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Festival Internacional de Cinema Infantil apresenta cem filmes de 24 países

Redação Divirta-se

06 de novembro de 2014 | 18h13

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Olho Mágico

Dedicado exclusivamente às crianças, evento reúne filmes singulares de vários países

Um evento criado e pensado especialmente para as crianças. Não importa que idade elas tenham… Começa hoje (7) a 12ª edição do Festival Internacional de Cinema Infantil (Fici). Na programação, que reúne cem filmes, entre curtas e longas, a ordem é surpreender a jovem plateia. Vindos de 24 países, os títulos exibem estéticas e linguagens bem diferentes daquelas que predominam no circuito comercial. É o caso de ‘Ernest & Celestine’ (8/11, 17h30; 16/11, 13h). De origem franco-belga, a obra concorreu ao Oscar de Melhor Animação em 2014 e retrata a parceria cômica entre um urso bonachão e uma ratinha sabida. Além dos filmes, há sessões de dublagem ao vivo, mostra teen e conversas com o público. Uma chance para cativar e formar novos cinéfilos.

 

ONDE: Shopping Eldorado. Av. Rebouças, 3.970, Pinheiros.
QUANDO: 6ª a dom., 10h30/18h30. Até 16/11.
QUANTO: R$ 8. Programação: www.fici.com.br

 

1,5 milhão de pessoas já passaram pelo Festival nos 11 anos anteriores

700 obras, entre curtas e longas, foram exibidas em várias cidades do Brasil

100 filmes serão apresentados nesta edição, durante dois fins de semana

24 países tiveram produções infantis e juvenis selecionadas para 2014

 

De olho na tela: Esta 12ª edição é marcada por estreias emocionantes, boas animações e várias comédias.
O drama também aparece no cinema – e na vida real

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A jornada de uma estrela: A mãe de Marina já foi à praia. Era magra e parecia contente, segundo as fotos. Agora é a vez da irmã, que verá o mar durante o passeio de formatura. Mas ‘Marina Não Vai à Praia’, promete o título do celebrado curta de Cássio Pereira dos Santos, a ser exibido no Prêmio Brasil – Mostra Teen. Contrariando as expectativas, a moça, com síndrome de Down, dá um jeito de embarcar na viagem e realizar o sonho. Aline Videira, talentosa atriz que deu vida à personagem, morreu em março, em um acidente de carro. 7/11, 16h.

 

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Na boca do estômago: É bem possível que a animação ‘Viagem Indigesta’ tenha conquistado pelo estômago o júri do Prêmio Brasil – Histórias Animadas. O curta de Zé Brandão, uma das atrações da referida sessão, conta a saga de um grupo de bichos coloridos, como Duda (foto), que tenta ajudar uma dupla de colegas da floresta. A razão? Bem, o guloso Tromba Trem engoliu uma fruta e nem viu que Júnior, seu melhor amigo, estava dentro dela. 7/11, 10h30.

 

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Herói da aldeia: Do alto da montanha proibida, um velho sábio narra as proezas de um pequeno e bravo herói, sempre pronto a defender sua aldeia de qualquer perigo. Selecionado para esta edição do Festival, Kirikou, os Homens e as Mulheres, de Michel Ocelot, é o terceiro filme da festejada franquia francesa. Desta vez, o menino foi convocado para combater as forças ocultas que assombram o povoado. E resolve a questão com humor e uma boa dose de astúcia. Em meio a tantas aventuras, o ancião, que é também avô do garotinho, convoca fábulas e mitos para temperar a narrativa. 8/11, 15h30; 9/11, 13h; 15/11, 15h.

 

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Menino prodígio: Pular de uma plataforma em movimento, fraturar algumas costelas e seguir adiante são algumas das façanhas realizadas pelo protagonista de Uma Viagem Extraordinária. O filme franco-canadense, de Jean-Pierre Jeunet, estreia no festival e depois segue em cartaz na cidade. Na trama, uma família do campo: a mãe cataloga insetos, o pai cuida de bichos (vivos e empalhados), a irmã sonha com a vida urbana e os gêmeos Layton e T.S. brincam de cowboy e cientista. Os meninos se divertem no celeiro, quando um tiro acidental mata Layton. Sentindo-se culpado, T.S. decide partir para Washington, onde será premiado por um trabalho sobre a roda magnética. Na mala, leva apenas o ‘essencial’ – uma bússola, uma lanterna de cabeça, um livro de artes marciais, o esqueleto de um passarinho e um ursinho de pelúcia. 7/11, 10h30, 14h e 18h30; 8/11, 10h30; 9/11, 12h30 e 16h30.

 

Única chance: É uma oportunidade rara: acompanhar sessões com dubladores ao vivo.
Também é possível colocar os pequenos para conversar com cientistas e jornalistas

 

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De quem é essa voz?  As sessões de Dublagem ao Vivo podem provocar torcicolos nos espectadores. Mesmo assim, estão entre as atrações mais interessantes do Festival. Impossível não olhar para trás e comentar sobre o casal que fica em pé, no fundo da sala. Os dois traduzem os diálogos, simultaneamente, diante de uma bancada com microfone e luminária.

