Conheça os detalhes e a programação da nova sede do Instituto Moreira Salles
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Conheça os detalhes e a programação da nova sede do Instituto Moreira Salles

Redação Divirta-se

14 de setembro de 2017 | 17h53

Entre os centros culturais inaugurados recentemente na capital, a nova sede do Instituto Moreira Salles, o IMS, destaca-se pela localização privilegiada – em plena Avenida Paulista, perto de duas estações de metrô. Os atrativos do prédio, cuja construção custou R$ 150 milhões, devem levar um público mais variado ao instituto. Além de suas tradicionais exposições de fotografia, haverá espaço para cinema, música e gastronomia. A seguir, os detalhes da sede e de sua programação. Júlia Corrêa (com colaboração de André Carmona, Lucinéia Nunes e Renato Vieira)

Foto: Hélvio Romero/Estadão

ONDE: Av. Paulista, 2.424, metrô Paulista, 2842-9120.
QUANDO: Inauguração 4ª (20). 10h/20h (5ª, até 22h; fecha 2ª).
QUANTO: Grátis.

Confira infográfico do novo centro cultural

UM POUCO DE HISTÓRIA

– Em 1992, a primeira sede do IMS foi fixada em Poços de Caldas. A ideia era preservar um chalé construído por um italiano no fim do século 20.

– Criada em 1999, a sede carioca ocupa, na Gávea, a ex-residência da família Moreira Salles. Um marco modernista, a casa está em terreno de 11 mil m².

– Até dezembro de 2016, a pequena sede paulista ficava em cima de uma agência bancária, na Rua Piauí, em frente ao Parque Buenos Aires.

ENTREVISTA: LORENZO MAMMÌ
O curador de programação e eventos do IMS conversou com o Divirta-se. 

Quais princípios vão nortear a nova sede? Vamos seguir a linha adotada pela instituição desde a sua criação, que é ligada a diferentes áreas, como literatura e música popular, mas principalmente à fotografia. Em geral, algo muito próximo à ideia de uma produção de imagens brasileiras, seja em registros fotográficos ou em vídeos. Queremos constituir um espaço de discussão sobre perspectivas das imagens, como novos usos e novas tecnologias. Não é o foco exclusivo, mas predominante.

O senhor prevê mudanças na relação com o público? No Rio, a sede na Gávea não tem um acesso tão fácil. Por isso, temos uma frequentação não tão intensa, porém mais prolongada. Aqui, esperamos um fluxo maior e mais rápido – no horário do almoço ou quando a Paulista está aberta aos domingos, por exemplo. A Japan House, que abriu há poucos meses, teve essa experiência. É um desafio, pois pretendemos manter o mesmo estilo de trabalho de sempre, com uma linha clara de reflexão. Ao mesmo tempo, nos preocupamos em elaborar uma linguagem para esse público, que será, possivelmente, menos especialista e mais diversificado.

O que destacaria do projeto arquitetônico? A ideia do projeto é fazer a rua ‘entrar’ no meio do prédio, que é todo aberto no térreo. O piso do quinto andar, por exemplo, é todo em pedra portuguesa, o que remete ao velho calçadão da Paulista. A proposta é criar essa circulação livre, em um prédio pensado não só para ser visitado, mas para ser usado.

SOBRE A SEDE

Vencedor de um concurso realizado em 2011, o projeto da sede é do escritório Andrade Morettin Arquitetos, que priorizou conceitos sustentáveis, como a iluminação natural. No térreo, uma escada rolante leva ao quinto andar, chamado Praça – que abriga a livraria e o café, e que dá acesso aos outros oito pisos. Nos superiores, estão os espaços expositivos, incluindo o Estúdio, com ateliê e laboratório para cursos. Nos inferiores, estão a Biblioteca, apenas com publicações fotográficas – à qual o alemão Gerhard Steidl doou 1.200 títulos de sua editora –; o Cineteatro, com equipamentos de última geração; e as salas de aula, que receberão cursos variados.

6 mil m² é a área aproximada do novo prédio. Desse total, 1,2 mil m² são dedicados exclusivamente às salas de exposições, distribuídas em quatro andares do edifício.

7 mil itens, entre livros e revistas, compõem a biblioteca do IMS, especializada em fotografia e aberta ao público. Mais 8 mil itens, em processo de catalogação, ficarão acessíveis em breve.

