Bons hambúrgueres vegetarianos para provar em lanchonetes de São Paulo
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Bons hambúrgueres vegetarianos para provar em lanchonetes de São Paulo

Marina Vaz

24 de outubro de 2019 | 14h34

Vegetariana há 18 anos, a editora do Divirta-se, Marina Vaz, indica alguns dos melhores hambúrgueres sem carne da cidade

+ Ir a uma hamburgueria – quem diria? – acabou se tornando a escolha gastronômica mais fácil para mim e para os onívoros que me rodeiam. Isso porque a oferta de hambúrgueres vegetarianos em casas não vegetarianas cresceu muito na cidade, nos últimos anos. Quando parei de comer carne, há mais de 18 anos, ela era praticamente inexistente.

De tanto provar lanches do tipo, acabei virando meio especialista no assunto. Aprendi a fugir das óbvias versões de soja, a explorar receitas de grão-de-bico, berinjela, abóbora… Descobri opções tão boas que podem agradar até aos maiores amantes de carne. Durante uma semana, (re)visitei vários lugares, almoçando e jantando hambúrguer por dias seguidos. E também convidei Diego Ortiz, editor do site do Jornal do Carro e “carnívoro” convicto, para provar um dos sanduíches que indicamos aqui.

Confira, a seguir, algumas boas opções para provar em lanchonetes paulistanas.

Raw Burger N Bar

‘Beet N Avocado Crush’, do Raw Burger N Bar. Foto: Julia Guedes.

+ Foi no Raw Burger N Bar que me senti mais acolhida como vegetariana. No cardápio recém-lançado, há oito hambúrgueres sem carne, sendo três deles veganos, sem qualquer ingrediente de origem animal. Até o preparo é feito em cozinha separada dos demais. Receitas criativas surpreendem pela combinação de texturas, cores e sabores, como é o caso do ‘Beet N Avocado Crush’ (R$ 29; foto), um burguer de beterraba com muçarela, abacate e crispy de alho-poró, servido num brioche com lascas de amêndoas. Outra opção que adorei foi o ‘Smashing Pumpkins’, com disco feito de abóbora e tapioca, muçarela, tomate cereja e rúcula no pão tipo brioche (R$ 29). Para acompanhar, a ‘The Raw Fries’ é capaz de conquistar até quem, como eu, não é fã de batatas chips – temperadas com alecrim, alho e lemon pepper, são servidas com maionese de limão-siciliano (R$ 19). R. Aspicuelta, 176, V. Madalena, 97430-6260. 12h/0h (dom., 12h/23h; fecha 2ª).

Muda Organic Burger & Bar

‘Smash Pumpkin’, do Muda Organic Burger & Bar. Foto: Marina Vaz/Estadão.

+ Nos copos biodegradáveis do Muda Organic Burger & Bar, simpáticos dizeres anunciam sua procedência: “Já fui mandioca!”. A sustentabilidade também aparece nos ingredientes orgânicos, usados, inclusive, nas três opções sem carne. Minha aposta foi no vegano ‘Smash Pumpkin’ (R$ 28; foto), um hambúrguer de abóbora com agrião, tomate assado, maionese e muçarela veganas, servido num pão… de abóbora. Pode soar repetitivo, mas é delicioso. Por mais R$ 10, ele vem com bebida e as bem temperadas batatas ‘As Originais’, com alecrim e páprica. Os molhos caseiros – em especial, o barbecue de goiabada – são atração à parte. E, para fechar, o ótimo sorvete de caramelo salgado, que nem parece vegano (R$ 14). Av. Brig. Faria Lima, 2.885, Jd. Paulistano, 3078-2293. 12h/15h30 e 18h/23h (4ª, até 0h; 5ª, até 1h; 6ª e sáb., 12h/1h; dom., 12h/23h).

Paulista Burger

‘Lanche da Nona’, na versão com hambúrguer de berinjela, do Paulista Burger. Foto: Alex Silva/Estadão.

