Semana de Arte de 1922: saiba onde ver obras de artistas ligados ao evento em São Paulo
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Semana de Arte de 1922: saiba onde ver obras de artistas ligados ao evento em São Paulo

Júlia Corrêa

06 de fevereiro de 2020 | 12h00

Depois de uma certa semana em 1922, o cenário artístico brasileiro nunca mais foi o mesmo. Enquanto as academias de arte insistiam em tendências como o neoclassicismo e o realismo, artistas em contato com o que havia de mais novo na Europa buscavam, aqui e ali, superar antigos padrões. Anita Malfatti, por exemplo, causou furor entre a crítica ao expor, em 1917, uma série de obras de traços expressionistas, sendo alvo de hostilidades por parte de figuras como Monteiro Lobato.

Foi então que, entre 11 e 18 de fevereiro de 1922, nomes como Anita, Di Cavalcanti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Victor Brecheret decidiram se reunir para expor suas transgressões, o que impulsionou uma renovação na arte brasileira. Naqueles dias, o Teatro Municipal de São Paulo foi palco de exposições, concertos, leituras e conferências – manifestações que abriram terreno para uma criação livre de velhas formalidades, ligada às novidades mundiais e, ao mesmo tempo, atenta a questões locais.

Ainda hoje, a ousadia de cores e traços desse movimento marca nosso imaginário. E os 98 anos da Semana de Arte Moderna são um bom pretexto para (re)visitar obras de artistas que participaram do evento ou de seus desdobramentos – como é o caso de Tarsila.

1. Anita Malfatti

‘A Boba’, de Anita Malfatti. Foto: Acervo MAC USP

É considerada precursora do movimento. Em 1917, uma exposição sua já incomodava críticos habituados com o rigor e a formalidade de antigas tendências. Sua obra ‘A Boba’, um marco dessa ruptura, está no MAC USP. Av. Pedro Álvares Cabral, 1.301, Ibirapuera, 2648-0254. 10h/21h (fecha 2ª). Grátis.

2. Tarsila do Amaral

‘Estrada de Ferro Central do Brasil’, de Tarsila do Amaral. Foto: Acervo MAC USP

Em 1922, Tarsila estava na Europa, de onde recebia cartas com relatos de Anita, que a deixava a par do movimento. Bastou voltar ao Brasil para se tornar uma grande agitadora do grupo. Ao buscar contrastar a vida rural com o progresso do País, criou obras como ‘Estrada de Ferro Central do Brasil’, que hoje está no MAC USP. Av. Pedro Álvares Cabral, 1.301, Ibirapuera, 2648-0254. 10h/21h (fecha 2ª). Grátis.

3. Vicente do Rego Monteiro

‘Menino Nu e Tartaruga’, de Vicente do Rego Monteiro. Foto: João Musa

Embora tenha exibido pinturas no Municipal, ele estava em Paris em 1922. De lá, traria obras de europeus como Picasso e Braque, para difundir vanguardistas no País. Sua tela ‘Menino Nu e Tartaruga’ pode ser vista no Masp. Av. Paulista, 1.578, 3149-5959. 10h/18h (3ª, 10h/20h; fecha 2ª). R$ 45 (3ª, grátis).

4. Victor Brecheret

Foto: Fabiana Stig

Vivendo entre a França e o Brasil, o artista também não compareceu à Semana, mas, com 12 obras exibidas no evento, foi o escultor com maior projeção. Hoje, no Teatro Municipal, é possível apreciar Diana, a Caçadora. Pça. Ramos de Azevedo, s/nº, Centro, 3053-2100. 10h/17h (fecha sáb. e dom.). Grátis. 

5. Di Cavalcanti

‘Amigos’, de Di Cavalcanti. Foto: Isabella Matheus/Pinacoteca/Elisabeth Di Cavalcanti

Um dos principais idealizadores da Semana, foi ainda responsável por seu projeto gráfico. Exibiu ali desenhos e telas, mas sem os personagens populares e os traços que o consagraram. Daquela fase inicial, a obra ‘Amigos’ (1921) pode ser vista na Pinacoteca. Pça. da Luz, 2, 3324-1000. 10h/18h (fecha 3ª). R$ 15 (sáb., grátis).

 


Outra Semana no Municipal

A escadaria do Teatro Municipal, cujo palco recebeu a Semana de 1922, será ocupada pela Semana de Arte contra a Barbárie. O evento, gratuito, é organizado por artistas do Movimento Artigo Quinto – criado em julho de 2019, a favor da liberdade de expressão.

Entre 3ª (11) e 18/2, sempre das 12h às 13h, várias manifestações artísticas – entre música, teatro, dança, artes plásticas, cinema e literatura – poderão ser vistas na área externa do teatro. No dia da abertura, fazem show as cantoras Fabiana Cozza e Badi Assad, enquanto Denise Fraga e Renato Borghi ficam responsáveis pela leitura de um manifesto.

Entre as atrações confirmadas até o momento estão a Poin – Pequena Orquestra Interativa (14/2); o músico Lucas Santtana, a Banda Mirim e os atores Sérgio Mamberti e Cássio Scapin (18/2).

Excepcionalmente em 16/2, o evento será deslocado para a esquina da Avenida Paulista com a Rua Peixoto Gomide. E, dia 18/2, um cortejo carnavalesco pelo Centro encerra o evento. Dica: a programação está sujeita a alterações; por isso, confirme a atração do dia pelo site, antes de sair. Inf.: artigoquinto.art.br

Tudo o que sabemos sobre:

exposiçõesmodernistas

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: