Em ‘Agnus Dei’, traumas sexuais e questões femininas na Segunda Guerra
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Em ‘Agnus Dei’, traumas sexuais e questões femininas na Segunda Guerra

Redação Divirta-se

14 Julho 2016 | 16h20

Foto: Divulgação.

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Havia a expectativa de que, face à indignação social provocada por casos de estupro no País, um filme como o argentino ‘Paulina’ fosse atrair o público e até incentivar debates. Não foi o que ocorreu. O público retraiu-se, como se, de real, bastasse a vida, que é inevitável. O tema volta agora em Agnus Dei, em outro contexto e época – o estupro como arma de guerra, que Vittorio De Sica já enfocou em 1961, com Sophia Loren no papel que lhe deu o Oscar e o prêmio de melhor atriz em Cannes.

Polônia, 1945. A profissional de um posto de saúde da Cruz Vermelha é chamada para atender freiras que vivem isoladas num convento. Descobre uma realidade terrível. Elas foram violentadas por soldados. Umas engravidaram, outras contraíram doenças como sífilis. Nem um bordel apresenta tamanha miséria humana.

‘Agnus Dei’ integrou o recente Festival Varilux. Mathilde, a enfermeira, é ateia e comunista. Nem ela nem as freiras agredidas se olham inicialmente com simpatia ou respeito. Isso acontece ao longo de um processo em que a diretora Anne Fontaine – a mesma de ‘Gemma Bovary’ – tenta enquadrar com rigor temas e histórias que são muito fortes. A questão da fé, o silêncio de Deus, o sexo como poder, os direitos da mulher sobre o próprio corpo. As atrizes – francesas como Lou de Lâage, polonesas como Agata Kulesza – são ótimas e merece elogios a decisão de Anne de não filmar a violência, mas seus efeitos cruéis. Luiz Carlos Merten

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