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Desplechin revisita Dédalus em ‘Três Lembranças da Minha Juventude’

Rafael Sousa Muniz de Abreu

26 de novembro de 2015 | 17h18

Muitos retornos marcam Três Lembranças da Minha Juventude. O primeiro deles é do próprio diretor, o francês Arnaud Desplechin, que recupera personagens de um filme anterior, ‘Como Eu Briguei (Por Minha Vida Sexual)’. O drama, de 1996, apresentava Paul Dédalus – Mathieu Amalric, tanto no longa dos anos 1990 quanto no atual – um doutorando que hesitava em concluir seus estudos, encerrava seu relacionamento com Esther, uma namorada de longa data, e entrava numa roda viva de sexo e paixões.

Os outros retornos são da mente do próprio protagonista que, no início de ‘Três Lembranças…’, se perde em memórias tão queridas quanto formativas. Sai o personagem mais velho, com a carreira já encaminhada, e entram versões mais jovens do personagem intelectual e romântico.

Nos flashbacks, vê-se Dédalus como um menino em conflito com uma mãe deprimida e confusa; como um jovem (Quentin Dolmaire) que se arrisca por causas políticas; e como estudante que se inicia na antropologia, enquanto experimenta desilusões amorosas e um relacionamento abusivo com Esther (Lou Roy-Lecollinet). O longa o acompanha até o momento que precede seu doutorado.

Com temas e sentimentos adolescentes, Desplechin filma um drama leve, sem que nada pareça raso ou tolo. Lembranças nostálgicas, mas não deslumbradas, em cenas cujas vinhetas circulares dão a impressão de uma memória espiada. Rafael Abreu