Jogando a carapuça
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Jogando a carapuça

Redação Divirta-se

10 de setembro de 2020 | 16h27

Toda semana, Renata Mesquita reprova os absurdos vistos por aí nessa nova rotina imposta pela pandemia

Renata Mesquita

Não vamos nos enganar, está todo mundo confuso sobre se podemos ou não sair de casa. Por mais que você fale, escreva e milite que devemos continuar de quarentena (me coloco nesta turma), a tentação de fazer algumas pequenas indulgências da vida “normal” surge no nosso imaginário a cada dia de forma mais real. E está tudo bem, meu bem. Afinal, somos humanos e precisamos da troca com o outro e do contato físico. É, afinal, uma questão fisiológica (ainda que, ao mesmo tempo, esteja uma delícia poder ficar em casa 99% do tempo e, pela primeira vez, ter a melhor desculpa para isso).

Aqui do meu confinamento – já bem menos confinado do que em meados de junho –, ao ver as pessoas lotarem as praias e bares nos últimos fins de semana, minha reação é de horror – mando fotos e notícias nos grupos de amigos e comento: “Meu Deus, o povo está muito louco mesmo, que absurdo”, e uma enxurrada de mensagens no mesmo teor seguem em resposta.

Mar de guarda-sóis em Ipanema no feriado de 7 de setembro. Foto Wilton Junior/Estadão

Sejamos sinceros, criticamos, sim. Mas, no fundo, o que sinto é que o exagero dos outros libera nós mesmos para pequenos “abusos”, menos, digamos, agressivos. “Só vim encontrar uma amiga na casa dela para tomar um vinho, ela num sofá e eu no outro, que mal tem?” PS.: Frase no mesmo grupo que criticou as aglomerações nos bares da Vila Madalena. Lá em maio você faria isso? Provável que não.

Os limites estão confusos sim, e no fundo no fundo (e sem políticas e diretrizes públicas unificadas fica ainda mais difícil, cof, cof…) sabemos bem o que devemos fazer (usar máscaras o tempo todo, manter um distanciamento, evitar aglomerações…). Não é jogar a toalha para cima só porque o outro jogou. Sinta-se reprovado quem a carapuça servir.

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