2 milhões de imagens formam o acervo de fotografia do instituto, que será mantido no Rio de Janeiro. As obras, contudo, percorrem as sedes para mostras temporárias.

EXPOSIÇÕES

Até 30/12, duas exposições na Galeria 3 destacam a obra de Robert Frank. Uma delas traz a série ‘Os Americanos’ (foto abaixo), com 83 fotografias de uma viagem pelos Estados Unidos. Com curadoria de Gerhard Steidl, ‘Os Livros e os Filmes’ reúne ampliações de 24 livros de Frank.

Foto: Robert Frank

A Galeria 1 recebe, até 19/11, The Clock, de Christian Marclay. Com 24 horas de duração, a videoinstalação traz referências de tempo em sincronia com a hora local. Para o público poder ver a obra completa, o IMS abrirá em nove madrugadas, entre 23/9 a 18/11, sempre das 10h de sábado até as 20h de domingo.

Na Galeria 2, até 30/12, a mostra Corpo a Corpo exibe vídeos e fotografias de artistas brasileiros contemporâneos. Nomes como Bárbara Wagner e Sofia Borges (foto abaixo), além de coletivos como o Garapa, expõem obras sobre conflitos sociais recentes do País. A curadoria é de Thyago Nogueira.

Foto: Hélvio Romero/Estadão

Com curadoria de Guilherme Wisnik, ‘São Paulo: Três Ensaios Visuais’ inaugura o Estúdio, que dá acesso digital ao acervo do IMS. Até julho de 2018, a projeção exibe imagens feitas por artistas como Alice Brill, Vincenzo Pastore e Mauro Restiffe. O espaço também recebe ‘Câmera Aberta’, de Michael Wesely, com registros analógicos e digitais da construção da sede.

CINEMA

“Em 2017, estamos em uma encruzilhada – tem muita atenção sendo roubada do ato de ir ao cinema, como a internet e a Netflix”, analisa o diretor Kleber Mendonça Filho (foto abaixo), curador de cinema do IMS. A frase reforça a importância de transformar a nova sala da cidade num lugar de encontro e debate. Com capacidade para 151 pessoas, o Cineteatro projetará filmes digitais e também em película.

Foto: IMS

A programação promete ser variada, com mostras temáticas, exibição de clássicos e também lançamentos que possam ter ficado fora do circuito comercial. Entre os dias 22/9 e 8/10, o espaço recebe uma retrospectiva com 25 filmes do documentarista e fotógrafo Robert Frank – considerado padrinho do atual cinema independente.

MÚSICA

Consultor da programação musical, Juliano Gentile adianta que o público verá apresentações que ajudem a difundir o acervo do IMS. Por exemplo: Nailor Proveta e Cristovão Bastos (foto abaixo) tocam Pixinguinha, cuja obra ganhou um site feito pelo instituto (pixinguinha.com.br). O show, com participação de Renato Braz, ocorre em 26/9, às 20h30 (R$ 20).

Foto: Rodrigo Sabatinelli

No último domingo de cada mês, haverá, no térreo, rodas de choro e samba – a estreia é dia 24/9, com o Clube do Choro, às 16h. E o jornalista Lucas Nóbile apresenta a série Rádio Batuta Convida, em que entrevista músicos no Cineteatro, duas terças-feiras por mês, ao meio-dia. A estreia, em 3/10, é com o violonista Alessandro Penezzi, com entrada gratuita. “É um jeito de a rádio ficar mais conhecida em São Paulo”, afirma o coordenador da rádio online, Luiz Fernando Vianna.

RESTAURANTE E CAFÉ

Chef de casas de sucesso, como o Mocotó e o Esquina, Rodrigo Oliveira (foto abaixo) está à frente do restaurante Balaio, que fica no térreo do instituto, e do café, instalado no 5º andar. No menu enxuto e que ultrapassa as fronteiras sertanejas, não faltam os famosos dadinhos de tapioca nem a mocofava. “Mas a ideia é ser mais abrangente”, afirma Oliveira.

Foto: Hélvio Romero/Estadão

O Balaio também terá sanduíches, pratos vegetarianos e para compartilhar – a exemplo da paleta de cabrito assada. No café, pães de fermentação natural, tapiocas, cuscuz e iogurte caseiro estão entre as pedidas. “O IMS é um projeto inspirador, um presente à cidade. E espero que o Balaio seja uma de suas atrações”, diz.

Saiba mais sobre o novo IMS acessando o link: bit.ly/sobreims