Dia da Mulher: a São Paulo que é só delas
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Dia da Mulher: a São Paulo que é só delas

Redação Divirta-se

06 de março de 2020 | 06h05

Por que não escolher bares com mulheres bartenders? Aumentar o número de autoras na sua estante? Foto: Taba Benedicto/Estadão

Bruna Toni

Empoderamento, a palavra, nunca esteve tão presente no vocabulário. Diz respeito a nós, mulheres, e às nossas conquistas em um mundo onde o machismo permanece. A ação, porém, não vem de hoje. Há séculos, mulheres têm lutado para conquistar direitos como o de ocupar a cidade sem medo.

Em um lugar tão cheio de possibilidades como São Paulo – e com mais da metade da população sendo mulher –, não param de florescer formas de colocarmos corpos e mentes em movimento, quebrando tabus. Por que não serrar madeira para construir nosso móvel? Conhecer o corpo e descobrir novos prazeres? Ir a um bar só com bartenders mulheres?

Para além de um roteiro de eventos que vão ocorrer por conta do Dia Internacional da Mulher, no próximo domingo, 8 de março, selecionamos também experiências, feitas por e para mulheres, que são permanentes e cujo principal objetivo é acolher a todas nós, com toda a nossa diversidade, estejamos sozinhas, juntas ou acompanhadas. Ocupar a cidade, afinal, é ação. E da mesma família de empoderar-se.

Eva Mota (centro) com suas alunas na aula de marcenaria para mulheres. Foto: Taba Benedicto/Estadão

PEGANDO NO PESADO

Marcenaria
“Eu dizia para elas: não quero fazer nada, quero que vocês façam”, conta a marceneira, design e jornalista Eva Mota. Ela se refere às amigas e à produção de móveis, algo que sempre quis fazer e que foi aprendendo por insistência, perguntando, estudando e driblando o descrédito. Depois do jornalismo, Eva se formou em design e passou a desenhar os móveis de seus clientes, guardando o desejo de também participar da confecção.

O ponto de mudança veio quando, ao pedir dicas a um marceneiro, foi assediada. Decidiu, então, reunir as amigas no fundo de uma escola de teatro em Vitória da Conquista (BA), onde vivia, para ensinar tudo o que sabia sobre marcenaria. Foi o primeiro curso de um projeto que já está no terceiro ano e formou 500 mulheres, tanto na Bahia – onde deixou a família –, quanto em São Paulo, sua casa desde 2019, dá o curso Introdução à Marcenaria para Mulheres. Em um dia, aprende-se teoria e, tendo à disposição todos os materiais (que Eva banca sozinha), as alunas colocam a mão na massa, superando o medo de serrar e parafusar e construindo um móvel com a cara delas.

Na Oficinalab (Barra Funda) ou na Oficina Colaborativa (Santana). Inscrições: linktr.ee/evamotas; R$ 440.

Agilizalab oferece curso Deixa Que Eu Faço para ensinar manutenção residencial básica. Foto: Agilizalab

Manutenção
Foi morando em repúblicas estudantis e no exterior que a engenheira florestal Mariana Avan notou a falta de um espaço que ensinasse às mulheres coisas simples do dia a dia, como trocar a resistência do chuveiro ou instalar uma prateleira. Atividades que, por serem tradicionalmente ensinadas a homens, sempre geram piadinhas e má fé (entre outras inconveniências) em lojas de construção e atendimento domiciliar. Ela, que adora tarefas manuais, viu a oportunidade. Como Eva, reuniu amigas para um teste e, em troca, suas “cobaias” palpitaram sobre o curso. Assim nasceu o Agilizalab e o curso Deixa Que Eu Faço, para elas aprenderem sobre manutenção residencial na teoria e na prática. O curso básico ensina a mexer nas partes elétrica e hidráulica e dura um dia – há um módulo de pintura.

Na Casa Locomotiva (Vl. Madalena) e na Casa Jaya (Pinheiros). Inclui material e luminária feita na aula (R$ 300); agilizalab.com.

Escola do Mecânico tem cursos de mecânica automotiva para mulheres (igual ao dos homens) e turmas mistas. Foto: Escola do Mecânico

Escola do(a) Mecânico(a)
É o poder de trocar um pneu, de se atentar aos sinais do carro para manutenção, de não precisar esperar ajuda. Essas são as principais transformações pelas quais passam as alunas da Escola do Mecânico, segundo Alexandra Peres, CEO e dona de duas das 30 unidades da empresa no Brasil. Quando ela ajudou a implementar turmas femininas nos cursos básicos de mecânica automotiva da escola, o objetivo era – e ainda é – “mudar a cultura generalizada que pressupõe a inexistência de mulheres no segmento de mecânica”. E isso, aos poucos, tem ocorrido, sobretudo com o crescimento de habilitadas que levam o carro para arrumar e se sentem, segundo Alexandra, mais confiantes quando há uma mulher atendendo. O curso, em módulos, leva de um a sete meses, dependendo do quanto se quer aprender – o completo dá certificado para trabalhar como mecânica. Há turmas novas todos os meses, só com mulheres ou mistas.

A partir de R$ 900 (de 1 a 7 meses); escoladomecanico.com.br.

COMER E BEBER COM CONFORTO

Equipe do Eugênia Café Bar é toda feminina – e local tem ainda uma biblioteca. Foto: Taba Benedicto/Estadão

Eugênia Café Bar
O sonho de ter um bar permeia a mente de muitas pessoas. Ao se deparar com diversas mulheres reclamando da forma como eram tratadas nos bares, a produtora editorial Viviane Ka decidiu fazer desse sonho realidade, mas com uma condição: seu bar deveria ser um espaço onde todas nos sentíssemos confortáveis. Abriu, em 2018, o Eugênia, inspirado em outras mulheres inspiradoras. É o caso daquela que dá nome à casa, Eugênia Moreyra, jornalista, atriz e diretora que liderou o movimento sufragista no País no início do século 20. Além de Rita Lee, Simone de Beauvoir e Nina Simone. A biblioteca só tem escritoras e, no cardápio, os drinques têm referências femininas como Gaya, “coquetel que leva pau de canela incandescente e remete à mãe Terra, a Pachamama, origem de todos nós”, explica. O bar não recebe só mulheres – e Viviane diz que a maioria dos homens entende a proposta. Mas sua equipe é toda feminina. A casa oferece cursos básicos de coquetelaria, aberto a todos, mas a prioridade da inscrição é das mulheres (4 aulas, R$ 350).

R. Cônego Eugênio Leite, 953, Pinheiros, 3064-1352, bit.ly/eugeniabar. Terça a sábado, 19h/1h.

Mulheres da equipe do restaurante Fitó, que valoriza nossa diversidade. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Fitó
“Ser mulher é algo tão amplo” é a frase usada por Cafira Foz para começar a explicar o porquê de o restaurante Fitó, onde é sócia ao lado de Thomaz Foz, ter uma equipe formada por muitos tipos de mulheres. “Tentamos abraçar todas as diversidades, coisa que o mercado nega, tentando enquadrá-las em modelos estabelecidos. Buscamos dar espaço às que estão fora do mercado há muito tempo, que são mães, mulheres trans”, diz ela. É assim que o restaurante, de proposta descontraída e aconchegante e cardápio que valoriza a culinária brasileira sertaneja, foi pensado desde sua abertura, em 2017. E a ideia atrai não só mulheres, mas homens e crianças, gente de todas as idades. Até porque o menu dá água na boca em qualquer um: entre os mais pedidos está o Paçoca: carne de sol da casa puxada com farinha de mandioca, cebola roxa e manteiga de garrafa, servida com baião de dois, banana-da-terra e queijo de coalho (R$ 49). Às terças, a casa recebe à noite o Forró das Minas (grátis).

R. Cardeal Arcoverde, 2773, Pinheiros, 3032-0963, fitocozinha.com.br. Abre todos os dias.

LEITURA EM DIA

Coletivo EscreViver se reúne para ler autoras. Foto: Acervo Pessoal

EscreViver
Foi em um dos encontros do coletivo EscreViver, dedicado a ler, discutir e divulgar autoras femininas do mundo todo, que uma das participantes, uma adolescente de 17 anos, contou que “começou a se entender como uma mulher negra a partir do momento em que se identificou com a história de um dos livros propostos”. Quem conta é a dupla fundadora do coletivo, Naiara Neves e Stéfhanie Fanticeli, mulheres apaixonadas pelo universo da literatura e por seu poder de transformação. Afinal, como elas dizem, “o que mais importa nos livros que lemos são as vivências que conhecemos, mesmo sem ser a nossa realidade. Com isso, conseguimos compreender outras mulheres”. Este ano, os encontros (gratuitos) ocorrem nas bibliotecas do Parque Villa-Lobos e do Parque da Juventude, a BSP. Amanhã, por exemplo, a obra discutida no Parque Villa-Lobos será Persépolis, da ilustradora e escritora franco-iraniana Marjane Satrapi.

Livros indicados e datas de encontros (grátis) em bit.ly/escreViver. Para conferir as programações especiais para o Dia Internacional da Mulher nas bibliotecas: bvl.org.br e bsp.org.br.

Leia Mulheres se reúne em São Paulo – hoje, elas estão presentes em todos os Estados do País. Foto: Ana Graphie

Leia Mulheres
Tudo começou olhando para a própria biblioteca: “Já vínhamos conversando bastante sobre como tínhamos muito homem na nossa estante, sobre como nossos leitores favoritos eram homens”, diz Michelle Henriques, uma das mediadoras e fundadoras do clube Leia Mulheres ao lado de Juliana Gomes e Juliana Leuenroth. A partir dessa constatação, decidiram se organizar e, em 2015, fizeram o primeiro encontro do clube em São Paulo. O projeto foi se espalhando: hoje, são mais de 300 mediadoras em mais de 120 cidades de todos os Estados e em Portugal. A ideia é propor a leitura de autoras de diferentes países e gêneros. “No começo, as pessoas achavam que a gente lia livros, entre muitas aspas, de mulherzinha”, diz. Por isso, um dos principais objetivos é mostrar que mulher escreve qualquer tipo de literatura.

Indicação de livros e agenda de encontros (grátis) em bit.ly/leiamulher.

UM OLHAR SOBRE SI MESMA

Ilustração e Autoconhecimento
São famosos os autorretratos que Frida Kahlo fez de si. Para além da arte, tratava-se de um exercício de reflexão sobre si mesma. Pois essa é a inspiração e a proposta da arquiteta e artista Lela Brandão na oficina Ilustração e Autoconhecimento. Idealizada como “um oásis nesse mundo machista”, segundo Lela, a oficina propõe às participantes a troca de experiências, observando umas às outras e a si mesmas a partir do papel e do lápis. Isso significa que não é preciso entender de arte. “A oficina é uma vivência em que a ilustração vira ferramenta para o autoconhecimento, não é para ensinar técnicas de desenho”, explica Lela. Sem dar maiores spoilers, ela diz que, no fim, todas percebem que sabem desenhar, “é como respirar, todo mundo aprende”. O curso é para adultas, mas Lela pensa em um modelo para meninas.

Atualmente na Casa Brava (Campos Elísios). Turmas de até 20 mulheres (2 vagas sociais); bit.ly/ilustraconhece; R$ 134.

Gabriela Bavay dá workshop que trata sobre ciclo menstrual, emoções e trabalho. Foto: Acervo Pessoal

Metafeminino
Quando Gabriela Bavay foi trabalhar com uma equipe só de homens, ela percebeu o quanto a produtividade deles era diferente da dela. Desde os 19 anos, porém, a filósofa e coach já se interessava por livros e explicações sobre o corpo feminino. Não teve dúvidas, por isso, de que as diferenças estavam relacionadas à natureza de cada sexo. “Havia épocas em que eu tinha muita criatividade. Noutras, tinha pouca energia. Foi nesse momento que fiz o link entre esses dois temas (trabalho e ciclo menstrual) e passei a oferecer workshops de forma paralela à vida corporativa”, conta ela, que há cinco anos se dedica ao trabalho.

