Dor no pescoço? A culpa pode ser do celular
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Dor no pescoço? A culpa pode ser do celular

Redação Divirta-se

14 de abril de 2020 | 05h00

Danilo Casaletti

ESPECIAL PARA O ESTADO

Quanto tempo você passa ao celular diariamente? E, nessa quarentena, o uso aumentou? Com o isolamento social e a adoção do trabalho em home office – uma realidade para muitos brasileiros durante a pandemia do novo coronavírus –, o tempo que as pessoas passam grudadas no celular para checar mensagens, atender a ligações e participar de reuniões online inevitavelmente aumentou.

Além disso, a oferta de conteúdo online é cada vez maior: lives de artistas, dicas para fazer exercícios em casa, conteúdos liberados no streaming ou videochamadas para matar a saudade da família e dos amigos. Mas é preciso cuidado: o uso incorreto do smartphone pode gerar dores, sobretudo na região da coluna cervical.

A analista de segurança da informação Daniela Campos Carvalho, de 40 anos, conhece bem as dores que o uso excessivo do aparelho pode causar. Viciada em celular, como ela mesma se define, diz que intensificou o uso durante a quarentena, sobretudo para falar com familiares e amigos. E faz isso da maneira incorreta, inclinando a cabeça para frente.

Má postura. Uso inadequado do celular prejudica a coluna. Foto: Allan Joseph

“Sinto dores no pescoço e nos ombros. Tenho feito 15 minutos de alongamento antes de dormir para tentar aliviá-las”, diz Daniela (o ideal é fazer exercícios preventivos três vezes ao dia, de acordo com o fisioterapeuta Allan Josefh; veja mais no quadro abaixo). Além disso, por causa do isolamento, ela parou com as aulas de musculação que fazia três vezes por semana e com a natação, que praticava duas vezes. “Já tentei fazer exercícios online, mas acabei ficando sem tempo”, conta.

Segundo o ortopedista Luciano Miller, especialista em coluna vertebral e cirurgião do Hospital Albert Einstein, as consequências da má postura no uso do celular aparecem gradualmente. “Altera a curvatura da cervical e gera uma pressão maior nos discos cervicais, o que leva a problemas estruturais ao longo do tempo”, diz.

As consequências mais comuns são, a curto prazo, dores cervicais e na parte posterior da cabeça e, com o tempo, a degeneração dos discos intervertebrais – que têm a função de proteger as cargas e pressões ao longo da coluna –, provocando dores crônicas. “O tratamento pode incluir medicações analgésicas, correção de postura e fisioterapia”, diz Miller.

Prevenção e alongamento. O fisioterapeuta Allan Josefh sabe bem como as pessoas descuidam da postura ao usar aparelhos eletrônicos. Com o costume de buscar seus pacientes na sala de espera de seu consultório, ele flagra a maioria deles olhando para baixo, com o aparelho na mão. “Chamo a atenção na hora. Falo que essa postura é ergonomicamente errada, que trará consequências para eles”, diz. Segundo Josefh, ao usar o celular, uma pessoa inclina a cabeça de 30 a 60 graus, o que pode jogar uma sobrecarga na cervical de 18 até 27 quilos.

Segundo o fisioterapeuta, cerca de 65% de seus pacientes reclamam de dores na cervical que, em geral, são fruto da vida moderna, que tem seus efeitos potencializados pela rotina que a quarentena impôs. O descuido com a postura, além de causar cervicalgia (dor no pescoço de intensidades variadas), dores de cabeça e no ombro, zumbido no ouvido, pode levar a distensões e contraturas que, às vezes, aparecem de maneira inesperada.
“A pessoa pode estar brincando com o filho, por exemplo, fazendo movimentos simples, e sofrer uma contração. Isso porque o músculo já está tão ‘fadigado’ que, para não lesionar, ele se contrai”, explica Josefh.

O fisioterapeuta também alerta que a sobrecarga na região superior da coluna pode resultar em dores na região lombar. Isso, segundo ele, em razão da dura-máter, membrana que está aderida aos ossos do crânio e das vértebras. “Quando o paciente reclama de dores na lombar, eu passo a investigar a rotina dele e, muitas vezes, descubro que ele tem uma má postura que afeta a cervical e vai causar uma lombalgia”, explica.

Para evitar dores, o ideal é usar o celular de maneira correta – já que reduzir o tempo em que se usa o aparelho é uma tarefa cada vez mais difícil nos dias de hoje. De preferência, em um ângulo de 90º, evitando abaixar a cabeça. Outra dica do fisioterapeuta é usar fone de ouvido ao realizar uma chamada, em vez de segurar o aparelho com os ombros. O cuidado com a boa alimentação e a ingestão de água também contribuem para a proteção muscular.

Além disso, é preciso praticar exercícios físicos e fazer alongamento para fortalecer a musculatura da região cervical e dorsal. Allan Josefh preparou para o Estado um vídeo com uma série de nove exercícios preventivos para serem feitos em casa de duas a três vezes ao dia, com dez repetições de casa exercício (veja abaixo).

Isso, claro, para quem não estiver com uma dor significativa ou com limitações de movimentos. “É importante ressaltar que, nesses casos, a indicação é sempre procurar a ajuda de um profissional da área médica”, diz.

Alongue-se

1. Espreguiça:

Com as mãos atrás do pescoço, incline as costas e olhe para cima, como se estivesse se espreguiçando

2. Flexão:

Coloque as mãos atrás da cabeça e olhe para baixo. Com o auxílio das mãos, empurre a cabeça em direção ao peito

3. Inclinação lateral:

Coloque as mãos atrás da cabeça, deixe as costas retas e incline-se para um lado e para o outro

4. Inclinação:

 

Incline a cabeça para o lado e, com uma das mãos, puxe a cabeça para um lado e depois para o outro

5. Inclinação para frente:

Apoie as mãos atrás da cabeça, abra o peito e incline para frente, com o cotovelo em direção ao joelho

6. Rotação:

Olhe para o lado e, no final do movimento, use a mão para empurrar o queixo. Faça o mesmo movimento do outro lado

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