+ Foi por conta do sanduíche aí de cima que me especializei (viciei?) em hambúrgueres vegetarianos. Já o provei mais de dez vezes. E, sem modéstia, essa delícia foi criação minha. Acontece que, no Paulista Burger, você pode incluir o hambúrguer de berinjela em qualquer receita da casa. E pode também trocar o pão. Comecei optando, no menu, pelo ‘Lanche da Nona’ (R$ 28) – o pesto de manjericão e a rúcula (em vez do sem graça alface) tiveram importância decisiva na escolha, que leva ainda muçarela de búfala e tomate. Um dia, substituí o pão tradicional pelo ‘12 Grãos Vegano’. Noutra vez, o garçom me ofereceu uma versão com um ‘queijo’ sem leite. E eu, que nem sou vegana, achei que ficou ainda melhor. O atendimento sempre rápido e gentil completam a experiência. R. Augusta, 1.499, Consolação, 4564-5503. 11h30/16h e 17h/0h (6ª, até 1h; sáb., 12h/1h; dom., 12h/0h).

D.I.F. Burger

‘D.I.F. Falafel’, servido no D.I.F. Burger. Foto: Marina Vaz/Estadão.

+ Dentro do Bkin, um simpático espaço gastronômico ao ar livre na região do Brooklin, fica o D.I.F. Burger, aberto há cerca de um ano. Quando olhei, pela primeira vez, aquela estreita porta-balcão – em que dois profissionais se revezam para anotar, cobrar e entregar os pedidos e para preparar os hambúrgueres –, não imaginava que, dali, sairia um dos melhores hambúrgueres vegetarianos que já provei. No enxuto cardápio, há quatro opções fixas, duas delas sem carne. Meu eleito foi o ‘D.I.F. Falafel’ (R$ 22; foto), com um crocante e bem temperado bolinho de grão-de-bico frito, servido no brioche, com pasta de berinjela assada e molho de iogurte com hortelã. Av. Padre Antônio José dos Santos, 1.188, Cidade Monções, 93230-8730. 12h/23h (3ª, 12h/ 15h; dom., 13h/20h; fecha 2ª).

Jazz Restô & Burgers

‘The Rocket’, do Jazz Restô & Burgers, com hambúrguer feito de aveia e escarola. Foto: Edu Salgado.

+ Apresentações de jazz; um menu que lista 16 sanduíches (quatro deles vegetarianos, que podem ainda ser transformados em veganos); e uma inesperada carta de drinques e cervejas sem álcool. Assim é o Jazz Restô & Burgers, uma das primeiras casas que vi dedicar parte do cardápio a versões de hambúrgueres sem carne. Entre eles, o ‘The Rocket’ (R$ 25; foto) é escolha certeira. À base de aveia e escarola, é servido no pão australiano, com tiras de alface, tomate seco, muçarela de búfala e um incrível molho vinagrete – que faz toda a diferença no sabor. Lgo. Dona Ana Rosa, 33, metrô Ana Rosa, 2369-1453. 11h30/23h (6ª, 11h30/15h; sáb., 19h/0h; dom., 12h/23h). Couv. art.: R$ 6 (após 19h).

Meats

‘Double Trouble’ com hambúrguer de falafel, no Meats. Foto: Tiago Queiroz/Estadão.

+ O Meats é outra casa que resolveu apostar numa ideia simples e prática: dar a chance de o cliente substituir, em qualquer receita, o hambúrguer tradicional por um sem carne (no caso, à base de grão-de-bico). Nem sempre foi assim: lembro de ter comido ali, mais de uma vez, uma opção fixa em que o falafel da casa era servido com picles e molho tahine. A mudança, neste caso, foi para bem melhor. E permitiu que eu adaptasse e provasse o interessante ‘Double Trouble’ (R$ 39; foto), que leva cebola caramelizada com pimenta chipotle, queijo stracciatella e picles doce de cebola roxa, no brioche de mandioquinha. R. dos Pinheiros, 320, Pinheiros, 2679-6323. 12h/0h (6ª e sáb., 12h/1h; dom., 12h/0h).

