ohtake, ainda exibiu obras no espaço Auroras.

JÚLIA CORRÊA, repórter do Divirta-se

Cecily Brown – Se o Paraíso Fosse Assim Tão Bom. Exposição revelou devidamente ao público brasileiro a produção dessa grande pintora contemporânea, com todo o impacto de seus diálogos entre abstração e figuração.

Imagens Impressas: um Percurso Histórico pelas Gravuras do Itaú Cultural. Em um admirável arco temporal, a diversidade de técnicas aliada à riqueza de detalhes dos grandes mestres e de nomes menos conhecidos.

Irving Penn: Centenário. O primor visual da produção multifacetada do fotógrafo. Seja no universo das artes, seja no da moda ou no de suas viagens pelo mundo, um mestre em captar a essência daqueles que retratava.

GASTRONOMIA

1º lugar: Corrutela

2º lugar: Vista Restaurante

3º lugar: Barú Marisquería / Extásia

À frente da cozinha do Corrutela, o chef Cesar Costa prima pela sustentabilidade. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

BEATRIZ MARQUES, redatora-chefe da revista Menu

1º lugar: Corrutela. A sustentabilidade levada ao pé da letra, com grande ênfase nos orgânicos, muita qualidade técnica e uma boa dose de criatividade – o trabalho de Cesar Costa foi uma feliz surpresa para a gastronomia da cidade.

2º lugar: Vista Restaurante. Aquele restaurante que nos faz gostar mais de São Paulo: cozinha brasileira de alto nível de Marcelo Corrêa Bastos em ambiente charmoso, com impressionante vista para a cidade – a beleza deixa até paulistano boquiaberto.

3º lugar: Barú Marisquería. Dagoberto Torres traz, com competência, os sabores do mar para refrescar os paladares paulistanos. Pescados de qualidade em pratos simples e saborosos, de preços acessíveis, em ambiente despretensioso.

LUCINÉIA NUNES, repórter do Divirta-se

1º lugar: Corrutela. Tão importante quanto priorizar o orgânico e as ações sustentáveis é o resultado desse esforço à mesa. E o chef Cesar Costa acerta em cheio. Surpreende com pratos delicados e saborosos, e combinações inesperadas.

2º lugar: Vista Restaurante. A comida do chef Marcelo Corrêa Bastos – autor de uma deliciosa cozinha brasileira contemporânea – faz jus ao cenário no topo do edifício projetado por Oscar Niemeyer e com uma das vistas mais exuberantes da cidade.

3º lugar: Extásia. Flávio Miyamura imprime técnica a uma comida saborosa, criativa e instigante, com acento asiático e apresentações modernas. Vale provar de tudo – dos preparos crus aos pratos para compartilhar.

PATRÍCIA FERRAZ, editora do Paladar

1º lugar: Corrutela. É a inauguração mais importante. Cesar Costa juntou o conceito (ser artesanal ao extremo, o que inclui moer o trigo, o cacau e o milho para fazer farinha, chocolate e polenta), a criatividade e a celebração dos sabores.

2º lugar: Vista Restaurante. Grande cozinha brasileira de Marcelo Corrêa Bastos, com pratos bem executados à base de produtos de qualidade, e uma vista espetacular. De quebra, o melhor lugar para levar forasteiros.

3º lugar: Extásia. Flávio Miyamura dá um show de talento, criatividade e delicadeza com uma seleção de pratos autorais de sotaque asiático. É uma cozinha vigorosa. Um lugar que dá vontade de voltar sempre.

ROSA MORAES, diretora de Gastronomia da Laureate

1º lugar: Corrutela. Um cozinheiro de primeira demonstra que boa comida pode ser produzida de forma sustentável. Olhos na sazonalidade de produtos locais e pensamento no futuro do planeta são os seus diferenciais.

2º lugar: Vista Restaurante. Uma visão panorâmica que atrai clientes e privilegia os funcionários. O serviço ainda não está em rota de cruzeiro, mas a comida deliciosa do chef Marcelo Corrêa Bastos ameniza as turbulências.

3º lugar: Barú Marisquería. Um pedaço do mar, com pitada latina, no coração de São Paulo. Preparações simples e saborosas, bons produtos, e as técnicas do craque Dagoberto Torres formam uma atmosfera litorânea.

FILMES NACIONAIS

1º lugar: Arábia

2º lugar: O Banquete / Ferrugem

3º lugar: não houve

Ambientado em Ouro Preto (MG), drama Arábia tem Aristides de Sousa no elenco. Foto: Pique-Bandeira Filmes

HENRIQUE JANUARIO, editor da revista Monet

1º lugar: Ferrugem. Drama dirigido por Aly Muritiba. A trama expõe, com propriedade, uma geração extremamente informada e conectada que comete erros – às vezes, graves demais – apenas por falta de comunicação.

