Em busca de um lugar ao sol em tempos de coronavírus
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Em busca de um lugar ao sol em tempos de coronavírus

Redação Divirta-se

05 de abril de 2020 | 05h00

CONTEÚDO ABERTO A NÃO-ASSINANTES

Danilo Casaletti
ESPECIAL PARA O ESTADO
Com parques públicos fechados, áreas comuns de condomínios interditadas e bate-papos no banco da praça se transformando em ameaça de contágio pelo novo coronavírus, expor-se ao sol virou um desafio nessa nova rotina da população. Mas é preciso se reinventar: afinal, a falta de exposição à luz solar pode trazer problemas físicos e emocionais.

A design de interiores Giovanna Concon, de 46 anos, atendeu à recomendação de ficar em casa ao máximo. As visitas aos clientes diminuíram ou foram substituídas pelo atendimento online. O tempo dentro de casa aumentou. Sendo assim, ela tenta reservar ao menos dez minutos diários ao sol na varanda de seu apartamento, na Vila Sônia. “Me expor ao sol foi uma indicação médica, tanto da ginecologista quanto do cardiologista, para que eu produza vitamina D naturalmente”, diz Giovanna.

Segundo a dermatologista Adriana Vilarinho, o ideal para “ativar” a vitamina D é se expor ao sol de 10 a 15 minutos, sem protetor, entre 10h e 15h – respeitando o tempo máximo de 15 minutos. Quem teve problemas de câncer de pele fica menos tempo – até 10 minutos –, com protetor (veja mais dicas no quadro ao lado). “Toda pessoa pode e deve tomar sol neste período de quarentena. Além de todos os benefícios para saúde, ele é alegria, vida”, explica a dermatologista.

Letícia Sanseverini toma sol na janela do prédio todos os dias

Quem também reserva um tempo para tomar sol na janela de seu apartamento é a publicitária Letícia Sanseverini, de 32 anos, que, no fim do ano passado, descobriu ter deficiência em vitamina D. Mesmo não sendo fã de sol – por causa das muitas tatuagens que tem –, ela conta que os vizinhos do prédio em que vive, em Pinheiros, já se acostumaram a vê-la na janela nos últimos dias, por pelo menos 10 minutos por dia. “Fico igual a um gato, coloco o tronco para fora. Para as pernas, eu sento no sofá”, diz ela, que está isolada há 20 dias. “Senti uma necessidade física de receber a luz solar.”

De fato, o sol é a principal maneira de ativar a síntese de vitamina D, que, apesar do nome como ficou conhecido, se trata de um hormônio fundamental para modular a resposta imunológica e prevenir infecções do trato respiratório, além de outras doenças, como a osteoporose.

Recentemente, um estudo divulgado pela Universidade de Turim, na Itália, sugere que o hormônio pode ser um aliado no combate à covid-19, já que, segundo a observação dos cientistas, a maioria dos pacientes que precisaram de internação por causa da doença apresentou deficiência nos níveis de vitamina D, sobretudo os idosos.

A divulgação do estudo levou ao aumento pela procura dos métodos sobre como obter o hormônio, seja tomando sol em casa ou pela suplementação. Porém, segundo Daniel Magnoni, chefe do setor de Nutrologia do HCor, o estudo é preliminar e demanda cautela. Ele alerta que a suplementação só deve ser feita com recomendação médica, após exames laboratoriais. “O paciente será orientado a tomar a dose correta. Não adianta correr para farmácia e comprar a vitamina D em comprimidos. Se não estiver precisando, apenas vai jogar dinheiro fora”, diz. Sua recomendação é simples: “Tome sol, coma bastante vegetais e proteínas, de 3 a 5 porções por dia”.

Boa energia

O servidor público Alex Vilaça, de 39 anos, vem trabalhando de casa desde que o governo de São Paulo determinou o afastamento social na cidade. Fã de praia, ele adiou uma viagem ao Rio de Janeiro. Assim, o jeito foi tomar sol dentro do apartamento, na Bela Vista. “Tento pegar uma cor aqui em casa”, diz. Embora não tenha uma recomendação médica para se expor ao sol, ele diz que o hábito lhe garante bem-estar. “Melhora o meu humor. Tomar sol me remete à felicidade e me relaxa.”

A psicóloga Lina Sue Matsumoto, uma das organizadoras do livro Psicologia Positiva e Psiquiatra Positiva, valida a importância de se expor à luz do sol – ou à luminosidade natural – durante o período de isolamento social. “A todos os meus pacientes eu recomendo pegar sol, estar um pouco ao ar livre, mesmo que seja na varanda ou no quintal”, afirma. Para Lina, para além da questão da vitamina D, esse atos trazem à memória dias agradáveis, de alegria, que se contrapõem com as inseguranças trazidas pelo surto de covid-19.

Para garantir o bem-estar, ela recomenda atenção aos horários de sono. “A tendência é que a pessoa fique até tarde na TV, em busca de notícias. Respeite o ciclo circadiano. Durma bem, acorde, tome seu café e, principalmente, tire o pijama, mesmo se você vai trabalhar em casa. Não viva em um eterno domingo.”

DICAS PARA GARANTIR SUA DOSE DE VITAMINA D

A dermatologista Adriana Vilarinho dá dicas de como tomar sol de um jeito saudável e facilitar
a absorção da vitamina D:

Tempo: Para quem tem pele morena, três vezes por semana; peles claras, cinco vezes. O tempo é o mesmo: de 10 a 15 minutos, sem protetor, das 10h às 15h. Quem já teve câncer de pele deve ficar menos tempo exposto (até 10 minutos) e usar protetor.

Pós-sol: Use hidratante para evitar o ressecamento da pele.

Alimentação: Sono regulado (não troque o dia pela noite) e alimentação balanceada complementam o ‘trabalho’ do sol.

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