Cursos de atividades manuais são bom passatempo para a quarentena
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Cursos de atividades manuais são bom passatempo para a quarentena

Júlia Corrêa

09 de abril de 2020 | 02h00

Aproveitar a quarentena para se dedicar a técnicas artesanais possibilita novos aprendizados, além de ajudar a combater sintomas de estresse

Foto: Elisa Dantas

Não é por acaso que as atividades manuais são chamadas também de passatempo. Afinal, elas sempre ajudaram as pessoas a lidar com longos e difíceis períodos de espera. Na mitologia grega, por exemplo, há um caso emblemático: enquanto aguarda que Ulisses, seu marido, retorne da guerra, Penélope tece um manto, que desfaz e refaz constantemente.

Durante a quarentena, a concentração em uma atividade artesanal pode aliviar a tensão do momento. Segundo o psicólogo e psicanalista Felipe Pimentel, os benefícios de se dedicar a um trabalho manual relacionam-se com o combate aos transtornos de estresse causados pelo isolamento, que envolvem sentimentos de exaustão, dificuldade de concentração, insônia e ansiedade. Segundo ele, são sintomas muito ligados ao “overthinking”, isto é, aos pensamentos incessantes.

“A aprendizagem manual lida com regiões do cérebro distintas das do pensamento racional, especialmente com a região direita. As atividades artesanais, não puramente mentais, estimulam, assim, mais áreas do cérebro, o que tem relação direta com o bem-estar”, explica. Ele, porém, alerta: as atividades não podem ser mero reflexo manual de um pensamento obsessivo, como, por exemplo, ficar arrumando as roupas sem parar. “Deve ser algo lúdico, que realmente nos distraia e que dê a sensação de que estamos fazendo algo do início ao fim; de que o tempo transcorre durante a sua execução.”

Foto: Elisa Dantas

Foi buscando algo que a ajudasse em um momento de dificuldade que Elisa Dantas passou a se dedicar à costura, há seis anos. Hoje, ela comanda o canal do YouTube A Costureirinha. “Para mim, costurar é como um superpoder, que me permite materializar uma ideia. Você é obrigado a estar presente, sem pensar no futuro ou no passado. Não dá para costurar pensando nos boletos”, brinca ela. Acostumada a priorizar aulas presenciais, Elisa teve de se adaptar neste período de isolamento. Criou, por exemplo, a série paga Costurar pra Quê? – “no estilo Netflix”, tem episódios como Costurar para Acalmar, em que sugere peças como uma almofada de meditação.

Com as novas diretrizes do Ministério da Saúde, ela pretende ensinar a fazer máscaras caseiras, o que evitou fazer, até então, por causa da falta de orientações claras sobre o assunto. Além de todas essas iniciativas, sua página no Instagram e seu canal no YouTube oferecem diversos tutoriais com lições bem acessíveis. “Para quem tem dado mais atenção ao lar, tem vídeos em que ensino a fazer guardanapos, fronhas e porta-copos.”

Dedicando-se à marcenaria, a jornalista e designer de interiores Eva Mota, que dá aulas presenciais para iniciantes, reforça que a concentração no fazer manual “permite um novo olhar para nós mesmos e as coisas ao nosso redor, nos fincando no aqui e no agora e impedindo que os pensamentos nos levem para outros lugares”.

Foto: Eva Mota

Em seu blog (blog.evamota.com.br), há postagens com tutoriais bem apropriados para este momento, em que nem sempre temos acesso a materiais mais complexos. É o caso do passo a passo para a criação de móveis com cabides de madeira, como uma sapateira.

A seguir, confira uma seleção de páginas e canais online que ensinam diferentes técnicas manuais

Crochê. A youtuber Marie Castro, que se apresenta como designer handmade e artista têxtil, publica vídeos que incluem lições acessíveis de técnicas manuais como o crochê. Entre os últimos compartilhados, há um, com pouco mais de 20 minutos de duração, em que ela ensina a produzir um suéter com restos de fios – uma boa opção para quem não pode sair de casa para comprar um novelo novo (bit.ly/mccroche).

Técnicas de colorir. Os livros de colorir foram um fenômeno de vendas em 2015, tornando-se febre entre adultos e crianças. Esse tipo de publicação pode até ter perdido popularidade, mas, neste momento de quarentena, reaparece como um ótimo passatempo. Em seu canal no YouTube, a artista Gina Pafiadache, com a parceria de sua filha Carol, apresenta tutoriais para quem quer preencher os desenhos dos livros com técnicas mais avançadas do que simplesmente passar o lápis de cor. Entre os vídeos, há, por exemplo, dicas para criar efeitos de dourado, transparência e dégradé (bit.ly/ginapaf).

Pintura. Arte, criatividade e design são o lema do canal do YouTube de Mika Serur. De forma despretensiosa, ela apresenta desde os diferentes tipos de tinta, como guache e a óleo, até possibilidades bem criativas para quem quer se aventurar na área. Há vídeos em que Mika mostra como pintar nuvens em um espelho; decorar os tênis inspirando-se na obra A Criação de Adão, de Michelangelo; e até estilizar uma jaqueta jeans a partir da pintura A Noite Estrelada, de Van Gogh (bit.ly/mkserur).

Lettering. Para quem procura aperfeiçoar técnicas de estilização de letras, o artista visual e designer gráfico Filipe Grimaldi, que costuma dar aulas de lettering no Sesc, comanda um curso online em parceria com a instituição, com seis lições gratuitas (bit.ly/fglett), disponíveis a qualquer momento. Outra opção são os cursos virtuais da Faber Castell, que liberou acesso gratuito à sua plataforma online até o dia 19 de abril. Além de lições de lettering, é possível aprender técnicas de quadrinhos, aquarela, entre outras.

Jardinagem. No Instagram do estúdio Jardineiro Fiel, que tem sede em São Paulo, há boas dicas para quem quer aproveitar a quarentena para dar mais atenção ao paisagismo do lar. Em uma série de lives, postagens e stories, são abordados temas como o cuidado com as plantas de casa e o lado “terapêutico” dos jardins. No dia 14 de abril, às 19h30, Gabi Pileggi e Rico Adinolfi participam de um bate-papo online sobre plantas na parede. A inscrição para esse evento custa R$ 80 (bit.ly/jdfiel).

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