Conheça o Blue Note São Paulo, nova casa de shows que tem vista para a Avenida Paulista
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Conheça o Blue Note São Paulo, nova casa de shows que tem vista para a Avenida Paulista

Renato Vieira

07 Fevereiro 2019 | 16h37

Desde 1981, quando foi inaugurado em Nova York, o Blue Note se tornou referência entre as melhores casas de jazz do mundo. Apresentações de Dizzy Gillespie, Oscar Peterson, Sarah Vaughan e outros grandes artistas firmaram a aura do lugar, com boa música acompanhada por gastronomia de qualidade.

Já reconhecida, a marca foi se expandindo e, em agosto de 2017, o empresário Luiz Calainho abriu uma filial no Rio de Janeiro, a primeira no Hemisfério Sul. E ele acertou o contrato já prevendo a inauguração de uma unidade na capital paulista. A espera está acabando. Semana que vem, no dia 15/2, o Blue Note São Paulo será aberto no segundo andar do Conjunto Nacional, com vista para a Avenida Paulista. O Divirta-se visitou o espaço, ainda em obras, e constatou que a atmosfera intimista que fez a fama da casa será mantida – mas Calainho e seu sócio Facundo Guerra pretendem inovar, mantendo diálogo permanente com a principal avenida paulistana. A seguir, confira detalhes e curiosidades sobre o novo espaço, além de destaques de sua programação musical durante os próximos meses.

ONDE: Conjunto Nacional. Av. Paulista, 2.073, 2º andar, metrô Consolação. Venda de ingressos na bilheteria da casa ou pelo site: www.tudus.com.br

NÚMEROS

3,2 milhões de reais foi o valor investido na abertura da filial paulistana do Blue Note.

346 lugares terá a casa. Por regra da matriz americana, nenhuma franquia pode ultrapassar 400 cadeiras.

5 países têm espaços com a marca Blue Note: Brasil, China, Estados Unidos, Itália e Japão.

PERSPECTIVA:

Foto: Gabriela Biló/Estadão

Acima, a casa ainda em obras

Um projeto em 3D de como ficará o espaço pronto

Foto: Gabriela Biló/Estadão

A varanda da casa, onde haverá mesas para o público, com vista para a Avenida Paulista

POR DENTRO DA CASA

+ O contrato com a matriz americana prevê uma série de regras que devem ser seguidas. No fundo do palco, há uma cortina com uma placa identificando o nome do Blue Note e da cidade em questão. Na unidade de São Paulo, será possível ver parte da Avenida Paulista através das vidraças.

+ A ideia é ter, de quinta-feira a sábado, sempre dois shows por noite, às 20h e às 22h30 (não necessariamente do mesmo artista). O mesmo poderá ser feito às terças e quartas-feiras no caso de um grande nome se apresentar lá. Cada ingresso, com possibilidade de meia-entrada, vale apenas para um dos sets.

+ A partir do segundo mês de funcionamento, aos domingos, haverá brunch e show com a Blue Note Jazz Band, a banda da casa, tocando na varanda para quem passa pela avenida. A partir do terceiro mês, das 12h às 15h30, o local passará a servir almoço.

+ A inauguração do Blue Note reforça a vocação da Paulista como corredor cultural da cidade. Nos últimos anos, outros três importantes espaços foram abertos na avenida – e vale ficar de olho na programação deles, até para aproveitar antes dos shows. O primeiro foi a Japan House (nº 52), centro cultural dedicado à cultura japonesa.Depois, veio a nova sede paulistana do Instituto Moreira Salles (nº 2.424), com exposições de fotografia e sessões de cinema. E, em abril do ano passado, o esperado Sesc Avenida Paulista (nº 119) passou a funcionar, com shows, mostras, biblioteca, práticas corporais e um belo mirante.

LUIZ CALAINHO
ESTÁ NO PAPO

Foto: Gabriela Biló/Estadão

Responsável por trazer o Blue Note ao Brasil, o empresário tem vários negócios na área de Entretenimento e cultura. E ele convidou Facundo Guerra (criador do Grupo Vegas, que controla outras casas paulistanas, como o Cine Joia) para ser seu sócio no novo espaço.

Como surgiu a ideia de abrir a casa? Quando o Blue Note Rio foi aberto, já estava acertado com os donos da marca que também seria aberto um em São Paulo. Entendi que era preciso convidar alguém que tivesse a alma de São Paulo e liguei para o Facundo, que veio com a ideia do Conjunto Nacional.

As finanças do Blue Note Rio passam por dificuldades. Você já disse que a operação de São Paulo salvará a do Rio. São Paulo tem poder econômico maior. Quando abrimos no Rio, a cidade estava em uma debacle econômica. Com a vinda para São Paulo, vou rentabilizar boa parte dos custos entre as duas casas, e um novo patrocinador, a Porto Seguro Cartões, se aproximou. Entre 60 e 90 dias, equilibramos o Rio.

Em uma cidade com tantas casas de show, qual o diferencial do Blue Note São Paulo? A própria marca é um diferencial. Nós estamos em um lugar icônico, em que o acesso é fácil, e com um olhar muito especial para a gastronomia. Vamos promover shows que nunca aconteceram na cidade.

