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Marina Abramovic abre calendário de grandes exposições na cidade – que, em 2015, verá Picasso, Miró e Kandinsky

Redação Divirta-se

05 de março de 2015 | 20h00

O ano na arte

Veja uma seleção de oito grandes mostras que devem arrastar multidões aos museus em 2015

Camila Molina e Celso Filho

As filas nas portas dos museus foram uma constante em 2014. Um panorama que provavelmente deve se repetir neste ano. A partir de terça (10), a trajetória da artista sérvia Marina Abramovic será contada de forma imersiva no Sesc Pompeia. A retrospectiva é a apenas a primeira das grandes mostras que chegam a São Paulo em 2015.

Das famosas telas do espanhol Pablo Picasso à cinematografia do francês François Truffaut, pelo menos oito megaexposições prometem repetir o sucesso de público do ano passado – quando as obras de Salvador Dalí e Yayoi Kusama atraíram mais de 1 milhão só ao Instituto Tomie Ohtake.

Abaixo, um panorama do que deve ocupar os principais museus e institutos da cidade, com as datas e as programações que você não pode perder.

 

Foto: Marina Abramovic Archives/Divulgação

Agir e contemplar

Marina Abramovic abre no Sesc Pompeia a maior retrospectiva de sua obra já realizada no País

“Sentar, ficar em fila e andar devagar são as três posições básicas do corpo humano”, diz a artista sérvia Marina Abramovic sobre os preceitos de seu ‘Método Abramovic’, o segmento mais curioso – e polêmico – de Terra Comunal, exposição que ela inaugura nesta terça (10), no Sesc Pompeia.

Figura histórica da arte da performance mundial, a artista propõe, na retrospectiva, uma imersão em sua obra, abrindo espaço para a experimentação. Aliás, melhor seria definir a mostra como um grande evento – por também convidar o público a exercitar atividades criadas por ela para ‘libertação’ do corpo e da mente.

Conhecida por realizar ações de longa duração – como a perigosa ‘Ritmo 0’ (1975), na qual colocou 72 itens sobre uma mesa (entre eles, um revólver) e ficou por seis horas à disposição dos visitantes de uma galeria de Nápoles, para que fizessem com ela o que quisessem -, Marina prefere agora, aos 69 anos, dar espaço ao outro. São oito artistas brasileiros que realizarão performances na exposição, mas os famosos trabalhos da criadora serão lembrados em instalações, vídeos e ‘Objetos Transitórios’ feitos com cristais.

Presença artística. Marina estará no Brasil durante toda a exposição. Na programação inicial, ela fará oito encontros com o público, em bate-papos informais no Teatro. O primeiro será na 4ª (11), às 20h – com retirada de ingressos a partir das 13h. Agora, embora a artista não tenha nenhuma performance oficialmente marcada, não se assuste se a vir no local nos próximos meses, fazendo interações. “Eu não
ficaria surpreso se ela aparecesse. Marina tem interesse em acompanhar a mostra muito de perto”, diz o curador Jochen Volz.

Visita por Marina. Além da maneira tradicional, o público poderá ver a exposição a partir do ‘Método Abramovic’. Antes de visitar o acervo, o visitante é instruído para uma série de exercícios meditativos, durante duas horas e meia, em uma sala com móveis e cristais. “É um método criado pela Marina para apreciar performances de longa duração, em uma experiência mais completa da mostra”, observa a artista e curadora Paula Garcia. É preciso se inscrever antes (http://oesta.do/mabramovic). São cinco sessões diárias, com cem vagas cada, de terça a sábado. Aos domingos, há quatro sessões.

Debates e performances. Na última semana, oito artistas participaram de um workshop com Marina. Durante cinco dias, eles praticaram exercícios, isolados em um sítio no interior do Estado. Agora, eles compõem a programação de performances da exposição. São ações de nomes como Paula Garcia, Ayrson Heráclito e Marco Paulo Rolla. Em outra área da mostra, um local chamado de ‘Espaço Entre’ (‘Space in Between’) servirá tanto para encontros e debates quanto para ações de outros artistas.

