Diretor do Festival Varilux de Cinema Francês fala ao Divirta-se sobre o evento, que começa nesta 4ª (7/6)
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Diretor do Festival Varilux de Cinema Francês fala ao Divirta-se sobre o evento, que começa nesta 4ª (7/6)

André Carmona

06 de junho de 2017 | 20h04

‘Rock’n’Roll – Por trás da fama’, filme do Guillaume Canet, é destaque da mostra. Foto: Jean Claude Lother

A partir desta 4ª (7/6), o Festival Varilux de Cinema Francês chega à 8ª edição e projeta, em 12 espaços paulistanos, os mais recentes filmes de Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Juliette Binoche e Marion Cotillard. Até 21/6, serão exibidas 19 produções inéditas do país – o recorde do festival. Além disso, o evento também promove sessões educativas e até laboratório de roteiros.

Para falar mais sobre o crescimento do evento, o panorama atual do cinema francês e os principais filmes que compõem a mostra, o Divirta-se conversou com Christian Bourdier, criador e diretor do evento.

 

Qual é o peso da identificação do brasileiro com o cinema francês para o crescimento do festival?

Acho que é fundamental. Sem isso, não se consegue convencer o público. Estamos muito longe dos padrões de marketing do cinema americano; não temos um exército de publicidade e parcerias midiáticas grandiosas. Então, o mais importante é que vamos buscar pessoas que já têm na cabeça um certo carinho, um certo amor pelo cinema francês. Pessoas interessadas na diversidade do cinema francês, que é reconhecido por dar mais liberdade, mais palavra ao diretor. É uma escola mais intimista. E há público; um público espontâneo. Existe uma relação forte entre os dois países e um carinho recíproco. Realmente, uma forma de expressão dessa relação especial é o cinema.

Como você vê o cinema francês em relação a outras escolas cinematográficas do mundo?

Eu sou fã do cinema francês, totalmente apaixonado. Tenho enorme prazer em assistir a um filme francês novo. É um cinema que está apoiado pela nação francesa, não por um ou outro partido político. Sempre foi assim. É um cinema beneficiado de mecanismos bacanas de financiamento, que permitem uma produção de mais de 300 filmes por ano. E a parte fundamental é que o cinema francês cuida dos talentos. Os técnicos são bem formados, em escolas de qualidade, e eles podem trabalhar e viver de cinema. Por exemplo, se participam da produção de um filme por dois meses, depois passam a ter direito a um seguro-desemprego de três ou quatro meses, para se organizar, estudar, melhorar. E é a mesma coisa para os atores. Aqui, o salário é baixo e irregular. Os atores precisam trabalhar muito, é uma agenda complicada. Lá, foi construído um ambiente profissional que ajuda o aperfeiçoamento de todos: atores, técnicos e diretores.

Existem temas ou tendências atualmente em voga no cinema francês que podemos observar nesta edição do festival?

É difícil fazer descrições gerais sobre um festival que tem como principais características a qualidade e a diversidade. Temos essa preocupação de escolher comédias, filmes autorais, filmes para crianças, documentários. Tem um pouco de tudo. Não queremos restringir a temática. É um jogo bem sutil que tentamos respeitar em todas as edições. O que eu vejo é que não temos quase filmes políticos e sociais, componentes importantes do cinema francês. É uma tendência geral, talvez, de os diretores acharem que a realidade é dura e está impregnada no cotidiano atual. Os produtores estão tentando fugir um pouco de temas como imigração e terrorismo, pois as pessoas estão saturadas. A maioria dos filmes da seleção fala de problemas intimistas, muitos trabalham o tema do amor, ainda que com diferentes abordagens. Tem filmes de amor aos filhos, amor romanesco, outros com humor.

Como foi realizada a seleção dos filmes que entraram na edição?

Escolhemos os melhores filmes. São produções de toda a França. Por isso, foi difícil a seleção. Tem também o fato de que a gente não quer colocar muitos filmes. Preferimos trabalhar com um menu bem concentrado, bem pensado, com menor quantidade de produções. Longos cardápios costumam complicar a vida do espectador. É o caso da Mostra de São Paulo, que tem mais de 400 filmes. Assim, o espectador precisa estudar sobre o que ver, estar preparado. Não tem como assistir a tudo. Inicialmente, pensamos manter 14 filmes, mas, como falei, este ano tinha muitas propostas boas. Assim, chegamos aos 19 filmes selecionados.

Quais os destaques indispensáveis, na sua opinião, para quem for curtir o festival?

É uma pergunta muito difícil. Eu gostei de todos. Mas o ‘Rock’n’Roll – Por trás da fama’, filme do Guillaume Canet, é muito especial. É um filme sobre ele mesmo, mas ficcionado. Conta os bastidores da vida de um casal de atores que chega aos 40, 45 anos. O cara está pirando porque uma jovem repórter lhe disse que ele passou da idade. Ele enlouquece e não suporta o fato de ser considerado ultrapassado. Então, ele age para demonstrar que não é. É um filme bem engraçado, meio trash, muito provocativo. ‘Frantz’, de François Ozon, também é um filmaço. ‘Uma Família de Dois’, de Hugo Gélin, é uma comédia dramática muito boa, que envolve um pai solteiro cuidando da filha. ‘Na Cama com Victoria’ é fantástico. É protagonizado por Vincent Lacoste e Virginie Efira, atores da nova geração francesa. ‘O Reencontro’, por sua vez, é genial. Enfim, neste ano há filmes protagonizados pelos mais famosos e melhores atores da França, como Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Juliette Binoche e Marion Cotillard.

A programação completa do Festival Varilux 2017 pode ser vista aqui.