A cena paulistana terá espaço na casa? Claro! A cena daqui é mais ativa que a do Rio. Queremos um lugar abrangente com um tom de excelência.

DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO

+ A casa será aberta com show de Marcos Valle e Azymuth. O compositor de ‘Samba de Verão’ e ‘Viola Enluarada’ trabalha com o grupo desde os anos 1960 – a banda foi batizada com o nome de uma de suas músicas. 15/2, 20h e 22h30. R$ 140/R$ 190.

+ Radicada no Brasil, a britânica Jesuton canta as músicas do terceiro álbum, ‘Home’ (2017), com influências da música pop e do R&B. ‘In Between the Lines’, ‘Vultures’ e ‘Don’t Think So’ estão entre as faixas do trabalho. 20/4, 22h30. R$ 70/R$ 90.

Foto: Marcio Lisa

+ O premiado pianista e arranjador César Camargo Mariano (foto acima) vem se apresentando no formato de trio desde o ano passado, relendo clássicos da música brasileira e internacional. 12 e 13/4, 20h e 22h30. R$ 160/R$ 240.

+ Na ativa desde o início dos anos 1980, o guitarrista americano Stanley Jordan vem regularmente ao Brasil desde aquela década. Conhecido pela técnica em que utiliza as duas mãos no braço do instrumento, o instrumentista mostra temas autorais e também releituras de clássicos do jazz e do rock. 16/3, 20h e 22h30. R$ 210/R$ 280.

Foto: Kevin Yatarola

+ Improvisos, inovações harmônicas e sons incomuns são a marca do trabalho de Hermeto Pascoal (foto acima), que, no ano passado, venceu o Grammy Latino na categoria melhor álbum de jazz com ‘Natureza Universal’ (2017). Com seu grupo, o músico alagoano faz show em que mostra sua versatilidade. 29/3, 20h e 22h30. R$ 190/R$ 240.

+ No projeto Baile do Flashback, Ed Motta passeia por temas do soul e do funk. Há hits de Gino Vannelli (‘Living Inside Myself’) e George Benson (‘Love x Love’), e também sucessos autorais, caso de ‘Fora da Lei’, ‘Colombina’ e ‘Tem Espaço na Van’. Os arranjos foram feitos pelo pianista Michel Lima. 21/3, 20h e 22h30. R$ 190/R$ 240.

Foto: Paulo Rapoport

+ Uma das divas da bossa nova, Leny Andrade (foto acima) faz show acompanhada por três músicos. A cantora de 76 anos lançou dois álbuns em 2018: um apenas com canções de Cartola e Nelson Cavaquinho, ao lado do pianista e arranjador Gilson Peranzzetta; e ‘Bossa Nossa – Leny Andrade Canta Fred Falcão’. 20/2, 20h e 22h30. R$ 90/R$ 140.

+ Ao lado de três músicos, João Bosco faz um passeio por toda sua trajetória, marcada por parcerias com Aldir Blanc e com seu filho Francisco Bosco. Depois de oito anos sem lançar disco de inéditas, o cantor e compositor gravou, em 2017, ‘Mano que Zuera’, no qual também regravou músicas de Milton Nascimento e Moacir Santos. 22/3, 20h e 22h30. R$ 210/R$ 280.

+ Carlos Lyra, João Donato, Marcos Valle e Roberto Menescal gravaram, em 2008, o disco Os Bossa Nova, que foi reeditado no ano passado com duas novas faixas. Os amigos estão juntos no palco para interpretar músicas do álbum, clássicos de suas carreiras, além de contar histórias sobre  a amizade que une o quarteto. 21/2, 20h; 22 e 23/2, 20h e 22h30. R$ 190/R$ 240.

Foto: Marcos Hermes

+ Outra atração do fim de semana em que a casa abre é Toquinho (foto). Ao lado da cantora Camilla Faustino, com quem vem fazendo shows pelo Brasil, ele interpreta músicas que marcaram mais de 50 anos de trajetória profissional. Entre elas, ‘Tarde em Itapoã’ e ‘Regra Três’, feitas em parceria com Vinicius de Moraes. 16/2, 20h e 22h30. R$ 250/R$ 380.

NO PRATO, NO COPO

Foto: Marcelo Ferreira

O cardápio da casa é assinado por Daniela França Pinto, que foi convidada pelo sócio Facundo Guerra. “Ele teve a ideia de fazer um cardápio que remetesse à São Paulo dos anos 1960 e 1970. Achei uma ótima sacada”, conta a chef. Entre os petiscos, está a coxa creme (foto acima). O filé à Diana com arroz à piamontese é um dos pratos. Há também sobremesas, caso da torta de chocolate com marzipã.

O barman Mestre Derivan foi o responsável por criar o menu de bebidas do espaço, que busca dialogar com as opções gastronômicas. São 25 coquetéis, como o GNP Blue Note, feito com gim, bitter de hibisco, chá especial de frutas vermelhas e água tônica. Já o Lucille, mesmo nome da famosa guitarra do bluesman B.B. King, é feito com Brandy, licor de laranja, gotas de orange bitter e maracujá com romã, e servido com um ramo de hortelã no topo. “Estamos trabalhando para um público exigente, que vai para ver o show. O serviço não vai interferir na música”, garante Derivan.