Durante dois dias, ela discute com as participantes sobre nosso corpo e suas semelhanças com as estações do ano, mostrando como, em cada momento, lidamos de um jeito diferente diante de uma mesma situação. São levantadas características comuns e particularidades. “Tem meninas que querem falar mais do ciclo menstrual, outras do processamento das emoções, outras querem entender como podem organizar melhor as tarefas, então o curso vai mudando.” O público do seu workshop, organizado duas vezes ao ano, é formado por mulheres de 25 a 50 anos. Elas querem sair do automatismo dos dias, se livrando de efeitos colaterais como insônia e dificuldades afetivas.

R. Pedroso de Morais, 2135, Pinheiros; 99952-1966. Inscrições: desde R$ 370; metafeminino.com.br.

Terapia Orgástica, na Casa Prazerela, leva em conta a biografia de cada mulher. Foto: Diego Zanotti

Casa Prazerela
Antes de abrir a Casa Prazerela, Mariana Stock estudou o corpo e a mente humana, sempre com foco nas mulheres. Fez comunicação e seguiu para a psicologia social, psicanálise, massagem tântrica e parto tradicional. Foi percebendo, também a partir da própria experiência, que faltava um lugar que trabalhasse a “sexualidade feminina sem tabus, sem repressões e orientado à biografia pessoal de cada mulher”, explica ela. De um curso sobre o tema, a ideia cresceu e, entre as diversas atividades da casa, está a Terapia Orgástica: durante duas horas, uma das terapeutas ouve suas histórias, desejos, medos, frustrações e curiosidades sobre sexualidade. A partir da narrativa, é realizado um trabalho corporal no qual o objetivo é despertar sensações e prazeres. “É um profundo despertar do que é ser você na sua pele”, diz Mariana, que segue estudando novas formas de prazer e conhecimento do feminino.

R. Riphaina, 80, Vl. Anglo; 95061-9897. R$ 450 uma sessão de 2h; prazerela.com.br.

PARA RIR E SE ENTRETER

Lais, Coral e Katia produzem noite dedicada ao stand-up comedy feminino. Foto: Taba Benedicto/Estadão

TPM – Stand-up Comedy
Formada em Ciência e Tecnologia e professora de defesa pessoal para mulheres, Katia Guedes acompanha stand-up comedy há dez anos, produzindo e assistindo. Tempo suficiente para notar duas coisas: o número reduzido de mulheres na plateia e em cima do palco e o próprio talento para provocar o riso nas pessoas. Pois junto a outras duas artistas, Coral Paiva e Laís Freitas, Katia pretende reverter este cenário com o lançamento, no próximo dia 10 de março, de uma noite fixa dedicada às mulheres comediantes no bar Al Janiah.

Batizado sabiamente de TPM, Terça Para Mulheres, o projeto tem como objetivo dar espaço a meninas que estão começando e queiram testar seus textos, além de profissionais. E também atrair mais o público feminino, que pelas muitas piadas sexistas em shows masculinos acaba perdendo interesse, segundo ela.

Além das três fundadoras, o TPM terá sempre convidadas iniciantes e profissionais – Cintia Rosini, com apresentação no Netflix, fará parte da noite inaugural. Até abril, será quinzenal, depois, semanal. “Queremos mostrar que temos qualidade e podemos fazer humor ácido e crítico em cima da vivência das mulheres”, afirma. Além delas, outro grupo só de comediantes na cidade é o Dopamina.

Al Janiah: R. Rui Barbosa, 269, Bela Vista, aljaniah.com.br. Ingressos gratuitos precisam ser reservados em bit.ly/tpmaljaniah.

