John Lennon no MIS: confira dez momentos imperdíveis da exposição
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John Lennon no MIS: confira dez momentos imperdíveis da exposição

Redação Divirta-se

12 de março de 2020 | 16h48

Danilo Casaletti, especial para o Estado

MIS inaugura megaexposição de fotos que traduzem a intimidade do músico em Nova York

Ao caminhar pela primeira vez na exposição John Lennon em Nova York por Bob Gruen que o MIS inaugura nesta sexta-feira (13), o fotógrafo americano Bob Gruen parou em frente a uma das fotos exibidas na mostra – são 130 no total – , olhou afetuosamente para ela, e suspirou. A imagem faz parte da série que ele registrou dois dias antes do músico ser assassinado em Nova York, em dezembro de 1980. Nela, Lennon, abraçado a Yoko Ono, usa uma boina azul, óculos escuros e veste uma jaqueta com gola vermelha.

A cena surpreendeu a mim e ao restante da equipe do Estado, que visitava a exposição na terça-feira (10) – a visita de Gruen não estava programada, a exposição ainda estava em processo de montagem – e reforça a cumplicidade e o afeto existentes entre ele, Lennon e Yoko. A conexão se estabeleceu logo que o casal se mudou da Inglaterra para a cidade norte-americana, em 1971, um ano após do fim dos Beatles.

As várias faces de John Lennon. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Para dar forma à mostra aqui no Brasil, o MIS convidou o jornalista Ricardo Alexandre, autor de livros como Nem Vem Que Não Tem: A Vida e o Veneno de Wilson Simonal e Dias de Luta: o Rock e o Brasil nos anos 80. A ideia era elaborar um roteiro que amarrasse as fotos selecionadas pessoalmente por Gruen. Com isso, além de ganhar uma configuração inédita, diferente das que foram exibidas em outros países, a exposição foi dividida em sete áreas temáticas, apresentadas em ordem cronológica. Entre elas, New York City, de 1971 a 1973, época que John e Yoko tiveram problemas com a imigração, e Dono de Casa, de 1975 a 1980, quando Yoko ficou grávida do filho Sean e o artista resolveu se afastar da vida pública para cuidar da família.

“A minha preocupação foi recuperar as cores dos acontecimentos daquela época em que a história tende a banalizar com o tempo”, diz Alexandre, ao citar, por exemplo, a importância de Lennon deixar sua confortável casa em Londres para, em um primeiro momento, viver em um apartamento de dois quartos em Nova York. “É o John humano, amadurecendo aos olhos do público. Isso Gruen soube captar”. John Lennon em Nova York por Bob Gruen fica em cartaz até 7/6, no MIS. Av. Europa, 158, Jd. Europa, 2117-4777, 10h/20h; dom. e fer.,10h/19h. R$ 20.

Gruen posou junto a uma das fotos mais famosas que fez do músico. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

1. A Grande foto. Ao entrar na exposição, o espectador vê um enorme painel que traz Lennon fazendo o “V” de vitória aos pés da Estátua da Liberdade. A imagem é, na verdade, uma crítica, já que o músico estava ameaçado de deportação. Quem tiver a mesma destreza do fotógrafo Tiago Queiroz, do Estado, pode achar o ângulo certo para ficar ombro a ombro com Lennon.

2. Pela cidade. Um mapa interativo mostra por onde Lennon andou em Nova York. Ao tocar na tela, o visitante descobre, por exemplo, a localização do primeiro apartamento em que Yoko e ele moraram na cidade, na 105 Bank Street. Ou encontrar o hotel Delmonico, onde os Beatles se hospedaram. Basta, então, traçar seu roteiro para uma futura viagem temática à cidade.

3. Mensagens. Ao longo da exposição, bottons colados na parede trazem mensagens que relembram o espírito da década de 1970 – e os propósitos de Lennon. “Dê uma chance à paz”, “A guerra acabou” e “Poder aos estudantes” são algumas delas. Tudo bastante atual. Vale reparar também em uma área em que as paredes são revestidas de jeans, tecido que se popularizou naqueles anos.

Bottons trazem mensagens dos anos 70. Foto: Tiago Queiroz

4. As famosas. O britânico John Lennon vestindo uma regata em que se lê “New York City” estampado. Hoje icônica, a foto foi tirada por Bob Gruen em 1974, para a divulgação do álbum Walls and Bridges. A ideia da camiseta foi do fotógrafo, que a comprou por poucos dólares. A imagem surge em várias versões e mostra o músico bastante à vontade, na cobertura de um prédio.

