Hope, a cadela terapeuta
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Hope, a cadela terapeuta

Redação Divirta-se

15 de junho de 2020 | 03h00

Cris Berger

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Cão-cupido

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Quando a médica oncologista pediátrica do Instituto Nacional do Câncer Infantil Bianca Amorim Santana contou o motivo que fez a golden retriever Hope entrar na sua vida, senti um nó na garganta.

Davi tinha nove anos quando o câncer o levou. Seu último pedido? Abraçar seu cachorro. “Quando eu disse para o Davi que não podíamos ir até a casa dele, pois era muito longe, buscar seu cão, ele pediu para ver qualquer cachorro e não entendeu não termos um no hospital”, relatou a médica, que ama cães.

Hope é terapeuta no Instituto Nacional do Câncer Infantil. FOTO: Arquivo pessoal

 

Naquele dia, o amor por cachorros falou mais alto, e a chegada da Hope começou a ser planejada. Ela buscou um canil que tivesse cães dóceis e calmos e escolheu o filhote mais tranquilo da ninhada. Ao completar dois meses, começou a adestrá-lo para que se tornar um cão terapeuta. O que ela não sabia é que Hope também seria um grande apoio emocional para as enfermeiras, médicos e funcionários do hospital.

A grande estreia

Finalmente, chegara o momento de a cachorrinha conhecer seu local de trabalho. Foi à paisana, apenas para fazer reconhecimento de campo e cheirar todos os cantinhos. Chegou ao INCA no final de tarde e quem já deveria ter ido embora, ainda estava lá. Os médicos intensivistas pararam seus trabalhos para conhecer a nova integrante da equipe, que chegava para ajudar os doentes em busca de cura e os médicos a enfrentar a pressão psicológica. Nenhum nome poderia ter sido mais adequado: Hope, esperança em inglês, chegava trazendo o que todos mais precisavam: fé.

Em tempos de covid

Duas vezes por semana, Hope ia ao hospital. Até que chegou a covid-19 e, com ela, restrições mais severas. Sua atividade foi suspensa momentaneamente, mas isso não impediu que se afastasse dos amigos. No aniversário da dra. Sima Ferman, chefe do departamento, fez parte do “parabéns a você” pelo Zoom. Volta e meia, aparece nos vídeos com a médica intensivista Daniela Gazi, isolada desde o começo da epidemia por ter uma doença autoimune, e dá uma lambida na tela.
Talvez o momento mais importante de Hope na vida dos profissionais da linha de frente tenha sido o encontro com o dr. Flávio Andrade, também médico oncologista pediátrico. Havia sido uma semana longa e dura para ele, que estava cuidando de três casos terminais ao mesmo tempo – um deles era seu paciente há 13 anos. Só a doçura da Hope para tornar suportável a perda do menino que virou adulto, formou-se em biomedicina, era sempre tão gentil, mas teve sua vida interrompida por um sarcoma de Ewing.

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