‘Hannah’, de Andrea Pallaoro, traz à tona dilemas da vida cotidiana
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

‘Hannah’, de Andrea Pallaoro, traz à tona dilemas da vida cotidiana

André Carmona

12 Julho 2018 | 15h33

Charlotte Rampling protagoniza o longa. Foto: Jour 2 Fête

Hannah, personagem-título do novo filme de Andrea Pallaoro, é uma mulher solitária, que chega à terceira idade com angústias e tristezas acumuladas ao longo de toda uma vida. Para ir à casa onde trabalha como empregada doméstica, pega diariamente o metrô. Ali, como todos, observa e é observada, sempre em silêncio. Interações, aliás, são escassas em seu cotidiano. Ela não tem com quem conversar. Às vezes, para descontrair, vai ao clube nadar. Em outros momentos, relaxa durante as aulas de teatro. Mas Hanna, acima de tudo, é anônima. Uma senhora comum.

No decorrer da trama, vamos descobrindo alguns detalhes de sua história. Seu marido cumpre pena em uma penitenciária, embora não se saiba o motivo. E ela tem, contra sua vontade, uma relação distante com o filho e com o neto. Nenhuma informação, porém, é destrinchada pelo diretor. Tudo transcorre de forma natural, como se fôssemos espiões (ou voyeurs) de uma personagem que, à primeira vista, não tem nada de especial. E esta é a principal característica do filme, muito bem conduzido por Pallaoro, que nos convida a acompanhar uma vida corriqueira, mas também complexa e desafiadora.

A carga dramática da produção ganha força na interpretação da atriz Charlotte Rampling. Assistimos às suas expressões e aos seus olhares, pesados e exaustos, por meio de reflexos – seja do espelho do banheiro, do vidro do carro, da janela do metrô. É assim que o diretor transforma a protagonista numa heroína da vida real.

Confira salas e horários de todos os filmes em cartaz no Guia de Cinema do Divirta-se

 

Mais conteúdo sobre:

cinemaDivirta-seEstadãoHannah