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Está no papo: Margareth Menezes faz show em São Paulo e fala sobre o novo disco, ‘Autêntica’

Renato Vieira

06 de novembro de 2019 | 10h04

Margareth Menezes faz show do novo disco, ‘Autêntica’, no próximo sábado (9). Nesta entrevista, ela fala sobre o álbum, o primeiro de inéditas em 11 anos, e sobre a nova música da Bahia.

Você ficou 11 anos sem produzir um disco de inéditas. Este hiato foi uma opção sua?
Eu produzi outras coisas. Fiz uma homenagem a Caetano e Gil, o show Rebeldia Nordestina, me tomou um tempo também, fiz alguns EPs. Hoje em dia, o comportamento da produção musical mudou. Não é como antes, que você tinha a obrigação, praticamente,a necessidade de lançar de um em um ano, de dois em dois anos. Eu tenho meu selo próprio, sou independente, então tudo isso provoca esse hiato.

Margareth Menezes. Foto: José de Holanda

Como você coloca o Autêntica dentro da sua discografia?
O disco representa uma pesquisa, uma observação de uma música contemporânea. Um processo onde eu me incluo, porque desde 1992 eu venho defendendo essa questão do afro pop brasileiro. O meu disco ‘Kindala’, de 1991, já trazia uma coisa eletrônica também. Depois, mais na frente, um disco que também traz essa característica é o ‘Afropopbrasileiro’ (2001). Esse novo disco mostra um pouco do meu momento como artista madura.

Nos últimos anos uma nova música baiana vem sendo formatada, e um dos expoentes disso é o grupo BaianaSystem. O Roberto Barreto, integrante do grupo, participa da faixa ‘Vento Sã’. Como surgiu esse convite e como você vê essa nova música da Bahia?

Essa nova música da Bahia é consequência de uma produção que a Bahia é pioneira. Ela vem embutida em tudo que já foi produzido na Bahia. Fico muito feliz de ver essa irreverência, a cabeça desses meninos. Temos também a Larissa Luz no disco. São músicos com a cabeça contemporânea, com a cabeça no mundo. A minha relação com os meninos do BaianaSystem está começando agora. Eu os admiro muito. É bom a gente aprender com o novo e poder se reciclar.

O disco tem também uma inédita de Gilberto Gil, ‘Paraguassu’. Como essa música chegou até você?

Essa música fez para o festival Percpan, há uns 10 ou 15 anos. Nesse Percpan, cantávamos eu, Daniela (Mercury) e Ivete (Sangalo), e ele fez uma música para cada uma cantar. Essa ele fez pra mim. Agora, quando estávamos produzindo o disco, o maestro Alfredo Moura, que fez o arranjo da música, lembrou dela. Paraguassu é uma índia muito importante no processo social da cidade de Salvador. Como a intenção do disco é falar sobre a mulher negra, senti a música muito bem-vinda. Tem a ver também com minhas raízes, minha tataravó era índia.

E o show do ‘Autêntica’, como vai ser?

Eu apresento as 13 músicas do disco. O show tem um desenho. Tem também algumas músicas que eu já gravei, como ‘Alegria da Cidade’ e uma que fiz com a Daniela, ‘Oyá Por Nós’. Uma música da Majur, com essa linguagem afro pop e a música ‘Capim Guiné’, que eu gravei com o BaianaSystem.

ONDE: Auditório Ibirapuera (806 lug.). Pq. Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2, 3629-1075. QUANDO: Sáb. (9), 21h. QUANTO: R$ 30. Cc.: todos. Cd.: todos.

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