America

‘Vegan Burger’, do America. Foto: Augusto Bartolemei.

+ O hambúrguer vegetariano do America está entre os primeiros que provei na vida, há anos. Como memórias tendem a ser idealizadas, talvez seja por isso que comi com certa frustração o atual sanduíche da rede. Seu elemento principal – um empanado de quinoa, abobrinha e cenoura – continua uma boa opção. Mas lamentei a decisão de trocar o lanche vegetariano, que era servido com ótima coalhada seca e pão preto, pelo atual, sem leite ou ovos – o ‘Vegan Burger’ leva rúcula, tomate e abobrinha grelhada (R$ 38,90; foto). Uma sugestão: a casa poderia manter essa receita no cardápio, para contemplar os veganos, mas recuperar a incrível versão antiga. Bourbon Shopping. R. Palestra Itália, 500, Perdizes, 3670-1600. 11h45/23h.

Toro Burger Brasil

Receita do ‘Texas Cowboy’, da Toro Burger. Foto: Júnior Jymmy.

+ Na Toro Burger Brasil, que se mudou, recentemente, da Praça Vilaboim para um sobrado de esquina na Vila Olímpia, é possível substituir qualquer opção com carne do cardápio por um hambúrguer à base de lentilha. Ali, eu aproveitei a deixa para pinçar uma receita com ingredientes pouco comuns entre os sanduíches vegetarianos: o ‘Texas Cowboy’ (R$ 31; foto), que leva queijo cheddar, cebola caramelizada e molho barbecue. Só me arrependo de não ter negociado com o garçom mais uma substituição: a do pão preto (preto mesmo, um tanto quanto artificial) pelos básicos brioche ou ciabatta, também presentes no menu. Uma vantagem de lá é que todos os lanches vêm acompanhados por um pouco de batata frita, coisa simples, mas cada vez mais rara na cidade. Ah, escolha uma das mesas da varanda – de longe, o melhor ambiente da nova casa. R. Ribeirão Claro, 401, V. Olímpia, 3846-9490. 12h/0h (dom., 12h/23h).

EM MINHA MODESTA OPINIÃO | Não tentem (só) imitar carne

+ Foi sem querer, numa hamburgueria de São Sebastião, no litoral norte paulista, que provei, pela primeira vez, há algumas semanas, um hambúrguer 100% vegetal que tinha a pretensão de imitar carne. Esperava algo à base de soja, beterraba e mais alguns vegetais – era essa a descrição que tinha recebido do atendente. Quando o lanche chegou à mesa, aquele disco avermelhado com cheiro forte de defumado me causou horror. Não fosse meu remorso em jogar comida fora e minha dedicação ao jornalismo (já tinha essa reportagem em mente e achei que aquilo poderia ser uma ajuda das forças da natureza para a minha pauta), eu nunca teria seguido adiante. Saí de lá com a certeza de que tinha sido uma das minhas piores experiências gastronômicas.

Até entendo que opções como aquela – que, desde o primeiro semestre, ganham espaço em mercados, redes fast-food e até lanchonetes tradicionais – possam agradar àqueles que adoraram carne, mas deixaram de comê-la por motivos éticos e ambientais, por exemplo. Mas, para os que, como eu, desde que viraram vegetarianos nunca sentiram vontade de colocar um bife na boca, sugiro não provar.

Acho bom que existam opções que atendam a vários gostos, claro. Mas o que realmente me preocupou, ao sair dali, foi pensar que essa febre, dos hambúrgueres que querem parecer o que não são, aos poucos, domine as hamburguerias paulistanas, a ponto de fazê-las abandonar a criação de receitas autorais, artesanais e criativas, como as que estão nesta matéria. Pelo pouco que sei de nutrição, a recomendação é sempre variar os alimentos. Que os cardápios da cidade possam ser, então, variados (e saudáveis) como o nosso próprio deve ser. 

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