João de açúcar
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João de açúcar

O médium mastigava copos de 'vidro' em frente às pessoas que questionavam sua mediunidade...

Redação Divirta-se

27 de junho de 2020 | 11h16

Por Murilo Busolin. @murilobusolin em todas as redes sociais.

Em 7 de dezembro de 2018, o programa Conversa com Bial (Rede Globo) dava início ao que pode ser considerado um dos maiores escândalos sexuais do Brasil. A coreógrafa holandesa Zahira Lieneke Mous e a americana Amy Biank, únicas mulheres que decidiram mostrar o seu rosto diante das câmeras, acompanhadas de vítimas que se sentiram constrangidas em se identificar, acusaram o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, de abuso sexual.

Semanas após a exibição da entrevista, quase 400 denúncias foram feitas contra João. E foi partir desse momento que surgiu a produção Em nome de Deus, série documental disponível na Globoplay desde a última terça, 23, dividida em seis episódios e que revela as farsas do famoso médium.

João conseguiu esconder incontáveis abusos sexuais e outros crimes por 40 anos. Como? Pedro Bial, o próprio produtor do documentário, levanta a questão em uma das cenas. “O fato é que, revendo a trajetória de João de Deus, você vê que ele deixou pistas e rastros dos seus malfeitos, mas nada acontecia. Era como se as pessoas não vissem, ou não quisessem acreditar.”

A roda de depoimentos reuniu sete vítimas pela primeira vez. Cenas emocionantes. FOTO: Reprodução/RedeGlobo

A produção é baseada nas histórias – com muito zelo nos sórdidos detalhes – de sete vítimas, que ainda não tinham se identificado publicamente (exceto por Zahira), e que se encontram pela primeira vez no mesmo estúdio em que foi gravado o fatídico programa de entrevistas de Bial que culminou nas centenas de denúncias e, consequentemente, na prisão de João de Deus.

Depoimentos emocionantes que incluem desde a participação da apresentadora Xuxa até o relato horripilante de uma das filhas do médium (abusada desde os 10 anos) constroem cada episódio, com cerca de 40 minutos a uma hora de duração.

Xuxa foi uma das inúmeras celebridades que acompanharam o trabalho de João. Ela se desculpou em postagens logo após as primeiras denúncias. FOTO: Reprodução/RedeGlobo

O homem que “fazia milagres” na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (interior de Goiás), construiu seu próprio império, viajou o mundo para disseminar a sua suposta cura, recebeu milhares de estrangeiros e passou quatro décadas completamente ileso graças a uma rede de proteção que envolvia policiais, políticos e celebridades.

O documentário é recheado de cenas explícitas das famosas cirurgias espirituais, que envolvem bisturis cortando pedaços de pele, tesouras entrando nas narinas de pacientes e até ações menos bruscas, mas igualmente irresponsáveis, como o caso em que João orientou um dançarino americano com aids a parar de tomar suas medicações, pois seria “curado” pelo médium. Sem o tratamento adequado, ele acabou morrendo.

Uma das filhas de João de Deus foi abusada aos 10 anos. FOTO: Reprodução/RedeGlobo

Um detalhe curioso foi revelado por um sobrinho-neto do abusador: João de Deus mastigava copos de vidro em frente às pessoas que questionavam sua mediunidade. Os copos eram feitos de cristais de açúcar para causar mais uma de suas falsas impressões.

Os objetos se dissolviam rapidamente – como aconteceu com sua imagem de quase santo, a partir de 2018. Lembre-se: ligue 180 para casos de assédio e violência. Você não está sozinha.

João mastigava copos de ‘vidro’ na frente de quem duvidava de sua mediunidade.

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