ONDE: Sesc Pompeia. R. Clélia, 93, 3871-7700. QUANDO: 10h/21h (dom. e fer., 10h/19h; fecha 2ª). Inauguração: 3ª (10). Até 10/5. QUANTO: Grátis.

Foto: Alan Zindman/Divulgação

As grandes de 2015

Sean Scully. A Pinacoteca abre em abril o seu calendário de 2015 com um panorama da obra de Sean Scully, referência na arte abstrata. São cerca de cem criações do irlandês, feitas a partir de 1970, como ‘Come and Go’ (acima), de 1981. Na época, também haverá uma mostra de José Rezende. Pinacoteca. Inauguração: 11/4.

Picasso. Antes de receber a badalada exposição de Wassily Kandinsky, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) fará uma homenagem a Pablo Picasso (1881-1973). Com peças do acervo do Museu Reina Sofía, da Espanha, serão expostas cerca de cem obras. Além das criações de Picasso, também haverá trabalhos de outros modernistas espanhóis, como Joan Miró e Salvador Dalí. CCBB. Inauguração: 25/3.

MASP. O museu tem passado por reformas. Apesar de a agenda ainda não estar oficialmente definida, o retorno ao projeto expográfico dos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi está previsto para outubro. O ano ainda poderá ter a exibição do acervo recém-adquirido do Foto Cine Clube Bandeirante.

Foto: Museu Estatal Russo/Divulgação

Kandinsky. Mais de 160 mil pessoas já visitaram a retrospectiva do pintor russo Wassily Kandinsky (1866- 1944) no Rio. A mostra ainda passa por Belo Horizonte, antes de chegar ao CCBB paulistano, em julho. São 156 peças que dão uma panorama de sua carreira – entre telas do artista e objetos pessoais e da cultura russa. Será possível ver o caminho traçado por Kandinsky desde suas primeiras incursões pelas artes plásticas até sua fase mais abstrata. Em uma sala multimídia, o visitante poderá ter uma experiência de imersão em uma das telas do artista, com o uso de óculos 3D. CCBB. Inauguração: 9/7.

Miró. O Instituto Tomie Ohtake bateu seu recorde de público no ano passado. Em maio, o espaço exibe um grande acervo de obras de Joan Miró (1893-1983; foto). São 40 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos e 25 gravuras, abordado sua produção artística entre os anos 1920 e 1970. Em setembro, o local também recebe uma mostra de Frida Kahlo. Instituto Tomie Ohtake. Inauguração: 21/5.

MAC-USP. Sem ‘blockbusters’, o Museu de Arte Contemporânea apresenta, ainda este mês (a partir do dia 28/3), obras do fotógrafo norte-americano Roger Baller e uma grande mostra de gravura, com criações de Evandro Carlos Jardim e Oswaldo Goeldi (1895- 1961). Para o fim do ano, ainda está prevista uma exposição de Nam June Paik, em parceria com a produtora Base 7.

Foto: Divulgação

Guignard. Infelizmente, o MAM não vai mais receber a mostra com o acervo latino-americano da Fundação Guggenheim. No entanto, entre os destaques do ano, está uma mostra de Alberto da Veiga Guignard (1896- 1962). MAM. Inauguração: 8/7.

Acervo da Tate Modern. A parceria com a Tate Modern resultou na mostra Mira Schendel, em 2014. Agora, com apoio do British Council, a Pinacoteca recebe telas do instituto de Londres. Em Paisagens da Mente: Pinturas de Paisagens Britânicas (1700- 1990), serão expostas obras de William Turner e John Constable (foto), entre outros. Pinacoteca. Inauguração: 18/7.

Truffaut. O destaque do ano no MIS é a exposição da Cinemateca Francesa em homenagem ao cineasta François Truffaut (1932-1984). Com uma cenografia especial, ela vai reunir documentos, fotografias e trechos de filmes, além de uma retrospectiva com as obras do francês no Caixa Belas Artes. O museu também prevê mostras sobre Tim Burton, em 2016, e sobre Renato Russo, em 2017. MIS. Inauguração: julho.

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