Todo segundo domingo do mês, a Ludus Luderia é reservada só para mulheres. Foto: Equipe Ludus

Luduzinha
Como o TPM, o Luduzinha veio para nomear (genialmente) um projeto que rompe com a ideia de “isso é para menino, isso é para menina”. Pois na casa de jogos de tabuleiro Ludus Luderia, todo segundo domingo do mês – em março cai justamente no dia 8 – é reservado a nós, mulheres. Não que isso seja necessário para atrair o público feminino: hoje, mais da metade dos frequentadores (56%) é mulher, assim como a dona e a assistente de eventos, Lucy Raposo e Ly Pucca. Contudo, torna-se um dia de troca de experiências entre jogadoras, designers de jogos, ilustradoras, além de ser uma forma de receber aquelas que estão começando nas artes do do tabuleiro e querem se sentir à vontade.

R. Treze de Maio, 972, 99241-2211; bit.ly/luduzinha. 16h/23h.

CORPO EM MOVIMENTO

Isa Zendron (à frente) dá uma de suas aulas, batizadas de ‘Rabaterapia’ por ela. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Boate Class
Há a psicanálise, a terapia comportamental, aquela que segue a linha fenomenológica. Mas você já ouviu falar da “rabaterapia”? É assim que a professora Isadora Zendron, ex-ginasta, formada em moda e apaixonada por dança desde pequena, define as aulas da Boate Class. “Sempre fui meio rebolativa, minha mãe sempre me incentivou muito. Minha família é carioca, sempre dançamos É o Tchan em casa, família unida, mãos dadas”, conta, rindo.

Mas Isa se afastou da dança por alguns anos, quando a vida adulta chegou com boletos. Foi uma fase difícil que a levou de volta à dança, para “se resgatar e reenergizar”. “Aí percebi que isso era importante para todo mundo.” Ao contrário do que se pensa, ela começou seu projeto desencorajada e com vergonha. Como muitas de suas alunas, que chegam às aulas intimidadas. “Gosto da primeira aula porque percebo que as meninas entendem que a ideia é se permitir, não importa se vão errar ou acertar.” Depois, vem a confiança no próprio corpo. Por isso, a proposta da aula, focada em ritmos para rebolar e com três módulos, vai além de coreografias: é terapêutica. “É para que a gente se sinta bonita para si mesma, não para os outros.”

R. Martim Francisco, 291, Santa Cecília; aula avulsa, R$ 45; pacote com 4 aulas/ mês sai R$ 120; 8 aulas, R$ 220; bit.ly/boateclass.

Magic Minas: um grupo de jogadoras de basquete cujo nome é inspirado na Magic Paula. Foto: @brskphoto

Magic Minas
Tudo começou em 2016, com amigas, apaixonadas por basquete, se reunindo na quadra do prédio de uma delas para jogar. Quando a quadra precisou ser fechada para reformas, o grupo, que tinha crescido bem, começou a pensar sobre a ocupação – por mulheres – do espaço público, percebendo, na prática, o quanto isso é difícil. “A presença das Magics (em uma quadra pública no centro da cidade) incomodou e os homens passaram a disputar o espaço para jogar futebol”, contam. Desrespeitaram combinados de horários e as intimidaram para que abandonassem o local.

Conseguiram o inverso: uma mobilização foi chamada pelas redes sociais e, numa segunda-feira, a quadra foi ocupada por cerca de 100 mulheres, entre elas a “musa inspiradora” do grupo, a medalhista olímpica na modalidade Magic Paula – o nome é uma homenagem a ela misturado ao termo “minas”, de meninas. O resultado foi a conquista do respeito no que era combinado e a projeção do grupo como símbolo do que a união feminina pode fazer.

Hoje, as Magic Minas se reúnem três vezes por semana em diferentes quadras públicas – e o coletivo segue aberto a todas as mulheres que gostem de basquete e queiram treinar e se divertir num espaço acolhedor. Há inclusive uma treinadora, o que motiva a cobrança de uma taxa de participação.

Entre 20h e 22h; segundas: Praça Rotary, Vl. Buarque (R$ 10 por aula); quartas: Pq. da Aclimação (grátis); sextas: Centro Esportivo Mané Garrincha, Vl. Clementino (R$ 10 por aula); bit.ly/magicmina.

