Ícone do modernismo, Paul Klee ganha primeira grande exposição no Brasil
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Ícone do modernismo, Paul Klee ganha primeira grande exposição no Brasil

Júlia Corrêa

07 de fevereiro de 2019 | 17h00

Retrospectiva no CCBB reúne 120 trabalhos do artista suíço; confira detalhes da mostra e uma entrevista com a curadora

No caminho que trilhou nas artes, o suíço Paul Klee (1879-1940) chegou a estabelecer contato com correntes como o expressionismo e o cubismo, mas permaneceu sempre independente em relação a esses movimentos. É essa autonomia de estilo que a exposição Paul Klee – Equilíbrio Instável busca evidenciar, por meio de 120 pinturas, papéis, gravuras, desenhos e objetos vindos do Zentrum Paul Klee de Berna, na Suíça.

Foto 1

Lembrando que Klee consagrou-se, entre outros aspectos, pelo tenso equilíbrio que buscava criar entre formas elementares, a mostra destaca seus passos singulares rumo à abstração e à contestação da pintura tradicional.

Foto 2

Há desde desenhos da juventude, como nus, até obras que revelam influência de nomes como Kandinski, de quem foi colega quando atuou como professor da Bauhaus, na Alemanha, país onde foi perseguido pelo nazismo.

Entre trabalhos conhecidos e raros, ganham destaque, por exemplo, um fac-símile de ‘Angelus Novus’, desenho que inspirou texto do filósofo Walter Benjamin, assim como fantoches que fez para seu filho entre 1915 e 1925.

Foto 3

ENTREVISTA

O Divirta-se conversou com a curadora da mostra, a suíça Fabienne Eggelhöfer.

A mostra foi pensada para o Brasil. Quais foram os critérios para a seleção das obras?
Uma vez que será a primeira grande exposição de Paul Klee no Brasil, nós decidimos organizá-la no formato de uma retrospectiva. A mostra permitirá que o público conheça seu desenvolvimento artístico e também tenha acesso a importantes aspectos de sua obra, como seu interesse pelo teatro, seus comentários políticos ou a série de desenhos com a temática dos anjos.

Você acredita que a produção de Klee dialoga com o modernismo brasileiro?
Sim, acredito que ressoa em artistas como Lasar Segall, Alfredo Volpi e até mesmo nos neoconcretos. Mais estudos precisam ser feitos. Espero que a mostra desperte o interesse para a pesquisa de mais relações como essas.

A exposição inclui obras raras de Klee. Quais delas você destacaria? Por quê?
Eu destacaria especialmente uma pequena pintura intitulada ‘Struck from the List’, que Klee produziu em 1933, no período em que foi perseguido pelo regime nazista. A obra é muito singela, mas expressa claramente como ele se sentia. Também destacaria a última pintura criada por ele, que ainda estava em um cavalete de seu estúdio quando ele morreu. É uma natureza-morta na qual ele combinou os aspectos mais importantes de sua obra.

Klee tinha um estilo difícil de ser classificado. Como a mostra evidencia essa independência do artista?
Em cada seção, o público descobrirá um Klee diferente – e é exatamente isso que faz a mostra ser tão interessante.

ONDE: CCBB. R. Álvares Penteado, 112, Centro, 3113-3651. QUANDO: Inauguração: 4ª (13). 9h/21h (fecha 3ª). Até 29/4. QUANTO: Grátis.

* FOTO 1: Paul Klee | “O” Breites Format, 1915, 254 | “O” Wide Format | “O” Formato Largo | Aquarela e lápis sobre papel revestido sobre cartão | 10,5/10 x 29,6 cm | Zentrum Paul Klee, Berna, doação de Livia Klee

* FOTO 2: Paul Klee | Rot-Aug, 1939, 129 | Red Eye | Olho vermelho | Aquarela sobre papel revestido sobre cartão | 26,8 x 42,1 cm | Zentrum Paul Klee, Berna

* FOTO 3: Paul Klee | ein Antlitz auch des Leibes, 1939, 1119 | A Face of the Body, Too | Um rosto também do corpo | Cola colorida e óleo sobre papel sobre cartão | 31 x 23,5 cm | Zentrum Paul Klee, Berna, doação de Livia Klee

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