2º lugar: As Boas Maneiras. No filme dirigido por Juliana Rojas e Marco Dutra, a realidade social brasileira e o cinema fantástico são expostos de uma maneira completamente criativa e divertida.

3º lugar: A Mata Negra. Acostumado a trabalhar com baixos orçamentos, o diretor Rodrigo Aragão leva o terror nacional a outro nível, com qualidade de produção e sustos com cara de Hollywood e tempero brasileiro.

HUMBERTO ABDO, repórter do Divirta-se

1º lugar: O Banquete. De Daniela Thomas. Suor e ansiedade transbordam da tela e posicionam o público, quase à força, em um jantar repleto de intrigas, sedução e a presença vibrante de grandes atores – especialmente Drica Moraes e Chay Suede.

2º lugar: Chacrinha – O Velho Guerreiro. De Andrucha Waddington. Foge do estilo de roteiro exaustivamente cronológico, comum em filmes biográficos, e faz uma prazerosa viagem pela história da televisão brasileira. O elenco é certeiro.

3º lugar: O Beijo no Asfalto. Murilo Benício estreia como diretor e experimenta com a metalinguagem, mesclando cenas da trama e conversas entre os atores enquanto ensaiam suas falas. Uma combinação original e empolgante.

LUIZ CARLOS MERTEN, repórter e crítico de cinema do Caderno 2

1º lugar: Arábia. O grande filme do ano, e não apenas brasileiro. A prosódia mineira, a visão da classe trabalhadora, o amor, a morte. Revela um Brasil tão autêntico que surpreende saber que a origem é um relato de James Joyce.

2º lugar: Antes do Fim. Jean-Claude Bernardet propõe à mítica Helena Ignez um duplo suicídio, mas a vida é mais forte no belíssimo filme de Cristiano Burlan. O final, com a imagem superposta à dança de Kazuo Ono, é absolutamente mágico.

3º lugar: Paraíso Perdido. O policial, a trans e o paraíso que resiste – a boate que abriga todas as canções e histórias de amor. À diretora Monique Gardenberg deve-se o pequeno milagre – seu filme tem o melhor elenco brasileiro do ano.

LUIZ ZANIN ORICCHIO, crítico de cinema

1º lugar: Arábia. Drama dos diretores Affonso Uchôa e João Dumans. Um raro romance proletário, narrado em primeira pessoa, que acompanha as agruras do trabalhador não especializado no Brasil e sua condição de vida.

2º lugar: Benzinho. Do cineasta Gustavo Pizzi, o filme retrata uma família em que tudo (ou quase tudo) dá errado e não funciona, com exceção do afeto que liga os personagens. A atriz Karine Telles dá um show.

3º lugar: Quase Memória. Ruy Guerra, veterano do Cinema Novo, filma com o gosto de inovação de um menino. Aqui, faz uma criativa reflexão sobre o tempo, reinventando o romance homônimo de Carlos Heitor Cony.

FILMES INTERNACIONAIS 

1º lugar: Em Chamas

2º lugar: Ilha dos Cachorros / Você Nunca Esteve Realmente Aqui

3º lugar: não houve

Três indivíduos e um incidente misterioso compõem a trama de Em Chamas. Foto: Pandora Filmes

HENRIQUE JANUARIO, editor da revista Monet

1º lugar: Você Nunca Esteve Realmente Aqui. De Lynne Ramsay. Uma ótima e riquíssima atuação de Joaquin Phoenix em uma trama à Taxi Driver, que mostra como uma pessoa pode incorporar e se tornar a pior face de seus próprios traumas.

2º lugar: A Morte de Stalin. De Armando Iannucci. A conturbada sucessão de Joseph Stalin é abordada de forma irreverente, mas a tempo de mostrar que a luta pelo poder é tragicamente parecida em várias épocas e localidades.

3º lugar: Pantera Negra. De Ryan Coogler. Em meio à crise de representatividade em Hollywood, um filme com elenco majoritariamente negro se coloca entre os melhores e mais emocionantes filmes de heróis já feitos.

HUMBERTO ABDO, repórter do Divirta-se

1º lugar: Ilha dos Cachorros. Wes Anderson é o verdadeiro contador de histórias. Sua primeira animação prova que o talento não se restringe a formato ou público específicos. O apuro visual com cores e simetria, sua marca registrada, é um agrado extra.