“O maior desafio é caracterizar as falas” explica Maria Angélica Santos Cruz que, nesta edição, dubla, em média, 15 vozes por filme. “É corrido. Faço mãe, filha, amiga.”  Na sessão ao vivo, não há ponto de áudio no ouvido, o som original permanece na sala (baixinho), e não existe ensaio. “Já aconteceu de pegarem meu texto, de a lâmpada pifar e de a bateria do microfone sem fio acabar no meio do filme”, revela Angélica, habituada com os imprevistos. Ela fará todas as sessões em parceria com Luiz Laffey e Alfredo Rollo, que se revezam nas produções.

Quando está no conforto do estúdio, a profissional dá voz a famosos, como Reese Witherspoon. No Fici, deixa a plateia com os cabelinhos arrepiados ao se apresentar: há 32 anos, é dela a voz do Cebolinha, da Turma da Mônica. 8/11, 10h30 e 14h30, ‘Wickie e o Tesouro dos Deuses’; 16h, ‘Otto e o Rinoceronte’; 18h30, ‘A História do Alce Natalino’. 15/11, 11h30, ‘Aprender é Divertido’ (foto central); 13h30, ‘Tom, O Farsante’; 15h30, ‘O Galo Cocorocó’; 17h30, ‘Loulou e o Incrível Segredo’.

 

 

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 Siga o mestre: O mais agitado dos programas temáticos, O Pequeno Cientista é perfeito para as crianças que estão sempre em busca dos porquês. Nesta edição, o documentário franco-canadense ‘A Marcha dos Pinguins’, de Luc Jacquet, serve de mote para o debate. Em foco, a saga dos pinguins imperadores que viajam milhares de quilômetros, todo inverno, em prol da reprodução e da manutenção da espécie. A discussão ocorre ao final de cada sessão, momento em que os espectadores mirins questionam um cientista convidado. 14/11, 10h30 e 14h.

 

 

Tome nota: Este ano, há uma razão a mais para participar do programa O Pequeno Jornalista. A sessão especial será na estreia de ‘Uma Viagem Extraordinária’ (mais na página 11), produção que fomenta a discussão sobre os limites da mídia. Em uma das cenas, o garoto que fugiu de casa para receber um prêmio científico é coagido por um apresentador de TV que manipula os convidados. Após a exibição, Flavia Guerra, jornalista que viajou por vários países, conversa com as crianças. 7/11, 10h30 e 14h. 

 

Coisa séria: Além de buscar seus filmes em eventos reconhecidos, como o Festival de Berlim,
o Fici também já entrou no mapa dos programadores internacionais

 

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Caçulas, bem-vindos: Para não deixar ninguém de fora da festa, o festival criou a sessão Pequenos que Nem Você, dedicada aos fofos que têm apenas entre 3 e 4 anos.  No programa, uma seleção de sete curtas-metragens encantadores, caso do espanhol ‘Capelito, o Cogumelo’ (foto), que é dirigido por Rodolfo Pastor. 9/11, 11h30; sáb. (15), 11h.

 

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 Pedra Preciosa: Para entender melhor o Fici, conversamos com Carla Esmeralda, diretora do evento ao lado da cineasta Carla Camurati.

Como encontrar tantos filmes bons?
O Cine Kids, na Holanda, e o Festival de Berlim são nossas principais referências. Hoje, como nosso festival ficou conhecido, muitas produtoras já enviam os filmes para avaliação.

O que representa o Fici?
A criança sabe que está dentro de um festival que foi feito para ela. O comportamento é diferente. Ela sabe que verá diferentes narrativas e cores, de vários países.

Qual o seu filme preferido?
‘O Homem da Lua’ tem uma animação muito sofisticada; ‘Pinóquio’ é lindo; eu adoro ‘Félix’ e muitos outros.  Mas se pudesse eleger um? O filme que considero perfeito é ‘O Menino no Espelho’ (15/11, 13h). Tem dramaturgia, é um filme maduro.

 

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 ‘O Menino no Espelho’, é uma adaptação do livro de Fernando Sabino

 

Dia 1:  Crianças adoram repetir os filmes já vistos – em geral, clássicos de princesas e super-heróis. Por isso, faça um acordo: permita que ela escolha um filme e você outro. Assim, pode incentivá-la a assistir também opções menos comerciais (e que podem ser surpreendentes).

Dica 2:  Sempre que puder, explique para a criança a dinâmica da sessão especial escolhida. Fale também sobre o tema do filme. Informados, os pequenos aproveitam melhor o evento, interagem e ganham tempo para elaborar perguntas. Algumas sessões, como a de dublagem ao vivo, costumam lotar. Neste caso, é recomendado garantir
logo o ingresso.

 

 

 

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