Surfe e autoconhecimento andam juntos no curso da Spiritual Surf. Foto: Gabriela Valotto

Spiritual Surf
Dalila Foti, restauranteur e coach, observava o marido surfar quando a vontade de estar ali, fazendo o mesmo, venceu o trauma da adolescência – 20 anos antes ela havia “tomado um caldo” e nunca mais se arriscara no mar. “Eu disse: ‘não vou ficar aqui na areia, não’”. Era 2018 e ela decidiu procurar um professor para retomar a atividade. Na primeira aula, já ficou em pé e dropou uma onda. Para se livrar dos medos, fez curso de apneia e foi percebendo que a hostilidade dos homens com mulheres surfistas têm diminuído. “Eu tinha de entrar com meus irmãos antes.” Fez tão bem que ela teve a certeza de que tinha de levar mais mulheres para o surfe.

Uniu seus conhecimentos de coach com sua paixão pelo mar e criou a Spiritual Surf, com um curso que, além de ensinar o esporte a mulheres, busca curá-las de seus medos e frustrações: são três dias em uma casa no litoral de São Paulo, com trocas de experiências, aulas de surfe e de ioga, além de outras atividades, como aulas de jiu-jitsu e atendimento terapêutico. “Barreiras são quebradas, elas viram a chave, começam a fazer academia. Queremos fazê-las olhar para dentro, se priorizar mais”, diz Dalila. Exigências? Saber nadar – e pode ser só “cachorrinho”.

Três dias de curso na praia a R$ 1.280, com tudo incluído. Há também: curso de um dia de wakeboard em Mairiporã (R$ 330) e aulão de funcional surfe e performance no Parque do Ibirapuera (R$ 35); spiritualsurf.com.br.

Jussara Pellicano, que criou uma plataforma para conectar mulheres viajantes se apoiarem. Foto: Acervo pessoal

Sisterwave
O sonho de Jussara Pellicano Botelho era conhecer o Butão. Ela assim o fez e aproveitou para ir também à Tailândia. Como viajante sola, começou a notar, na prática, quais os problemas enfrentados por mulheres viajantes, sobretudo as que estão sozinhas. Depois, quando fez um mochilão com uma amiga, chegou à conclusão de que faltava algo unisse mulheres como elas, dando suporte nas viagens. “Encontrei outras mulheres no caminho e era muito recorrente essa necessidade de ter uma rede de apoio própria, uma comunidade que apoiasse a mulher a viajar e que a conectasse também com outras mulheres que são moradoras daquele lugar”, conta.

Depois que retornou ao País, trabalhou para tirar do papel o projeto de criar essa rede, o que ocorreu em 2018, com a criação da Sisterwave, uma plataforma para a mulheres viajantes feita por mulheres viajantes. São dois os seus propósitos: reunir anfitriãs – hoje são 360 hospedeiras, em 130 cidades brasileiras, 43 delas em São Paulo – e ser uma comunidade feminina para a troca de dicas, contatos, assistência e até para encontrar companhia em algum lugar.

Além de nos ajudar com a segurança – assédio sexual e violência, vulnerabilidade e culpabilização pela ocupação do espaço público são problemas que os homens, afinal, não enfrentam em suas viagens -, a plataforma é também um jeito de descobrirmos roteiros que fogem aos tradicionais (e são, por consequência, mais baratos) e de nos conhecermos melhor como mulheres independentes.

Todas as anfitriãs têm os dados verificados e é possível estabelecer uma conversa com elas antes de fechar negócio. “E quanto mais parecidas as duas forem, mais fácil. Cria-se uma amizade”, conta Jussara. Se houver conexão, então, será como receber uma amiga em casa. Em breve, o Sisterwave deverá incluir uma funcionalidade na plataforma onde, já no destino, uma viajante pode procurar por companhia para um passeio específico que eventualmente não queira fazer sozinha.

A plataforma cobra uma taxa de intermediação das anfitriãs, mas o serviço da comunidade de dicas e trocas é gratuito; sisterwave.com.

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