5. Óculos. Outra composição que chama a atenção é a série de fotos feitas para o encarte do mesmo Walls and Bridges. Nelas, Lennon aparece brincando com seus óculos redondos, uma de suas marcas, mostra língua, faz caretas e sorri. A sensação, ao ver as fotos, é de estar frente a frente com Lennon.

6. Os Negativos. Em uma grande mesa, uma série com cópias dos negativos das fotografias que Gruen tirou de Lennon ao longo dos anos pode ser manuseada. Com uma lupa, é possível encontrar fotos que não estão ampliadas na exposição.

Para manusear, as reproduções do negativos das fotos. Foto Tiago Queiroz

7. Em Família. Entre 1975 e 1980, Lennon se afastou da vida pública para acompanhar o nascimento de seu filho Sean e se dedicar à família que formou com Yoko. As fotos de Gruen e a cenografia desse trecho, todo branco, sugerem que o músico havia encontrado a paz que procurou (e cantou).

8. Yoko. Para o desespero de alguns beatlemaníacos, a fase em que Lennon viveu em Nova York está, inevitavelmente, ligada à companhia de Yoko – acusada por muitos de causar a discórdia entre os Beatles. A intimidade fica evidente na mostra, que traz diversas fotos dele ao lado da companheira de vida afetiva e artística. Em uma delas, Lennon está em um estúdio e, em uma cena de total cumplicidade, Yoko está deitada em um sofá ao lado da mesa de som, tricotando.

Lennon e Yoko em foto que está na mostra. Foto Tiago Queiroz

9. Central Park. Em uma das salas mais emocionantes da mostra, uma área do Central Park, espécie de segunda da casa de Lennon e Yoko em Nova York, é reproduzida com seus bancos, cores e luzes. O famoso mosaico no Strawberry Fields, uma homenagem que o músico recebeu depois de sua morte, também está lá. Um local no qual os visitantes poderão sentar, sentir o clima de amor entre o casal e ver projetado no teto um tributo que Yoko fez para o filho e o marido.

Ainda em montagem, a reprodução do Central Park e do mosaico ‘Imagine’. Foto: Tiago Queiroz

10. O fotógrafo. Bob Gruen recebeu uma homenagem na montagem do MIS. Uma loja fictícia que leva o seu nome abriga discos, camisetas e cartazes com fotos que ele tirou ao longo da carreira. São produtos de artistas como Ramones, Kiss, Sex Pistols, entre outros. O garimpo impressiona: discos reais, por exemplo, estão expostos como em qualquer loja do gênero. Durante a visita que fez à mostra, Gruen se surpreendeu com alguns objetos que encontrou por lá. Perguntou como a produção havia encontrado o material. As camisetas, em particular, encantaram o fotógrafo.

A loja fictícia em homenagem a Bob Gruen. Foto: Tiago Queiroz

ALÉM DA MOSTRA

Conversa com Bob Gruen
Uma oportunidade para os fãs de Lennon ficarem ainda mais perto de seu legado é no bate-papo com o fotógrafo Bob Gruen, autor das imagens em exibição – ele também vai autografar 170 catálogos da exposição. Gruen, além da ligação com Lennon, fotografou importantes nomes do rock mundial, como Led Zeppelin, The Who, David Bowie, Aerosmith, Kiss… Sáb. (14), 14h. Grátis (retirar senha 1 hora antes).

Bate-papos temáticos
Organizadas pelo Educativo MIS, as rodas de conversa têm como objetivo inserir o público no universo da mostra. Com duração de 30 minutos, elas podem ser acompanhadas antes ou depois da visita. Os temas são variados: Beatles para iniciantes (25/3), John solo (1º/4), John e a Política, (8/4), Yoko Ono (15/4) e Bob Gruen (22/4). 15h. Grátis

Cinematographo Especial
A atração do museu, que exibe filmes musicados ao vivo, ganha uma edição especial relacionada a Lennon, ou melhor, aos Beatles. A animação Yellow Submarine, lançada em 1968, baseada em canções do grupo de rock inglês, está na programação do mês de abril. 19/4, 15h. R$ 20. Ingressos: sympla.com.br

Mostra de Filmes
Entre os títulos escolhidos, Os Reis do Ie Ie Ie – ou A Hard Day’s Night, em título original – foi lançado em 1968 e flagra o auge da beatlemania. Já Yesterday, longa de 2019, dirigido por Danny Boyle, conta a inusitada história de um cantor que, após sofrer um acidente, acorda em uma realidade em que só ele se lembra dos Beatles. Há outros filmes programados. 14 a 17/4. Grátis; mis-sp.org.br

Visita mediada
O MIS tem visitas mediadas por educadores que recebem grupos de 10 a 40 pessoas e dura 90 minutos. Há opções em português ou inglês. Os interessados precisam fazer o agendamento no site da instituição.

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