2º lugar: Infiltrado na Klan. O tom absurdo de uma história real foi a oportunidade perfeita para Spike Lee fazer comentários mordazes sobre a cultura do racismo nos EUA – e apontar, a partir dela, alguns dos eventos mais recentes no país.

3º lugar: O Primeiro Homem. Damien Chazelle não disfarça a admiração por Neil Armstrong ao apostar em um foco pessoal que, assim como as cenas finais da viagem à Lua, torna a experiência ainda mais íntima e imersiva.

LUIZ CARLOS MERTEN, repórter e crítico de cinema do Caderno 2

1º lugar: Em Chamas. O triângulo mais perturbador do ano. O aspirante a escritor, o ricaço misterioso que tem um hobby incendiário e a mulher entre ambos. O sul-coreano Lee Chang-dong cria uma cena de dança genial. E o ator Yoo Ah-in é grande.

2º lugar: Roma. A história de uma família burguesa vista pelos olhos da doméstica. O mexicano Alfonso Cuarón jura que toda sua carreira foi uma preparação para esse grande filme. Produzido pela Netflix, chegou aos cinemas, o que não é pouco.

3º lugar: Maria Madalena. Rooney Mara, Joaquin Phoenix e a Paixão de Cristo pelo viés do empoderamento feminino. Garth Davis filma as esquinas perigosas da Judeia como nem Martin Scorsese conseguiu.

LUIZ ZANIN ORICCHIO, crítico de cinema

1º lugar: Em Chamas. De Lee Chang Dong, da Coreia do Sul. Um filme delicado e, ao mesmo tempo, impactante sobre um triângulo amoroso cujo vértice é uma misteriosa garota. Baseado num conto do escritor japonês Haruki Murakami.

2º lugar: Visages, Villages. De Agnès Varda. A grande Varda sai pelo interior da França em companhia de um fotógrafo para registrar pessoas e pequenas cidades. Um raio-X amoroso do país para mostrar que a França não se resume a Paris.

3º lugar: As Herdeiras. De Marcelo Martinessi, do Paraguai. A grande surpresa do ano, uma sofisticada história sobre duas senhoras. Humor leve, ironia, ternura e elegância são as marcas deste filme premiado.

TEATRO ADULTO

1º lugar: Love, Love, Love

2º lugar: Ítaca – Nossa Odisseia / Pi – Panorâmica Insana / Refúgio

3º lugar: Colônia

Débora Falabella e Yara de Novaes estrelaram Love, Love, Love, peça dirigida por Eric Lenate. Foto: Leekyung Kim

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, jornalista e crítica de teatro

1º lugar: Pi – Panorâmica Insana. O grande susto e o maior deleite dessa temporada em São Paulo. O talento criativo da diretora Bia Lessa explode a cena contemporânea sem negligenciar o prazer do espectador.

2º lugar: Love, Love, Love. O embate de gerações concebido pelo autor inglês Mike Bartlett é o material perfeito para Yara de Novaes brilhar. Uma atriz completa: apaixonada e apaixonante.

3º lugar: Odisseia. A Cia. Hiato aposta na mistura entre ficção e realidade apoiando-se no clássico de Homero. A montagem derrapa aqui e ali, mas não perde sua força.

LEANDRO NUNES, repórter do Caderno 2

1º lugar: Ítaca – Nossa Odisseia. Espetáculo da diretora carioca Christiane Jatahy, nascido no seio do francês Odéon-Theatre e com elenco mundial, é a emancipação da ilusão que o teatro do século 21 precisava para continuar existindo. Monumental.

2º lugar: Terceiro Sinal. Em uma única peça, Bete Coelho oferece sentido ao ofício do artista do palco, enobrece a dramaturgia do saudoso Otavio Frias Filho, e reforça a preciosidade de um patrimônio cultural chamado Teatro Oficina. Não é pouco.

3º lugar: Colônia. Gustavo Colombini nos poupa da avalanche anual dos chamados novos autores e eleva o potencial da dramaturgia frente aos desta geração. Teatro que dispensa dicionário e manual para ser revelado como obra.

CELSO CURI, crítico, curador e editor do Guia OFF de Teatro

1º lugar: Refúgio. Alexandre Dal Farra assina a provocante dramaturgia e a competente direção. Com um elenco arrebatador, a peça discute os significados de refúgio, tendo como disparador a cenografia de Marisa Bentivegna.

2º lugar: Peça para Adultos Feita por Crianças. A peça arrebata a plateia pelo frescor e profundidade da proposta apresentada de maneira divertida pelo elenco infantil, que propõe jogos para os adultos aprenderem a não serem chatos.

