Godard faz sua estreia em 3D com ‘Adeus à Linguagem’
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Godard faz sua estreia em 3D com ‘Adeus à Linguagem’

Redação Divirta-se

30 Julho 2015 | 16h55

Filme Jen-Luc Godard Adeus à Linguagem

Adeus à Linguagem é o novo filme-enigma de Jean-Luc Godard. O que nele vemos? Um homem, uma mulher, um cão. E citações em profusão. Reflexões, aforismos, que se dizem, ou se escrevem sobre a tela. Nesta, imagens (muitas delas deslumbrantes), citações de outros filmes, pedaços de documentários.

De que ‘fala’ Godard? De tudo e de nada em particular. Percebe-se que, no contraplano dos encontros e desencontros de um casal, Josellle (Héloïse Godet) e Gédéon (Kamel Abdelli), acompanhado por um cão (creditado como Roxy Miéville), se passa a História com agá maiúsculo. A História trágica da Europa no século 20 e no começo do 21, em sua trajetória de destruição e violência, começando pelo nazismo e terminando com o capitalismo predatório. Godard é um homem antenado em seu tempo. Político em sua essência. Por enigmático que seja seu cinema, é impossível não vê-lo (também) como comentário desolado sobre a época. Para ele, a História é pesadelo, que surge em imagens, que mesclam a morte e a destruição a um paradoxal sentido poético da existência.

Desse modo, alcança, através do 3D, algumas das mais belas imagens geradas por seu cinema, como, por exemplo, aquelas que evocam a pintura impressionista de Monet. Esta é a ‘novidade’ de ‘Adeus à Linguagem’ – o uso do 3D. Claro que Godard não o faz de maneira convencional. O diretor o utiliza de maneira original, como faz com as frases e imagens alheias: saqueando-o. Usando-o como bem entende. E, com ele produzindo efeitos de profundidade de campo e sobreposição de imagens que perturbam.

Com esse jogo de recursos, ‘Adeus à Linguagem’ leva o espectador à região indicada pelo título. Ao limite da linguagem, verbal e da imagem. Há um mundo em abismo e Godard nos apresenta seus materiais de construção primários – as palavras, as imagens, um casal, um cão, talvez um filho. Cabe a nós, seus espectadores, usar esses materiais para refazer o mundo. Se é que isso é possível. Luiz Zanin Oricchio