Estilista Fause Haten dirige e estrela musical ‘Lili Marlene’, sobre ator transformista
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Estilista Fause Haten dirige e estrela musical ‘Lili Marlene’, sobre ator transformista

Júlia Corrêa

12 Maio 2017 | 17h03

O estilista Fause Haten conversou com o Divirta-se sobre o musical Lili Marlene. Dirigido e estrelado por ele, em parceria com André Cortada, o espetáculo relata a vida de um ator transformista. Confira a entrevista:

Foto: Paulo Cabral

A criação de um musical é um projeto antigo seu e do André Cortada. Como foi a concepção?
Nós já éramos parceiros de composição, e tanto eu quanto ele gostamos muito de teatro, então sempre pensamos em fazer um musical. Mas, na realidade, eu ainda não me sentia apto para escrever um texto completo. Quando fiz a peça ‘A Feia Lulu’, em 2014, ganhei mais confiança. Comecei, então, o processo da Lili Marlene em 2015, escrevendo texto e reunindo informações. Em 2016, eu realizei o processo que chamei de ‘risco’, que eram performances que fiz no Sesc Ipiranga de improviso, sem texto decorado. Uma delas, por exemplo, foi para pensar no nascimento de Marlene, personagem da peça. Passada essa fase, eu transcrevi o material escrito a partir do resultado das performances, e parti de fato para o roteiro. Eu já tinha algumas músicas compostas e textos para ser musicados. No início deste ano, falei com o André, e a gente reuniu a banda. Em duas semanas, fizemos as músicas todas.

Pode contar um pouco sobre a trama da peça?
O Lili é o narrador e conta a sua história. A avó dele é uma famosa atriz alemã que vai trabalhar em Hollywood. O filho dela fica em Berlim, e aí nasce o Lili, que é rejeitado pelo pai e foge aos 13 anos. Com 16 anos, morando em Paris, começa a fazer shows travestido. Com 18, 19 anos, ele já é um grande sucesso em Paris, mas ninguém sabe que é neto da Marlene. Os agentes começam a fazer pressão para ele modificar o corpo dele. Isso ocorre nos anos 1940, o que é um fator para ele não dar conta disso. Ele não quer fazer coisas como colocar peitos, então meio que ‘pira’ e desiste da carreira. Ele muda de país, vai morar nos EUA, com a vida meio perdida. Com isso tudo, trazemos duas questões: a do abuso e a do gênero. O importante é que eu não apresento uma solução, uma defesa, ou um ‘dedo na cara’. Apresento tudo de forma mais imparcial.

Como você descreve o protagonista? 
O Lili é um ator transformista. Essa foi uma questão que ficou muito tempo na minha cabeça, se era trans ou não. Na peça, ele insiste em dizer que gosta do corpo dele de homem. Claro que existe uma dúvida em relação a isso. Além disso, nisso tudo, tem questões muito complexas, como a rejeição do pai. Essa não é uma conclusão que eu devo fornecer, mas o personagem se posiciona como um ator transformista.

O espetáculo é um musical pop rock. Pode nos explicar essa proposta?
Não é um musical clássico, pois tem uma musicalidade bem diversa. A nossa influência, tanto minha quanto do André, vem do musical americano, então pegamos músicas muito desse universo. Ao mesmo tempo, há momentos que são quase punk rock, com guitarra e bateria pesadas. Eu tentei fazer que, nas composições e na forma de cantar, sentimentos como a raiva e a tristeza estivessem presentes, unindo dramaticidade e musicalidade.

Como se pode imaginar, por causa de sua carreira ligada à moda, você é o responsável pelo figurino. Como foi a criação?
É meio natural pra mim. Quando vou fazendo as cenas, já está tudo na minha cabeça. Aí vou ajustando detalhes de cores, etc. Tem uma roupa preta, por exemplo, que serve de figurino base. Uma hora vira saia, depois batina do sacerdote, mas é só uma saia preta plissada. Depende mais da forma de conduzir isso no palco.

SERVIÇO:

Teatro Eva Herz (168 lug.) Conj. Nacional. Av. Paulista, 2.073, metrô Consolação, 3170-4059. Estreia 3ª (16). 3ª e 4ª, 21h. R$ 60. Até 28/6.