3º lugar: Colônia. Instigante espetáculo – com ares de conferência – coloca em discussão os significados da palavra colônia, incluindo o nome do manicômio de Barbacena, onde morreram mais de 60 mil pessoas.

JÚLIA CORRÊA, repórter do Divirta-se

1º lugar: Love, Love, Love. Com toda a força das atuações de Débora Falabella e Yara de Novaes, a montagem revelou a perfeita sintonia entre a direção cuidadosa de Eric Lenate e o texto afiado do inglês Mike Bartlett, sobre conflitos de gerações.

2º lugar: 887. Abordando o funcionamento de nossas memórias – das superficiais àquelas mais profundas –, o canadense Robert Lepage trouxe ao público brasileiro um solo de fôlego, comovente e, por vezes, perturbador.

3º lugar: Aproximando-se de A Fera na Selva. Mais um belo encontro entre o texto de Marina Corazza e a direção de Malu Bazán. Consistência ao desvelar a obra de Henry James, sua biografia e a de Constance Fenimore Woolson.

TEATRO INFANTIL

1º lugar: É Tudo Família! / Pedro e Quim

2º lugar: não houve

3º lugar: não houve

Pedro e Quim, espetáculo da Cia. Paideia, foi destaque na programação infantil. Foto: Thiago Leite

BIA ROSENBERG, diretora de mídia e produções infantis

1º lugar: Pedro e Quim. A visão de duas crianças na época nazista vivendo o que hoje corremos o risco de reviver: a intolerância às diferenças. O espetáculo é inspirado na história real de uma família judia alemã que imigrou para o Brasil em 1938.

2º lugar: É Tudo Família! Os novos formatos de família são apresentados sem julgamentos e com muita graça, do ponto de vista das crianças. Na história, os personagens devem responder, em forma de seminário, à pergunta: “O que é família?”

3º lugar: Telhado de Ninguém. Poesia sem palavras em espetáculo esteticamente bonito e com ótima história. A peça circense, musical e teatral é uma criação da Companhia do Polvo e tem direção de Mark Bromilow.

CLAUDIA OLIVIERI, editora do site bora.aí

1º lugar: Que Monstro Te Mordeu? Texto e direção de Carla Candiotto. Lindo e muito colorido, o espetáculo trata de temas super atuais – como bullying, fake news e o estranhamento a tudo o que é diferente – de forma leve e divertida.

2º lugar: Nem Sim Nem Não – Uma Peça de Teatro Infantil que Ninguém Pediu! Do casal de atores Graziella Moretto e Pedro Cardoso. Inteligente e interativa, trata de questões sérias sem menosprezar a inteligência da criança.

3º lugar: Circo Turma da Mônica – O Primeiro Circo do Novo Mundo. Toda a magia do circo e o carisma da turminha do cartunista Mauricio de Sousa em uma história encantadora para crianças e adultos.

DIB CARNEIRO NETO, Crítico do site Pecinha É a Vovozinha!

1º lugar: Contos Partidos de Amor. Espetáculo irrepreensível do Rio de Janeiro arrebata São Paulo ao retratar o verme do ciúme, inspirando-se na obra de Machado de Assis. Dirigido por Duda Maia e com direção musical de Ricco Viana.

2º lugar: Mary e os Monstros Marinhos. A Companhia Delas de Teatro, sempre brilhante, escolhe retratar a vida de uma cientista britânica, Mary Anning, para falar de desigualdade de gêneros – e acerta em cheio. Dirigido por Rhena de Faria.

3º lugar: Pedro e Quim. Com um tocante papo entre dois irmãos antes de dormir, a Cia. Paideia brilha como nunca em peça sobre intolerância e bullying. Dirigido por Amauri Falseti e com direção musical de Margot Lohn Kullock.

LUIZA JORGE, Consultora de projetos infantis

1º lugar: Carmen – A Grande Pequena Notável. Dirigido por Kleber Montanheiro e baseado no livro de Heloísa Seixas e Julia Romeu. Mostra com humor e sensibilidade a vida e obra da cantora Carmen Miranda desde sua infância.

2º lugar: É Tudo Família! Baseado na obra da autora alemã Alexandra Maxeiner. Com temática atual, o espetáculo aponta de maneira lúdica algumas reflexões sobre a diversidade dos novos modelos de família.

3º lugar: Bento Batuca. Dirigido por Edu Leão e Luciana Ramanzini. Contagia crianças e adultos ao apresentar a cultura afro-brasileira com música ao vivo e danças regionais – como frevo, capoeira e samba.

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