Espírito natalino virtual?
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Espírito natalino virtual?

Redação Divirta-se

17 de dezembro de 2020 | 19h19

RÊ PROVA

Toda semana, Renata Mesquita vai reprovar absurdos vistos por aí nessa nova rotina imposta pela pandemia

Assim como outros sentimentos da quarentena demoraram a me afetar – como angústia a e ansiedade –, o espírito natalino também me tomou só há pouco – e, para ser sincera, bem de leve, quase forçado.

Mesmo se houver ceia de Natal, não será a mesma coisa, e nem deve ser: abraços devem ser guardados para o próximo ano; a troca de presentes terá de ser com cautela, com o todo-poderoso álcool em gel intermediando a cerimônia. É Natal, mas é Natal em meio a uma pandemia. Ele não tem o poder de pausar o coronavírus.

Se por um lado nos livramos de milhares de amigos-secretos e happy hours desnecessários – tá aí outro hábito imposto pela pandemia que podemos consolidar nas nossas vidas – por outro, tem quem insista em fazê-los online. Por que, gente? A pandemia trouxe basicamente zero coisas boas para as nossas vidas, vamos aproveitar pelo menos esta.

Fui ler o que significa de fato o tal espírito natalino e, pelo que entendi, é um sentimento de compaixão, momento para olhar para dentro, se debruçar sobre si mesmo para meditar sobre erros e acertos, recuperar o significado da generosidade, elevar-se espiritualmente. E, sinceramente, encarar a tela de um computador com mil telinhas com a cara de seus amigos durante horas não me parece algo muito profundo, de reflexão. É quase uma obrigação mesmo.

Sempre pode ficar pior: tem quem inclua nessa brincadeira presentes. Falando em presentes, fiz grandíssima parte das minhas compras online, mas tem ideias que só ao vivo. Não me meti em shopping nenhum, nem imagino como está a situação por lá, e nem quero saber mesmo. Mas nessa empreitada nada prazerosa (desculpe, família), encarei lojas aglomeradas, pessoas sem máscara experimentando roupas, tocando em tudo. Resumindo: não faça da loja o novo bar.

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